Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Daniel Samper Pizano nasceu em 1945 em Bogotá, Colômbia. Advogado e jornalista, formou-se pela Universidade do Kansas e é uma das figuras mais importantes do jornalismo latino-americano. Trabalhou como editor, colunista, autor de mais de vinte e cinco livros, roteirista de televisão e cinema, professor universitário e palestrante. Desde 1986, vive em Madri, onde foi editor da revista Cambio 16 e escreve artigos para diversas publicações. Atualmente, é membro da Real Academia Espanhola. Sua escrita caracteriza-se por um amplo e envolvente senso de humor e crítica social. É colunista regular do jornal El Tiempo, escrevendo a coluna “Cambalache”, e da seção de humor “Postre de Notas” da revista Carrusel, do mesmo jornal. Contribuiu para publicações como El Malpensante, Semana e Gatopardo, e foi roteirista do popular programa de comédia Dejemonos de vainas nas décadas de 1980 e 1990. Ele também escreveu prólogos para diversas obras literárias, incluindo Los caballeros las prefieren brutas, de Isabella Santodomingo. Colaborador do grupo de comédia argentino Les Luthiers.
Ainda segundo especialistas, Filhos ‘secretos’, amores proibidos e outras histórias não contadas — ou esquecidas — da biografia de filósofos, cientistas e chefes de Estado são substrato da obra “Insólitas Parejas: Doce Historias Auténticas de Enamorados Famosos” (Casais Insólitos: Doze Histórias Verdadeiras de Apaixonados Famosos, em tradução livre), do autor. Apresentado no Hay Festival Cartagena, na Colômbia, o livro traz relatos de amor, trapaças e revelações que poderiam estar na ficcção, mas aconteceram na vida real. Uma delas?
Karl Marx e Frederick – O pai do socialismo científico e do comunismo moderno levou um grande segredo para o túmulo, que só foi revelado anos depois de sua morte, em 1883: um filho fora do casamento. A mãe da criança, como conta Samper Pizano, era a mulher que ajudava Marx e sua esposa, Jenny von Westphalen, nas tarefas domésticas — Helena Demuth, também conhecida como Lenchen. O intelectual não apenas escondeu o filho extraconjugal, mas convenceu Friedrich Engels — com quem escreveu o Manifesto Comunista — a assumir a paternidade da criança. Frederick nasceu em 1851 e foi inicialmente dado por Lenchen a uma outra família. A história muda quando Marx escreve para Engels: “Devo revelar-lhe um mistério tragicômico: como conta Saul Padover em Karl Marx: an Intimate Biography (Karl Marx: Uma Biografia Íntima, em tradução livre). O “mistério” era, na verdade um pedido. Para tentar salvar o casamento com Jenny, com quem teve 7 filhos, Marx pediu ao amigo, então solteiro, que se declarasse pai do bebê. O que Engels eventualmente fez. “Engels deve ter pensado: se eu não fizer isso, a situação pode acabar com a família de Marx. E Engels gostava muito da família, além de considerar Marx como um irmão”, diz o escritor colombiano. Lenchen não era exatamente empregada doméstica, mas uma espécie de governanta — e alguém bem próximo à família. “Prova disso é que ela continuou trabalhando na obra de Marx e ajudando Engels a reunir seus escritos depois que ele morreu”, afirma o jornalista. Toda a história permaneceu em segredo por pelo menos quatro décadas e foi revelada apenas após a morte do intelectual e de sua esposa. Foi Engels, em seu leito de morte, quem a contou, para Eleanor Marx, uma das filhas do casal, como detalhou o jornal The New York Times em um artigo de 1983. Acredita-se que Marx nunca tenha conhecido o filho — e que Frederick nunca tenha sabido quem era seu verdadeiro pai.
Vale conferir.
Professora Universitária*





