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Um presente de Natal para Ribeirão Preto

Maurílio Biagi Filho*
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O anúncio do investimento de R$ 1,1 bilhão do programa Avançar Cidades, do Ministério das Cidades, destinado a Ribeirão Preto, chega como um daqueles presentes que não cabem debaixo da árvore, mas que impactam diretamente a vida de toda a cidade. Em um período simbólico como o Natal, a notícia ganha ainda mais significado: trata-se de um gesto concreto de olhar para o coletivo, para o desenvolvimento urbano e para o futuro.

Mais do que o valor expressivo, considerado o maior investimento já anunciado para o município, merece destaque o caminho que levou até essa conquista. O resultado só foi possível graças à união de forças entre deputados locais, Executivo municipal e governo federal, colocando diferenças políticas de lado em favor de um objetivo comum: o crescimento de Ribeirão Preto. Quando o diálogo prevalece, quem ganha é a população.

O Natal nos convida exatamente a isso: cooperação, empatia e capacidade de enxergar além dos interesses individuais. Ver representantes de diferentes esferas trabalhando juntos reforça a ideia de que a boa política é aquela que pensa no todo, e não apenas em grupos, partidos ou correntes ideológicas. Também é importante reconhecer a postura republicana do governo federal e a transparência do prefeito Ricardo Silva, ao agradecer publicamente o presidente. Um governante deve exercer seu mandato administrando para todos os cidadãos, independentemente de alinhamentos políticos. Investimentos estruturantes em cidades como Ribeirão Preto fortalecem o país como um todo e demonstram maturidade institucional.

Ao mesmo tempo, é fundamental que esse anúncio venha acompanhado de responsabilidade na execução. A expectativa da sociedade é de que os recursos cheguem nas datas previstas, que as obras avancem conforme o cronograma e, sobretudo, que sejam concluídas com qualidade. Grandes investimentos exigem planejamento, fiscalização rigorosa e compromisso permanente com o interesse público. Compromisso esse que tem que ser continuado, mesmo quando o governante de plantão mude.

Para isso precisa de muito planejamento e que os projetos não fiquem só no papel e nas promessas. Ribeirão Preto já viveu experiências frustrantes nesse campo, como o caso da Avenida Álvaro de Lima, na Vila Virgínia, cuja urbanização segue inconclusa há mais de 40 anos, gerando transtornos à população, como bem lembrou o empresário Tarcísio Corrêa de Melo, diretor da ACIRP, recente artigo publicado no Tribuna Ribeirão. A ACIRP, por meio do Projeto ACI Requalifica, está mais uma vez colaborando com um relatório de diagnóstico e propostas de melhoria no entorno.

Outras entidades constituídas, como o Ribeirão 2030, por exemplo, também já deram suas contribuições para melhoria da cidade, mas na maioria das vezes essas inciativas não vingaram e foram engavetadas pelo poder público. Esse tipo de situação não pode se repetir.
Com ruas e avenidas modernizadas, corredores de ônibus e melhorias na mobilidade urbana, Ribeirão Preto tem a oportunidade de dar um salto importante em qualidade de vida.

Não por acaso, a cidade vem sendo destacada em rankings nacionais que avaliam as melhores cidades para se viver, levando em conta fatores como infraestrutura, desenvolvimento econômico e oferta de serviços. Investimentos como esse ajudam a consolidar Ribeirão Preto nesse cenário, tornando-a ainda mais atrativa para moradores, empreendedores e novos investimentos.

E tomo a liberdade, em clima de brincadeira, mas nem tanto, de deixar uma sugestão que dialoga diretamente com o futuro da mobilidade urbana: que tal o próximo presente para Ribeirão Preto ser uma frota de ônibus movidos a biometano? Mais do que um gesto simbólico, trata-se de uma solução concreta, viável e profundamente conectada à vocação econômica e ambiental da nossa região.

Ribeirão Preto está inserida no coração do agronegócio e da bioenergia brasileira. Aqui, a produção de biometano, combustível renovável obtido a partir de resíduos orgânicos da agroindústria, já é realidade e representa uma das fronteiras mais promissoras da transição energética. Utilizá-lo no transporte público significa reduzir drasticamente as emissões de carbono, aproveitar uma cadeia produtiva local já existente, gerar empregos, renda e autonomia energética, além de evitar a dependência de tecnologias importadas, como baterias e insumos de alto custo e difícil descarte ambiental. É descarbonizar o transporte com os pés no chão, usando o que brota da nossa própria terra.

A adoção de ônibus a biometano alia sustentabilidade ambiental, racionalidade econômica e desenvolvimento regional. Diferentemente de soluções que exigem grandes investimentos em infraestrutura nova e endividamento público, o biometano permite aproveitar redes de abastecimento já conhecidas, com menor custo operacional e maior previsibilidade. É inovação, sim, mas uma inovação com identidade brasileira, que respeita a história, o conhecimento acumulado e a vocação produtiva de Ribeirão Preto, reconhecida nacional e internacionalmente como polo de bioenergia.

Que este investimento do governo federal, que me inspirou a escrever esse artigo, sirva de exemplo de que, quando o interesse coletivo vem em primeiro lugar, os resultados aparecem. E que o espírito natalino de união, diálogo, responsabilidade e visão de longo prazo continue presente ao longo de todo o ano na política, na gestão pública, na vida em comunidade e também nas nossas famílias.

*Empresário e Presidente do Conselho da Holding da Maubisa

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