Por: Adalberto Luque
O ano de 2026 começou, como todos, com um feriado. A questão é que ainda restam outros 15, sejam eles municipais, estaduais ou federal. No total, entre finais de semana, dias de feriado e dias emendados, o calendário pode ter 36% menos dias úteis. 365 dias, 132 são finais de semana, feriados e dias emendados, restando 233 dias úteis de fato.
Para Christian Urbano, CEO da Family Turismo, o calendário de feriados de 2026 é considerado dos mais favoráveis nos últimos anos para o setor de turismo. Com diversas datas próximas aos fins de semana, esse ano criará condições ideais para viagens curtas, escapadas prolongadas e um planejamento mais eficiente por parte de viajantes.
“Esse cenário impacta diretamente o mercado turístico, que passa a ter uma demanda mais distribuída ao longo do ano. Para agências de viagem, os feriados bem posicionados reduzem a sazonalidade, aumentam a previsibilidade das vendas e permitem uma organização mais estratégica das operações”, explica Urbano.

E o que para alguns é um número excessivo de dias parados, impactando no faturamento de muitas empresas, para a Family Turismo é oportunidade de prosperar. Com mais negócios.
“O calendário já vem sendo tratado como um fator-chave de crescimento. A agência se antecipou e estruturou seus pacotes, logística e parcerias pensando na alta procura esperada para 2026. A preparação inclui definição prévia de roteiros, negociação com fornecedores e condições de pagamento planejadas para atender diferentes perfis de clientes”, explica.
O CEO e sua esposa e sócia na empresa, Kátia Cuter, entendem que a antecipação, feita durante todo o ano de 2025, será fundamental para garantir qualidade no atendimento e melhores experiências aos viajantes. “Além disso, os feriados favorecem viagens mais completas, o que amplia o consumo de serviços turísticos e fortalece toda a cadeia do setor. Com planejamento e organização, os feriados de 2026 deixam de ser apenas datas no calendário e se tornam oportunidades concretas de crescimento para o turismo e para empresas que apostam na preparação antecipada”, conclui.
Setores como bares e restaurantes também acreditam em crescimento com as datas que, em 2026, se encaixaram em dias que possibilitam um número maior de dias parados para quem tem a oportunidade de descansar no feriado.
Impacto direto
Para Paulo César Garcia Lopes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (SINCOVARP) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Ribeirão Preto, quando o assunto é feriado, todos pensam em descanso e isso é legítimo.
“O problema é que, para o comércio, muitos feriados no meio da semana geram impacto direto na atividade econômica. Sim, existe uma estimativa de retração nas atividades comerciais por conta do excesso de feriados, especialmente aqueles que quebram a semana de trabalho e reduzem o movimento nas lojas”, adianta.

Lopes diz que é importante explicar que isso não significa que o brasileiro parou de consumir, nem que o dinheiro sumiu. “O que acontece é uma perda de dias úteis de venda. A loja abre menos, o fluxo de pessoas cai, o consumidor adia a compra ou simplesmente deixa de fazer aquela compra por impulso. Parte até pode ser recuperada depois, mas uma parcela se perde definitivamente”, aduz.
Estudos das entidades do comércio mostram que esse impacto gira, em média, entre 1% e 2% do faturamento anual do varejo, dependendo do setor e da região. Em anos com calendário mais equilibrado, como foi 2024, essa estimativa ficou mais próxima de 0,8% a 1%. Já em anos com mais feriados caindo em dias úteis, como é o cenário para 2026, essa perda sobe para algo em torno de 1,3% a 1,8%. “Pode parecer pouco, mas estamos falando de bilhões de reais a menos circulando na economia.”
Nem todos os setores são afetados
De acordo com o dirigente do SINCOVARP e CDL, nem todos os setores sentem o impacto igualmente. Ele cita que o comércio de rua, lojas de vestuário, calçados, móveis e eletrodomésticos, entre outros, são os mais afetados.
“Já setores ligados a lazer, turismo e alimentação, por exemplo, podem até ter algum ganho em feriados prolongados. Por isso, quando falamos em impacto, estamos olhando principalmente para o varejo tradicional, que depende do fluxo diário de consumidores.”
Lopes entende que, trazendo essa situação para a realidade de Ribeirão Preto, o efeito é bem parecido, mas com algumas particularidades. Por ser polo regional, a cidade recebe consumidores de várias cidades vizinhas e tem um comércio muito dependente do movimento diário.
“As projeções do CPV (Centro de Pesquisas do Varejo), mantido pelo SINCOVARP e pela CDL RP, indicam que o excesso de feriados pode representar uma redução entre 1% e 1,5% no faturamento anual do comércio local, o que, em valores absolutos, significa dezenas ou até centenas de milhões de reais a menos girando na economia local ao longo do ano. Para o pequeno e médio comerciante, isso pesa bastante até porque os custos continuam os mesmos: aluguel, folha de pagamento, impostos e contas para pagar”, analisa.
O presidente das entidades de representatividade do comércio entende que o feriado é importante para a sociedade. “Mas quando ele é excessivo e mal distribuído, acaba gerando um efeito colateral claro no comércio: menos dias de venda, menos movimento e menos faturamento. Por isso, defendemos o equilíbrio e o planejamento, para que o descanso do trabalhador não se transforme em dificuldade para quem gera emprego e renda.”
Outro ponto que preocupa SINCOVARP e CDL é que feriados prolongados afetam entregas de estoque, transportes de mercadoria e até a produção industrial. “Centros de distribuição reduzem operações, fábricas param ou desaceleram e isso gera atraso no abastecimento das lojas e na entrega de produtos vendidos, inclusive no e-commerce.”
Projetos
O grande número de feriados que geram emendas em dias úteis e acabam prejudicando a rotina de vendas de setores do comércio chegou ao Congresso Nacional. Existe um projeto de lei no Senado (PLS 389/2016), que propõe antecipar para segundas-feiras os feriados nacionais que caírem de terça-feira a sexta-feira. “Justamente para evitar feriadões no meio da semana. Ele já foi aprovado em comissão e segue para a Câmara dos Deputados para prosseguir a tramitação, mas ainda não virou lei”, observa.
Além disso, na Câmara dos Deputados tramita outra proposta semelhante (PL 3797/2019) com o mesmo objetivo de reduzir o impacto de feriados em dias úteis, mas essa foi rejeitada em uma das comissões e ainda não avançou para virar lei.
“Do ponto de vista do SINCOVARP e da CDL RP, essa ideia de organizar melhor o calendário para diminuir a quebra de dias úteis é positiva porque pode reduzir prejuízos ao comércio. É buscar um equilíbrio melhor da vida social com a necessidade de mais dias úteis para manter a economia girando, em especial para o Comércio Varejista”, conclui Lopes.
Mudança no perfil
Motorista por aplicativo há vários anos, Henrique Gouvêa não sente mudanças drásticas em seu trabalho, mesmo com feriados. Ele atende aos passageiros de segunda a sexta-feira, das 05h00 às 16h00 rigorosamente. Segundo ele, chova ou faça sol. Seja dia útil ou feriado.

“Tenho minha rotina, independente de ser feriado”, explica. E ele não sente mudanças drásticas. Pelo menos em termos de faturamento. O que muda é o perfil de seus passageiros.
Gouvêa admite que quem entra no seu carro por aplicativo nos dias úteis é um tipo de passageiro. “Normalmente é quem vai trabalhar, vai para a rodoviária, ao aeroporto, à farmácia, a uma consulta médica. Principalmente nas primeiras corridas, até as 08h00”, analisa.
Já nos feriados, ele percebe que quem entra no seu carro nas primeiras viagens são pessoas saindo de bares, baladas e festas. “Isso vai até as 07h00, geralmente. Depois começam as corridas normais. Mas no meu caso, tanto faz ser feriado ou dia útil. Vou trabalhar do mesmo jeito. A não ser quando viajo para aproveitar um feriado. Mas isso é outra história, deixo de ser motorista por aplicativo e viro cidadão comum”, diverte-se Gouvêa.
Setor de beleza sente
Moradora em Batatais, Adriana Sousa é dona de um salão de belezas na rua Humaitá, Santa Cruz do José Jacques, zona Sul de Ribeirão Preto. Atende suas clientes como cabeleireira e manicure de quarta-feira a sábado. Se tem um feriado, até abre normalmente o salão, mas o faturamento tem queda.

“Acaba sendo muito custoso voltar para Batatais quando, por exemplo, o feriado é numa quinta-feira. Venho para Ribeirão Preto porque tenho sempre clientes fixas, todas as semanas. Se tem feriado, para voltar a Batatais, vou gastar R$ 40 ida e volta. O problema, além do custo, é que o horário dos ônibus, tanto urbanos, quanto intermunicipais, são reduzidos. Minha viagem, que normalmente leva até uma hora e meia, pode demorar mais de duas horas e meia cada trecho, durante o feriado”, explica. Voltar para casa no meio do feriado e regressar depois da folga acaba sendo inviável para ela.
Adriana conta que já aconteceu de não conseguir embarcar para Batatais a tempo por conta de feriados. “Os ônibus de lá são programados em função de Ribeirão Preto. Se é feriado municipal aqui, interfere nos horários de lá”, acrescenta.
Para Adriana, com os feriados, sobretudo os prolongados, seu faturamento fica prejudicado. “Muitas clientes viajam e chego a ter uma queda de 40% no meu faturamento. Enquanto isso aluguel, energia elétrica e impostos seguem normais. No fim do mês, a conta não fecha”, lamenta.
Confira os feriados de 2026 em Ribeirão Preto
- 1/1 – quinta-feira: Confraternização Universal;
- 20/1 (municipal) – terça-feira: Dia de São Sebastião, Padroeiro de Ribeirão Preto;
- 16/2 – segunda-feira: Carnaval (ponto facultativo);
- 17/2 – terça-feira: Carnaval (ponto facultativo);
- 3/4 – sexta-feira: Paixão de Cristo;
- 21/4 – terça-feira: Tiradentes;
- 1/5 – sexta-feira: Dia do Trabalho;
- 4/6 – quinta-feira: Corpus Christi (ponto facultativo);
- 19/6 (municipal) – sexta-feira: Aniversário de Ribeirão Preto;
- 9/7 – quinta-feira: Dia da Revolução Constitucionalista de 32;
- 7/9 – segunda-feira: Independência do Brasil;
- 12/10 – segunda-feira: Nossa Sra. Aparecida, Padroeira do Brasil;
- 2/11 – segunda-feira: Finados;
- 15/11 – domingo: Proclamação da República;
- 20/11 – sexta-feira: Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra;
- 25/12 – sexta-feira: Natal.

