Sérgio Roxo da Fonseca *
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Taís Roxo Fonseca *
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No período histórico que cerca o fim da monarquia a o início da República brasileira, surgiram em São Paulo extraordinários políticos que lutaram firmemente pela implantação de um regime democrático. Entre eles figurou com proeminência o advogado piracicabano Prudente de Morais por Campos Sales e Rodrigues Alves. Lutaram firmemente por uma pátria tão jurídica como democrática.
Neste período, surgiu na França um grupo de intelectuais que implantaram um cenáculo para promover o aparecimento de uma sociedade, até hoje existente, com a finalidade de livremente debater e implantar regras para a promoção de um Estado tão jurídico quanto democrático. Eram 40 membros. O grupo batizou o cenáculo com o nome de “Academia Francesa de Letras”.
É escusado dizer que quase imediatamente após várias academias foram criadas tanto na França como no mundo. É possível examinar os fatos, levando em consideração que a Academia criada no Rio de Janeiro caminhou pelos passos abertos pela sua irmã francesa. Diz a história que no Rio de Janeiro, escritor Machado de Assis pretendeu casar-se com a portuguesa Carolina, irmã do poeta Faustino Xavier de Moraes que faleceu em1869.
A família da intelectual Carolina se opôs ao casamento argumentando que o noivo brasileiro era mulato e apresentava alguma dificuldade mental. Ultrapassando os obstáculos, Machado e Carolina casaram-se em 1869. Não tiveram filhos, mas criaram dois cães de estimação, Graziela e Zero. Em 1881, Machado de Assis publicou o ,livro “Memória Póstumas de Brás Cubas” que não teve, na época, nenhuma repercussão. O autor passou dez anos sem publicar livros.
Machado de Assis e Joaquim Nabuco trabalharam firmemente pela firmeza das instituições jurídicas e sociais. Inclinavam-se mais pela Monarquia do que pela República. Joaquim Nabuco cursou o colégio Pedro II para depois formar-se na Faculdade de Direito. posteriormente foi eleito deputado. Machado de Assis e Joaquim Nabuco trabalharam pela abolição dos escravos e abriram as portas para a instituição da Academia de Letras do Rio de Janeiro.
Machado foi seu primeiro presidente. É de Machado e frase inesquecível; “Não importa a liberdade, antes confusa que nenhuma (…) A verdade não é surda-muda, nem paralítica. Ela fala, ela bate nas mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive da vida. Se eu na galeria não posso dar um berro, onde é que hei de dar? Na rua feito maluco?”.
Foi assim criada a “Revista Brasileira” de José Veríssimo que foi a antessala da Academia Brasileira de Letras, a primeira sediada no Rio de Janeiro, reunindo os intelectuais mais destacados da cultura brasileira. Passaram por lá: Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Sílvio Romero, Graça Aranha, Capistrano de Abreu, José do Patrocínio, Inglês de Souza, Olavo Bilac e Rodrigo Otávio.
O inesquecível Machado de Assis foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, sediada no Rio de Janeiro. O perfeitíssimo livro de Luiz Felipe D´Ávila, “Os Virtuosos – Estadistas que Fundaram a República Brasileira –“ coleciona as mais perfeitas informações.
* Advogado, professor livre docente aposentado da Unesp, doutor, procurador de Justiça aposentado, e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras
** Advogada

