Por Hugo Luque
A crise política do São Paulo chegou a um momento histórico na noite desta sexta-feira (16), quando o Conselho Deliberativo do clube decidiu aprovar o impeachment do presidente Julio Casares, a partir de agora afastado do cargo de mandatário do clube.
Eleito em 2020 e reeleito em 2023, Casares teve seu afastamento aprovado com 188 votos. Participaram 223 conselheiros, sendo 168 presencialmente e 55 online. Para que o processo de impeachment prosseguisse, eram necessários 171 votos favoráveis.
“O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube realizou nesta sexta-feira (16) o pleito referente aos pedidos de destituição do Presidente da Diretoria Julio Casares. Foram computados 188 votos para aprovar a pauta, contra 45 para rejeitar, além de dois votos em branco”, publicou o clube nas redes sociais.
Agora, uma assembleia de sócios será convocada para os próximos 30 dias. Nela, os participantes definirão se o afastamento será permanente. Com a saída, ao menos por enquanto privisória, de Casares, o vice-presidente do Tricolor, Harry Massis Júnior, assume o posto interinamente.
Clima de Libertadores
Um dia após a vitória do São Paulo por 1 a 0 sobre o São Bernardo, pela segunda rodada do Campeonato Paulista, o Morumbis recebeu um público que cantou e soltou sinalizadores. Não era uma partida de mata-mata de Copa Libertadores, evento tão tradicional no estádio, mas um processo de afastamento cobrado por grande parte da torcida.
Sem falar com repórteres, Casares chegou ao clube no período da tarde. Durante a reunião, ele se defendeu e alegou ser vítima de acusações sem provas. Relatou, ainda, problemas de saúde e ameaças sofridas.
Com a má fase do time dentro de campo, a pressão sobre Casares se tornou insustentável. Membros da situação se afastaram do então presidente, como o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte, enquanto a tímida oposição são-paulina ganhou espaço e voz. Para piorar a situação do mandatário, escândalos vieram à tona nas últimas semanas e o clube se tornou foco de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público.
Após tentativas de alterar a quantidade de votos necessários e do quórum mínimo para a reunião ser validada – inicialmente, o encontro seria totalmente presencial, decisão revertida pela Justiça -, o processo foi iniciado às 20h30. A votação ocorreu majoritariamente via link, de forma virtual, e alguns dos conselheiros tiveram dificuldades para votar, segundo relatos.
Mesmo com muita chuva e o passar das horas, a torcida permaneceu em frente ao portão. O número mínimo de presença de conselheiros, 191, foi batido, e por volta das 22h30, foi oficializado o afastamento de Julio Casares.

