Luiz Paulo Tupynambá*
Blog: www.tupyweb.com.br
Já ouvimos conselhos de avós e pais do tipo “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Significa que todos devemos ter muito cuidado diante de escolhas difíceis em momentos importantes da vida. Outro ditado clássico é “vira-lata não se mete em briga de cachorro grande”, um bom conselho para governantes e povos de países que tem capacidade militar limitada diante dos senhores da guerra do mundo. Muito se discute nas redes sociais sobre “quem ganha a guerra de quem” num confronto militar entre EUA e China. Na minha modesta opinião de vira-lata latino-americano, é muita saliva gasta à toa. Decisões sobre guerra e conflitos não passam pelo terreiro onde marrecos, perus, galinhas e outros bípedes grasnam e cacarejam opiniões descabidas. Esse tipo de decisão é tomada nos escritórios ou nos campos de golfe dos poderosos, onde os donos do “dinheiro real” se reúnem.
Antes de mais nada é preciso pelo menos atentar para algumas informações históricas e políticas de cada um desses países. É necessário também observar como suas forças armadas estão estruturadas, sua capacidade de intervenção e ocupação de territórios, capacidade de reestruturar e drenar os recursos do território conquistado. Sem ocupar o território inimigo, não tem guerra ganha. “Boots on the ground”, como dizem “los gringos”.
Uma comparação superficial entre as forças armadas da China e dos EUA, mostra claramente que a força militar chinesa está, pelo menos por enquanto, destinada à defesa do seu território. Não demonstra ter intenção de ataque e invasão em futuro próximo. Mesmo tendo alguns números maiores que os dos Estados Unidos, em termos de tropas terrestres e tanques, o posicionamento estratégico atual das forças na região e a composição dessas forças, demonstra com clareza a preocupação defensiva dos chineses e a disposição ofensiva dos estadunidenses. E claro, a força nuclear do Tio Sam é muito maior que a do camarada Xi. Os chineses estão numa fase inicial da construção e aperfeiçoamento das tecnologias dos porta-aviões e das aeronaves furtivas. Já os estadunidenses têm isso desenvolvido e implantado há décadas.
Os Estados Unidos dominam os mares com suas várias Frotas Navais, são oito no total, incluindo uma Frota do Ciberespaço. São 470 navios de combate, com destróieres, submarinos nucleares e navios anfíbios, além de uma grande frota de porta-aviões nucleares. As frotas são disponibilizadas por regiões específicas ao redor do planeta, permitindo projeção de força globalmente, sempre com mísseis nucleares. O apoio às frotas conta com bases para reabastecimento que cobre todo o planeta. É a espinha dorsal do poder do seu império militar. Estima-se mais de 750 bases espalhadas pelos continentes. No Pacífico e no Índico, além do “colar” de bases que vão da Coreia do Sul até as Filipinas, que cerca a saída chinesa para o mar, existem bases conhecidas como “lilly pads”, pequenas bases “portáteis”, localizadas no Mar da China e nas Filipinas. Uma resposta à construção das “bases-ilha” pelos chineses na mesma região.
O poder da força ali é da Sétima Frota da marinha estadunidense. O número de marinheiros e fuzileiros navais designados chega a 27.000. Sua frota varia de 50 a 70 navios, entre os de combate e os de apoio logístico. Seu porta-aviões nuclear, ou navio líder da frota, pode ser o USS George Washington ou USS Abraham Lincoln, ambos da classe Nimitz, a mais poderosa já construída. Dotado de mais de 90 aeronaves, sendo 70 delas de combate. Inclui caças de ataque, bombardeiros leves e mísseis de alcance médio. Assim pode atingir alvos de Hong Kong ao Tibete. A frota de apoio tem submarinos e destróieres.
A frota chinesa na região não chega perto disso, mesmo com seus dois novos porta-aviões. Dizer que há equilíbrio militar na região é forçar a barra. A China está na fase “caldo de galinha” e não vai arriscar uma guerra que pode ser suicida. Já os Estados Unidos, quem pode adivinhar o que sai daquelas cabeças atrapalhadas e inconsequentes? Sei não, adivinhe quem quiser.
* Jornalista e fotógrafo de rua

