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Autonomia com quatro patas

Fernanda Reis a sua nova companheira Isa, uma cadela da raça labrador | Divulgação

Fernanda Reis convive com limitações desde que nasceu. A jovem de 23 anos, moradora de Ribeirão Preto, tem Síndrome de Wolfram — uma doença neurodegenerativa e progressiva que afeta os sistemas nervoso e endócrino. Como resultado, ela desenvolveu diabetes tipo 1 e, aos 13 anos, sua visão começou a declinar, restando apenas 10% da capacidade de enxergar.

Ainda assim, Fernanda se define como uma jovem sonhadora e ativa. Formada em marketing, ela faz aulas de violão, natação e academia, além de atuar no voluntariado para conscientizar as pessoas sobre a doença.

Com a evolução da síndrome, Fernanda aprendeu a se locomover com a bengala, mas sonhava com mais autonomia. Recentemente, esse desejo ganhou forma — e nome: Isa, uma cadela da raça labrador, de três anos e meio, que chegou para se tornar o cão-guia de Fernanda.

Isa é um dos mais de cem cães treinados pelo Instituto Adimax — considerado o maior centro de treinamento de cães-guia da América Latina — e o primeiro cão entregue pelo Instituto na cidade de Ribeirão Preto.

Além de auxiliar na locomoção, o cão-guia pode oferecer suporte emocional e ampliar a sensação de segurança em ambientes públicos | Divulgação

“Passamos por um processo de adaptação, em que fui acompanhada por um instrutor do instituto e, agora, estamos aqui construindo esse relacionamento. A Isa parece que, desde o início, entendia que aquilo era muito importante para mim”, revela Fernanda.

Guiar desviando de obstáculos e perigos é o cerne do treinamento de um cão-guia. Ele se torna os “olhos” da pessoa com deficiência visual, já que o mundo para quem não enxerga pode parecer cheio de barreiras — com calçadas irregulares, falta de acessibilidade e pessoas desatentas.

Fernanda conhece bem esse cenário: “Para mim, a maior dificuldade sempre foi a falta de empatia, de acessibilidade, de apoio”.

Além de auxiliar na locomoção, o cão-guia pode oferecer suporte emocional e ampliar a sensação de segurança em ambientes públicos. “Nosso propósito é que a pessoa com deficiência tenha a possibilidade de uma vida plena, com mais segurança e autonomia”, reforça Moises Vieira, instrutor responsável pelo treinamento da dupla Isa e Fernanda.

E, apesar da parceria recente, o impacto já é notável. “A vida de uma pessoa com deficiência às vezes desperta dó, pena. Tinha gente que olhava para mim — que sou jovem — e tinha esse sentimento. Quase ninguém conversava comigo, mas agora, com a Isa, sou parada o tempo todo. A Isa tem sido mais que meus olhos: ela é uma ponte que me conecta com as pessoas”, afirma Fernanda.

 

Sobre o Instituto Adimax

Localizado em Salto de Pirapora (SP), o Instituto Adimax conta com uma estrutura de 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, hotel para receber futuros usuários de cães-guias, clínica veterinária, centro cirúrgico, áreas de lazer e treinamento, além de prédio administrativo.

O propósito do Instituto é apoiar a inclusão de pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade e o bem-estar animal.

Antes de chegarem ao seu destino, os cães são acolhidos por famílias voluntárias, onde ficam por aproximadamente um ano. O papel dos socializadores é expor os animais a diferentes situações do cotidiano, promovendo desenvolvimento e adaptação à rotina — além de oferecer tempo, cuidado e convivência. Depois desse período, os cães retornam ao instituto e passam de quatro a seis meses em treinamento. Após formados, podem ser doados para iniciar a missão: transformar a vida de pessoas com deficiência visual.

A entrega do cão-guia é feita de forma totalmente gratuita aos candidatos que preencham os requisitos do programa. A inscrição é realizada no site do Instituto Adimax.

 

Deficiência visual atinge milhões no Brasil e milhares em RP

De acordo com o Censo Demográfico 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência (7,3% da população de 2 anos ou mais). Dentro desse universo, a dificuldade de enxergar foi a mais frequente: 7,9 milhões de pessoas relataram dificuldade visual mesmo usando óculos ou lentes.

Em Ribeirão Preto, o portal Cidades@ (IBGE) indica que 5,8% das pessoas de 2 anos ou mais no município tinham alguma deficiência (indicador do panorama do Censo 2022). Considerando a população recenseada de 698.642 habitantes (Censo 2022), isso representa uma estimativa aproximada de cerca de 40,5 mil pessoas — lembrando que o percentual se refere especificamente ao recorte de 2 anos ou mais. Em 2021, a Prefeitura de Ribeirão Preto, também com base do IBGE, estimativa que a cidade tinha 48.928 pessoas com deficiência no município.

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