Por Hugo Luque
O Botafogo enfrenta o Red Bull Bragantino neste domingo (18), às 18h15, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP), pela terceira rodada do Campeonato Paulista. Apesar de invicto, o Pantera ainda busca sua primeira vitória na competição.
Nos dois primeiros compromissos, o time comandado por Claudio Tencati empatou em 0 a 0 com o Velo Clube, fora de casa, e em 1 a 1 com o Noroeste, no Estádio Santa Cruz/Arena Nicnet, em confronto marcado por muita chuva. No duelo com o Norusca, a vitória ficou próxima quando o Tricolor saiu na frente com Leandro Maciel, mas os visitantes conseguiram igualar no segundo tempo. Para o técnico, no entanto, sua equipe merecia os três pontos.

“Temos pontos positivos e negativos após essa segunda rodada. O que a gente pode dizer é a perda dos dois pontos que a gente teve. A gente reconhece isso. Tínhamos a vitória na mão e deixamos escapar. Lutamos muito para que acontecesse, mas não deu. (…) Eles tiveram mais chutes e alguns lances a mais, mas se olhar a proporção de defesas do goleiro adversário para o nosso, ficou muito equilibrado. Poderíamos ter saído com a vitória e ampliado o placar depois [do empate] para 2 a 1.”
“Tivemos duas chances, inclusive uma mais clara com o [Henrique] Teles, na qual o goleiro abafou e tirou a finalização dele. Uma pena o resultado, mas temos de entender que esses dois pontos perdidos nós teremos de buscar em algum lugar. Sabemos que ficamos em dívida em casa, a respeito de metas, e agora é correr atrás do prejuízo”, analisou.
Em uma competição de tiro curto, com apenas oito jogos na primeira fase, todo ponto conta, especialmente aqueles disputados em Ribeirão Preto. Agora, pela lógica do débito mencionado por Tencati, o objetivo é bater o forte Bragantino longe dos domínios botafoguenses.
“Contra o Red Bull Bragantino, vamos nos organizar, porque é o mais importante. Por que não pensar em um grande resultado lá? Temos de pensar positivo. Sei que sempre vai bater para o torcedor a negatividade, os anos anteriores e o sofrimento que passou. Eu entendo tudo isso, mas o nosso papel é passar tranquilidade e otimismo, e é o que vamos fazer jogo a jogo.”
Sem desespero
O Bota abriu a terceira rodada do estadual na 12ª colocação, com dois pontos, sendo um entre apenas cinco times invictos na competição. Fora da zona de rebaixamento, mas também do G-8, que garante classificação ao mata-mata, o treinador aposta na organização coletiva para manter a filosofia de futebol ofensivo e domínio das ações para alcançar os objetivos tricolores. Independentemente de quem marcar o primeiro gol, a calma deve prevalecer.
“Não podemos negar o empenho dos atletas e a dedicação deles. É uma competição extremamente curta e exigente, disse isso para eles, mas não podemos esquecer de movimentos, da equipe e do que a gente produziu num gramado pesado [contra o Noroeste]. Vai entrar a mentalidade, que vamos trabalhar pouco a pouco. Por exemplo: se começar ganhando o jogo, não mude o comportamento. Um dos componentes que tenho dito para eles é não perder a concentração”, disse.
Para manter a intensidade nos setores do campo mais próximos do gol, Tencati iniciou sua trajetória no clube com um meio de campo leve, ágil e com qualidade de passe. A principal diferença tem sido o primeiro volante.
Na última temporada, o torcedor se acostumou a ver atletas mais fortes fisicamente à frente da zaga tricolor. Na versão 2026 do time, porém, é Leandro Maciel quem faz este papel. Camisa 10 até o ano passado, o argentino voltou a jogar como volante, ao lado de Everton Morelli e Rafael Gava. Embora tenha se afastado da meta rival, Maciel destacou a retomada da confiança e aprovou a chegada da nova comissão técnica.
“É um treinador muito bom também. Tem ideias diferentes, com um treinamento muito mais forte. Sem desmerecer ninguém, mas o time anterior (de 2025) tinha outras qualidades. São jogadores diferentes, hoje propomos um pouco mais [o jogo]. É um time novo, temos de aceitar conhecer mais os movimentos e acredito que vai dar certo”, projetou.
Olho no Massa Bruta
O Botafogo terá jogo duro pela frente. Fora de casa, a equipe tenta “roubar” pontos do Red Bull Bragantino, que fechou a segunda rodada na ponta da classificação do Paulistão.
O Massa Bruta soma seis pontos e venceu seus dois confrontos até aqui. Na estreia, derrotou o Noroeste por 1 a 0, fora de casa. Já no meio de semana, superou o Corinthians, em casa, por 3 a 0, com grande atuação do meia Jhon Jhon.

Diferente das primeiras rodadas, nas quais o Pantera encarou adversários mais fortes fisicamente, a expectativa é de um jogo mais técnico e favorável às características dos ribeirão-pretanos neste domingo.
“Eu vivi dois jogos que pareciam o Gauchão, que joguei duas vezes: muita bola longa, direta. (…) Os três meias, os laterais e os atacantes tinham de regular, correndo para trás e para frente com a defesa. Esse cansaço é extenuante”, analisou Tencati.
Para somar a primeira vitória e entrar de vez na briga pela classificação, o Tricolor terá de bater um rival embalado, que ainda não sofreu gols, e lidar com um histórico desfavorável. Em 37 partidas entre os adversários deste fim de semana, o Braga levou a melhor 15 vezes e perdeu 11, enquanto o empate prevaleceu em outras 11 oportunidades.
No único encontro de 2025, porém, o Botafogo encerrou um jejum de quase seis anos sem bater o adversário do interior ao triunfar por 1 a 0, no Santão, com gol de Leandro Maciel. Aquele triunfo foi fundamental para o time, então comandado por Márcio Zanardi, fugir do rebaixamento.
Escalação
Suspenso na rodada anterior, o lateral-esquerdo Gabriel Inocêncio está de volta, mas briga pela titularidade com o jovem Henrique Teles, de apenas 19 anos, que foi bem contra o Noroeste. Por outro lado, Claudio Tencati tem uma dúvida para escalar o 11 inicial: o atacante Hygor.
“Quanto ao Teles, a gente já sabia. Com a ausência do Hygor e do Gabriel, tem sempre um prejuízo, porque você quer sempre tentar manter uma equipe dois ou três jogos para que evolua coletivamente. Mas a gente sabe que, em uma competição curta, teremos problemas, como foi a expulsão do Gabriel no último jogo e a pancada que o Hygor teve e o tirou do jogo com um incômodo. Vamos avaliar a situação dele para o Red Bull Bragantino.”
Diante do Norusca, o substituto do reforço foi outro jovem, o atacante Thalles, de 20 anos. Assim, logo de cara, ficou evidente que a temporada botafoguense terá a participação de promessas da base.
“Tenho certeza de que os meninos da base estão sendo trabalhados sem medo de ser feliz, porque temos confiança. Foi assim com o Teles: tem confiança para colocar, temos de colocar, tem de jogar. Só assim vamos medir se os meninos têm condições de estar no profissional ou não. É um preço que talvez, em algum momento, a gente vai pagar, mas é o projeto do clube”, concluiu.
Patrick Brey, que retornou ao clube na última semana, mas ainda não atuou, vive a expectativa de ser relacionado pela primeira vez, assim como o ponta Kelvin, anunciado na sexta-feira. O zagueiro Wallace, em processo de evolução física, é outra dúvida. Assim, um provável Botafogo tem: Victor Souza; Jonathan, Ericson, Vilar e Gabriel Inocêncio (Henrique Teles); Leandro Maciel, Everton Morelli e Rafael Gava; Jefferson Nem, Thalles (Hygor) e Léo Gamalho.

