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UE suspende acordo 
comercial com os EUA

Getty Images e Reprodução
 Donald Trump disse que desistirá das tarifas aos europeus e negociará acordo sobre a Groenlândia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

O Parlamento Europeu decidiu suspender formalmente o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos nesta quarta-feira, 21 de janeiro. As informações são do The Guardian. A medida foi tomada em reação à ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas de 10% sobre exportações europeias caso o bloco não aceitasse que Washington assumisse o controle da Groenlândia.

Nesta quarta-feira, no entanto, o presidente americano disse que desistirá das tarifas aos europeus e negociará acordo sobre a Groenlândia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em um post em sua rede social Truth Social, Trump disse que a decisão foi tomada após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na qual ambos concordaram com um cronograma para um acordo sobre a ilha.

Segundo o Guardian, a suspensão da ratificação do acordo UE-EUA representou a resposta mais dura da União Europeia até agora ao que líderes europeus classificaram recentemente como chantagem. O presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou na ocasião que não haverá qualquer avanço no processo enquanto persistirem ameaças à Groenlândia.

O acordo prevê uma nova fase de tarifas zero para diversas exportações industriais entre os dois lados do Atlântico. De acordo com Lange, a suspensão não afeta o compromisso da União Europeia de comprar US$ 750 bilhões em energia dos Estados Unidos, por se tratar de um acordo separado do pacote tarifário.

Antes de Trump voltar atrás, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, havia retornado a Bruxelas após discursar no Parlamento Europeu, em vez de seguir para Davos para um encontro com Trump. Ela voltou para preparar uma cúpula de emergência convocada para discutir as opções disponíveis caso a ameaça tarifária americana se concretize, informou o Guardian.

Entre as alternativas que estavam em análise havia a possibilidade de a UE impor tarifas de até € 93 bilhões sobre exportações americanas e acionar um instrumento anticoerção ainda nunca utilizado. No caso dos EUA, poderiam ser aplicadas, por exemplo, tarifas extras sobre produtos americanos e restrições à atuação de companhias americanas em setores específicos do mercado europeu.

A presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, também havia criticado a imposição de tarifas, afirmando que decisão de Trump exigia uma resposta firme e imediata. Iratxe direcionou sua fala ainda à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmando ter alertado sobre as políticas de Trump.

“A Europa tem poder, tem poder econômico, tem poder comercial e político. A questão é se estamos dispostos a usá-lo. Diante das tarifas e das ameaças à Groenlândia, a resposta deve ser imediata e firme. Suspender as negociações do acordo comercial com os Estados Unidos, ativar o instrumento anticoerção e reforçar a presença militar na Groenlândia”, disse na ocasião.

Ilha é cobiçada pelos EUA, que prometem ir até o fim para ter a conquista do local

Líderes – Diversos líderes europeus se pronunciaram sobre a decisão de Donald Trump de recuar das tarifas europeias, bem como as informações de que há um acordo em construção para a Groenlândia. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, saudou, na rede X, o anúncio do presidente americano de suspender a imposição de tarifas, afirmando que a Itália “sempre defendeu, é essencial continuar a promover o diálogo entre as nações aliadas”.

Já o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, acolheu com satisfação o anúncio e pontuou que o dia terminou melhor do que começou. “É um bom sinal que Trump não usará a força”, disse a repórteres, mas alertou que o presidente dos EUA tem “uma ambição que não podemos acomodar”.

“É bom que Trump também tenha recuado das tarifas contra nós, que apoiamos a Dinamarca e a Groenlândia. As exigências de mudança de fronteiras receberam críticas merecidas e severas. É por isso que reiteramos que não nos deixaremos chantagear. Parece que nosso trabalho conjunto com os aliados surtiu efeito”, escreveu no X a ministra de Relações Exteriores sueca, Maria Stenergard.

O vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, pontuou de forma cautelosa que ainda é muito cedo para concluir que a disputa desestabilizadora entre os EUA e a União Europeia chegou ao fim. “Após as idas e vindas dos últimos dias, devemos agora esperar para ver quais acordos substantivos serão alcançados entre Mark Rutte e Trump”, disse Klingbeil à emissora alemã ZDF.

O primeiro-ministro dos Países Baixos, Dick Schoof, também reagiu aos anúncios: “é positivo que agora estejamos no caminho para a desescalada”. Segundo postagem de Schoof no X, é importante que os EUA, Canadá e Europa continuem a trabalhar juntos dentro da Otan para fortalecer a segurança na região do Ártico e combater as ameaças da Rússia e da China.

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