Apesar de as convenções partidárias para a oficialização dos candidatos às próximas eleições só poderem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto deste ano, pelo menos onze políticos de Ribeirão Preto já anunciaram que tentarão uma vaga de deputado, seja federal ou estadual.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e o segundo turno, se houver, para 25 de outubro. Neste ano, os eleitores irão votar para os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
A lista de pré-candidatos por Ribeirão Preto reúne políticos com longa trajetória pública, como o deputado federal Baleia Rossi (MDB). Ele já foi vereador por três mandatos, deputado estadual por três vezes e exerce atualmente seu terceiro mandato como deputado federal. Desde 2019, é presidente nacional do MDB.
Apesar de, em pesquisas recentes, Baleia aparecer entre os cotados à disputa pelo Senado, ele afirmou ao Tribuna Ribeirão que sua prioridade é a pré-candidatura à reeleição para deputado federal.
Outro político que já anunciou pré-candidatura a deputado federal é o ex-prefeito Duarte Nogueira (PSD). Após comandar a cidade por dois mandatos, entre 2017 e 2024, ele tentará retornar à Câmara dos Deputados, onde exerceu três mandatos. Também foi deputado estadual por três períodos e secretário de Estado nos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin.

Quem também anunciou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados é o empresário Marco Aurélio Martins de Sousa (Novo), candidato a prefeito em 2024. Segundo colocado naquele pleito, com 130.734 votos, ele pretende capitalizar o desempenho eleitoral para tentar chegar ao Congresso.
Outro nome na disputa é o empresário Hagara Espresola Ramos, conhecido como Hagara do Pão de Queijo. Suplente de vereador pelo PL, com 2.066 votos em 2024, ele deixou o partido e se filiou ao Avante para concorrer a deputado federal.
Candidatos na região
A região de Ribeirão Preto terá ainda como candidatos à reeleição os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT), de Serra Azul, e Adilson Barroso (PL), de Barrinha.
Chinaglia está em seu oitavo mandato na Câmara dos Deputados, após ter exercido um mandato como deputado estadual. Já Barroso era suplente do PL até o ano passado, quando assumiu o mandato com a cassação de Eduardo Bolsonaro (PL).
O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania), de Altinópolis, afirmou ao Tribuna que ainda não decidiu se tentará a reeleição. Ele está em seu quinto mandato como deputado federal, após quatro mandatos na Assembleia Legislativa.
Candidatos à Assembleia Legislativa
Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado Léo Oliveira (MDB), em seu terceiro mandato consecutivo, tentará a reeleição.

Já o deputado Rafael Silva (PSD), que exerce o sétimo mandato, não deverá concorrer novamente e anunciou aposentadoria da vida pública. Em seu lugar, deve concorrer o filho, Rafael Silva Júnior (PP).
Também devem disputar uma vaga na Alesp os vereadores André Rodini (Novo), Duda Hidalgo (PT), Isaac Antunes (PL) e Perla Muller (PT).
O ex-vereador e ex-secretário municipal de Esportes na gestão Duarte Nogueira, André Trindade (União), também anunciou pré-candidatura.
Presidente do TSE alerta para riscos da desinformação
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, alertou nesta semana para o crescimento da desinformação com a aproximação das eleições de 2026.
Segundo ela, conteúdos maliciosos têm sido usados para gerar descrédito e “capturar a vontade livre do eleitor”.
“As tecnologias não são más em si. O problema é o mau uso para provocar danos”, afirmou.
A ministra defendeu que as eleições devem garantir liberdade de escolha, sem pressões externas ou ataques à autonomia do eleitor. Ela também pregou tranquilidade e equilíbrio no combate à desinformação.
Cármen Lúcia comanda a Justiça Eleitoral até agosto, quando o ministro Nunes Marques deverá assumir a presidência do tribunal.
TSE propõe novas regras e recebeu sugestões sobre eleições de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou em meados de janeiro 12 minutas com propostas de alterações nas regras para as Eleições 2026. As mudanças tratam de calendário eleitoral, manifestações na pré-campanha, pesquisas eleitorais, critérios para distribuição de recursos eleitorais e responsabilidade pela remoção de conteúdos digitais com ataques ao processo eleitoral, entre outros temas.

O TSE também recebeu sugestões. Qualquer cidadão ou entidade que quisesse opinar sobre as regras para as Eleições 2026 poderiam usar um formulário eletrônico para enviar contribuições. As sugestões foram recebidas até 30 de janeiro.
Agora, o TSE deverá selecionar as melhores propostas para serem apresentadas em uma série de audiências públicas marcadas entre os dias 3 e 5 de fevereiro. Pela Lei das Eleições, o plenário do TSE tem até 5 de março do ano eleitoral para debater e aprovar todas as normas.
Redes sociais e IA
Como de praxe, as minutas de resolução eleitoral foram assinadas pelo vice-presidente do TSE, posto ocupado pelo ministro Nunes Marques.
Entre as principais sugestões está o aumento da responsabilidade das plataformas de redes sociais por conteúdos que promovam ataques ao processo eleitoral. O ministro propôs que as empresas provedoras sejam obrigadas a retirar do ar as publicações mesmo sem autorização judicial.
Pela regra vigente, que valeu para as últimas eleições municipais, os provedores de serviços de redes sociais somente poderiam ser responsabilizados caso descumprissem alguma decisão judicial. Nunes Marques propôs aumentar o rigor contra esse tipo de conteúdo.
O ministro, contudo, deixou inalteradas as regras sobre a utilização de inteligência artificial durante a campanha. Em 2024, o TSE aprovou uma série de normas para o uso de IA na propaganda eleitoral, incluindo a vedação do chamado deep fake ─ conteúdo fabricado em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos e que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia.
Pré-campanha
O ministro também incluiu novas exceções para o comportamento de candidatos na pré-campanha. Ele propôs, por exemplo, liberar as lives em perfis nas redes sociais de pré-candidatos, desde que essas transmissões ao vivo não tenham pedidos de votos ou menções às pré-candidaturas.
Ele também propôs regras mais claras para isentar pessoas naturais por críticas feitas à administração pública atual, mesmo se feita com a contratação de impulsionamento na internet, “desde que ausentes elementos relacionados à disputa eleitoral”, escreveu o ministro.

A proposta assinada por Nunes Marques libera as manifestações espontâneas “em ambientes universitários, escolares, comunitários ou de movimentos sociais, respondendo os responsáveis por eventuais abusos nos termos da lei”. A exceção seria válida somente se a presença do pré-candidato no local ou o evento não tiverem sido financiados, direta ou indiretamente, por pré-candidatas, pré-candidatos, partidos ou federações.
Em relação ao financiamento de campanha, Nunes Marques sugeriu, por exemplo, que os partidos possam alterar os critérios de distribuição dos recursos até o 30 de agosto, desde que a mudança seja justificada. Tais critérios devem ser aprovados pela maioria do diretório nacional das siglas.

