Tribuna Ribeirão
Artigos

Eleições, redes e responsabilidade

Reprodução

A edição deste domingo deste Tribuna Ribeirão traz uma reportagem especial sobre as eleições de 2026 e revela que, em Ribeirão Preto, ao menos 11 pré-candidatos já manifestaram interesse em disputar uma vaga de deputado federal ou estadual. O levantamento mostra que a corrida eleitoral começou antes do calendário oficial e convida o leitor a acompanhar, com atenção, os movimentos políticos dos próximos meses.

Mais do que nomes e articulações, o processo eleitoral será fortemente influenciado pelo ambiente digital. Redes sociais, plataformas de vídeo, aplicativos de mensagens e, cada vez mais, ferramentas de inteligência artificial tornaram-se centrais na disputa pelo voto e, também, terreno fértil para desinformação, ataques e manipulações.

Nesse contexto, o Tribunal Superior Eleitoral discute mudanças nas regras para as eleições. As minutas das resoluções trazem propostas que indicam um endurecimento na relação entre Justiça Eleitoral e plataformas digitais.

Entre os principais pontos está o aumento da responsabilidade das redes sociais por conteúdos que atentem contra o processo eleitoral. Pela proposta, as empresas poderão ser obrigadas a retirar do ar publicações irregulares mesmo sem ordem judicial prévia, sempre que houver indícios de ataques à democracia e à legitimidade das eleições.

A mudança representa uma ruptura com o modelo adotado nas últimas disputas, quando os provedores só eram responsabilizados após decisões judiciais. A nova proposta amplia o rigor e busca conter a propagação de notícias falsas e campanhas coordenadas de desinformação.

Embora necessária, a medida também gera debate. Até que ponto empresas privadas devem decidir o que permanece no ar? Como evitar abusos ou censura indevida? São questões que exigem critérios claros, transparência e fiscalização permanente.

Já no campo da inteligência artificial, o TSE manteve as regras aprovadas em 2024, que proíbem os chamados deep fakes — conteúdos manipulados para simular voz ou imagem de pessoas reais. A decisão mostra cautela, mas também evidencia a dificuldade de acompanhar o avanço rápido dessa tecnologia.

Ferramentas de IA hoje permitem criar vídeos, discursos e imagens altamente realistas. Em campanhas eleitorais, isso pode confundir o eleitor, distorcer fatos e comprometer o debate público.

Enquanto isso, em Ribeirão Preto, os pré-candidatos intensificam sua presença digital e testam estratégias de comunicação. A política local reflete, em escala regional, os mesmos desafios enfrentados nacionalmente.

Por isso, mais do que acompanhar quem serão os candidatos, é fundamental observar como farão campanha e quais práticas adotarão. Transparência, compromisso com a verdade e respeito ao eleitor não podem ser substituídos por estratégias artificiais ou agressivas.

As mudanças propostas pelo TSE são um avanço, mas não resolvem tudo. A defesa da democracia depende também da atuação responsável dos candidatos, da vigilância da sociedade e do jornalismo sério.

Em 2026, o voto continuará sendo o principal instrumento de escolha. Mas ele será disputado, cada vez mais, em telas, algoritmos e redes. Cabe a todos garantir que essa disputa seja justa, limpa e baseada em informação de qualidade.

VEJA TAMBÉM

PSICOLOGIA DA VIDA COTIDIANA (23): GENES E COMPORTAMENTOS

Pedro Ferro

Autismo: riscos da predisposição e desafios para o tratamento

Pedro Ferro

A Colômbia e sua Literatura (62): Maria Mercedes Carranza

Pedro Ferro

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com