Câmara de Brodowski instala CPI para investigar investimentos de R$ 15,1 milhões do Sisprev no Banco Master
Os vereadores da Câmara de Brodowski, na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, vão investigar investimentos de cerca de R$ 15,1 milhões feitos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município (Sisprev) junto ao Banco Master. Na sessão ordinária de segunda-feira, 2 de fevereiro, foram definidos os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será responsável pela apuração.
A CPI terá de apresentar o relatório final em 90 dias, mas o prazo é prorrogável elo mesmo período Renan Valente (Podemos) vai presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito e Marcos Moroti (PSDB) será o relator. O colegiado ainda conta com Marjorie Scozzafave (União Brasil), Samuel Mathaus (Podemos) e Angelo Marcelo Fossa (PSB).
O Banco Master é alvo de uma investigação de fraude bilionária que resultou na sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, devido a graves irregularidades. A Polícia Federal apura a emissão de títulos falsos e manipulação contábil, além de crimes como gestão fraudulenta e organização criminosa.
O pedido de abertura da CPI foi feito por meio do requerimento nº 215/2025, assinado pelos vereadores Artur Pereira Lima (PL), Marcos Moroti (PSDB), Osny Martins (Republicanos) e Roni Eustáquio (PL). De acordo com o documento, um relatório do mês de setembro de 2025, obtido no site do instituto, aponta dois investimentos: um de R$ 11,6 milhões e outro de R$ 3,5 milhões.
“Referidas aplicações levantam questões acerca da segurança, legalidade e regularidade dos investimentos efetuados, cabendo a investigação sobre a forma em que se deu o aporte de valores”, afirmam os parlamentares no documento.
Os integrantes da CPI devem se reunir nos próximos dias para definir um plano de trabalho para oitiva de testemunhas, levantamento de documentos, realização de possíveis perícias, dentre outras ações. O trabalho da comissão pode ser acompanhado por meio da página das comissões temporárias no site da Câmara de Brodowski.
Em nota enviada ao Tribuna, o instituto diz que “as decisões de investimento adotadas pelo Sisprev observaram integralmente a legislação federal aplicável aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), com respaldo técnico, deliberação dos órgãos colegiados competentes e realização em instituições financeiras regularmente autorizadas pelos órgãos reguladores.”
E conclui: “A eventual instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constitui prerrogativa do Poder Legislativo municipal, e o instituto permanece tranquilo e à disposição para prestar os esclarecimentos formais cabíveis nos foros institucionais apropriados, com observância do devido processo legal.”
Outra cidade paulista que investiu dinheiro no Banco Master foi Araras . O Instituto de Previdência Municipal (Araprev) tem R$ 34 milhões aplicados em letra financeira do Banco. Segundo o Araprev, as aplicações foram feitas em 4 de março (R$ 10 milhões), 23 de maio (R$ 14 milhões) e 9 de dezembro (R$ 5 milhões) de 2024, somando R$ 29 milhões. Com os rendimentos contratados, o valor, em outubro, estaria em pouco mais de R$ 34 milhões.
A Operação Compliance Zero detectou suspeitas da emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. Esses títulos teriam sido vendidos ao Banco regional de Brasília (BRB) e, após a fiscalização do Banco Central, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. São investigados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, dentre outros.
A Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As fraudes contra o sistema financeiro investigadas na operação podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. O banco Central também determinou a liquidação extrajudicial do Will Bank em 21 de janeiro.

