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De onde surgiu essa figura – 3

Luiz Paulo Tupynambá *
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Todo homem poderoso tem influências e apoios que o colocam numa posição de preponderância nos momentos mais importantes de suas carreiras e da vida. Para Trump, ressaltam os nomes de seu pai Joseph Trump, que lhe deu, ainda jovem, acesso à herança e o dinheiro para investir; do advogado Roy Cohn, fundamental para que entrasse na turminha dos grandes negócios e fosse apresentado aos políticos certos. E também a lidar com negociações difíceis.

No final de 2003, é apresentado a um cidadão britânico-estadunidense chamado Mark Burnett. Um típico cidadão do mundo, ele veio da Inglaterra com um amigo para tentar a sorte nos EUA. Trabalhou como guarda-costas e babá de famílias ricas em Nova Iorque e Los Angeles. Foi vendedor de camisetas nas praias da Califórnia. Começou sua carreira na TV ao vender a ideia de “O Sobrevivente” que estreou na CBS em 2000 e foi sucesso imediato. Já reconhecido no meio, em 2003, criou o “reality show” “O Aprendiz”. A atração foi oferecida a Donald Trump, que comprou a ideia. No início de 2004 o programa foi lançado em rede nacional pela NBC. Gravado num estúdio montado na Trump Tower, em Manhattan, virou sucesso de audiência e ficou 14 anos no ar. Trump foi o apresentador até 2015.

Burnett criou outros sucessos como o “Shark Tank”, “The Voice” e “A Bíblia”. Em 2015 tornou-se presidente da MGM Worldwide Television. Hoje é adido especial da presidência dos EUA no Reino Unido.

Trump já tinha o que precisava para realizar seu grande objetivo: ser o “The Boss” dos Estados Unidos. Tinha dinheiro, apesar das falências múltiplas. Tinha popularidade, o programa O Aprendiz o tornou conhecido no mundo todo e com fama de grande administrador, coisa que estava longe de ter sido um dia e com certeza não seria daí para frente. Para ele valia a máxima: “produto bem embalado e anunciado vende bem mais que o melhor produto no mercado”. Independentemente do produto, seja ele comestível, de higiene, de saúde ou político.

Em 2015 Trump começou a trabalhar sua candidatura à presidência para o ano seguinte. Apropriou-se do “slogan” da campanha à presidência de Ronald Reagan em 1980, que era “Let’s Make America Great Again”. Abreviou para MAGA e foi o seu mote da campanha de 2016 pelo Partido Republicano. Trump levou o cargo, apesar de ter perdido na votação popular para a Senadora Democrata Hillary Clinton. O sistema eleitoral estadunidense prevê a eleição num colégio eleitoral formado por delegados vindos dos estados. Os estados têm quantidades diferentes de delegados no colégio eleitoral, depende de uma série de regras definidas por cada estado. Antes dele, outros quatro presidentes, foram eleitos assim, mesmo tendo perdido nas urnas. Assumiu em 2016, iniciando um primeiro mandato confuso e marcado por embates no Congresso e nas ruas.

A pandemia causou uma tragédia sem precedentes no país. Segundo o CDC (Centro de Prevenção de Doenças, órgão do governo estadunidense) pereceram 1.197.470 cidadãos, entre 146.585.169 casos confirmados. Os maiores números de doentes e falecidos no mundo. Uma vergonha para a nação mais desenvolvida economicamente. Mas foi, entre todas, a pior abordagem no combate à pandemia. Negacionismo, aversão às vacinas, nenhuma política pública de prevenção obrigatória como uso de máscara e distanciamento pessoal. Essa atitude da presidência (que foi copiada pelo presidente brasileiro da época) foi responsável por essa tragédia. Muita gente parece não se lembrar disso.

Trump foi bom para seus amigos financistas, que não deixaram de faturar alto, mesmo com a recessão mundial. Diminuiu impostos dos ricos e privilegiou as “big techs” e as “grandes irmãs” do petróleo. Tornou-se um dos poucos presidentes que não conseguiu um segundo mandato, perdendo para Joe Biden. Culpou, como corrupto e manipulado, o mesmo sistema eleitoral que usou para vencer. A invasão do Capitólio de 6 de janeiro de 2021 foi uma inacreditável tentativa de golpe naquela que se diz a maior democracia de todas e exemplo para o mundo. Uma vergonha. Semana que vem vamos dar uma repassada nesse primeiro ano de um governo que promete muita confusão até o seu final.

* Jornalista e fotógrafo de rua

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