Yorki Estefan *
@sindusconsp
Recentemente, recebi no SindusCon-SP dirigentes do Senai-SP e do Sesi-SP para uma reunião que reforçou uma percepção importante sobre o futuro do setor: a maioria dos jovens que ingressa na indústria durante ou logo após a conclusão do curso técnico tende a permanecer na atividade.
Não é um detalhe. É um sinal claro de que precisamos focar nesse tema e de que há espaço para avançar. O dado faz parte da pesquisa Transformações no Mundo do Trabalho e Desafios para Atração de Mão de Obra, do Instituto Locomotiva.
Quando o jovem tem acesso, desde cedo, a um vínculo formal, oportunidades reais de aprendizado e uma visão concreta de futuro, a decisão de ficar se fortalece. Programas que combinam trabalho e estudo, como o Jovem Aprendiz, reduzem a barreira da falta de experiência e criam pertencimento.
Outra pesquisa do Senai-SP, que acompanhou formandos de cursos profissionalizantes entre 2022 e 2024, mostra que, considerando todas as áreas, 88% conseguiram emprego em até um ano após a conclusão do curso. Desse total, 69,1% estavam no mercado formal e cerca de 47% atuavam na mesma indústria em que se qualificaram. Entre as áreas que mais absorvem esses profissionais, a Construção Civil lidera, com 84,8% das contratações.
Nesse contexto, a inclusão de jovens aprendizes é fundamental. Facilitar o ingresso a partir dos 16 anos nos canteiros de obras, em atividades seguras e livres de riscos à saúde, amplia o contato precoce com a realidade do setor e ajuda a construir vínculos duradouros.
Outro ponto decisivo é a percepção de estabilidade no longo prazo. Benefícios associados ao trabalho formal, como proteção em caso de doença ou acidente e contribuição previdenciária, aparecem como diferenciais relevantes frente ao trabalho por conta própria.
É por isso que, no SindusCon-SP, estamos trabalhando na unificação das nomenclaturas das funções e na construção de uma trilha profissional que será adotada por nossas associadas. A proposta é dar clareza ao jovem sobre quanto tempo e quais cursos são necessários para avançar na carreira, mostrando que a Construção Civil oferece caminho, crescimento e horizonte.
* Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP)

