Tribuna Ribeirão
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O Porto e seu vinho

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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A cidade do Porto fica à beira do rio Douro, quando ele deságua no Oceano Atlântico, é a segunda mais populosa e importante de Portugal e é a minha preferida naquele país. Sempre fico num hotel às margens do rio e aos pés da metálica Ponte D. Luís I, que liga a cidade à Vila Nova de Gaia.

Das janelas do hotel à tarde, quando nos permitimos um porttonic (porto branco, com tônica, pequenas sementes de zimbro e gelo), percebemos a razão de seu nome, pois suas pequenas marolas se tingem com as cores do por de sol, criando uma corrente dourada que escorre devagar.

Os celtas, há mais de 2.000 anos,ali se estabeleceram, mas, foram os romanos no século II, que construíram  um porto no rio Douro, o Portus Cale, e transformaram a povoação numa cidade florescente. A invasão muçulmana de 711, expulsou os vários povos primitivos que se aproveitaram do fim do Império Romano, mas, houve uma divisão de facto da Província Ibérica: os árabes permaneceram no sul e, ao norte, floresceram vários reinos cristãos.

No século XI, um destes reinos, o de Leão e Castela, concede ao conde Henrique de Borgonha o Condado Portucalense, em reconhecimento pelas lutas contra os mulçumanos. Seu filho, Afonso Henrique é aclamado rei depois da Batalha de São Mamede e funda, em definitivo, o Reino de Portugal. Portus Cale, em nossa cidade, dá origem ao nome à nova nação, Portugal.

Em 1123, o Porto recebe foral real que o considera como cidade, sendo este ano reconhecido oficialmente com o da sua fundação, embora toda sua grande história pregressa.

Hoje o Porto é um dos mais conhecidos destinos turísticos de Portugal, beneficiado para nós brasileiros com a tradicional boa acolhida dos nativos e a facilidade da mesma língua, algumas vezes, reconheça-se, difícil de se entender.

O seu centro histórico é considerado Patrimônio da Humanidade, pela Unesco, e perder-se em suas ruas e vielas é fascinante passeio. Especial destaque para a Estação de São Bento, inteiramente decorada com azulejos azuis e brancos, o ápice desta arte. Na Igreja de São Francisco, encontramos riquíssima coleção de altares e obras decoradas com ouro.

A capela das Almas tem sua fachada também decorada em azulejos brancos e azuis, enquanto a Livraria Lello, a mais tradicional de Portugal, pelo seu acervo e pela beleza de sua arquitetura é visita obrigatória.

Do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia, tem-se vista do casario do cais da Ribeira, que muito nos lembra as casas antigas de Salvador.

É em Vila Nova de Gaia que o vinho do Porto começou a sua fama. No início, era um vinho comum, consumido internamente, embora refletisse as características únicas dos vinhedos do vale do Douro, distante 100 km a leste.

No século XVIII, guerras entre a Inglaterra e a França fizeram com que a primeira escolhesse Portugal como fornecedor de vinhos, o que tornou os produzidos no Douro os preferidos dos ingleses. Para suportar a viagem até as Ilhas Britânicas, os vinicultores portugueses passaram a adicionar aguardente vínica ao vinho, o que interrompia a fermentação, preservava os açúcares naturais e aumentava o teor alcoólico, nascendo assim o vinho do Porto.

Embora produzidos no vale do Douro, os vinhos eram transportados em barcos originais da região, os rabelos, até a Vila Nova de Gaia, onde eram armazenados, envelhecidos, classificados e exportados.

Hoje, esse processo é feito na origem, mas os armazéns da Vila Nova de Gaia se transformaram em atração turística, onde os grandes produtores exibem sua história, seu vinhos, suas lendas, uma das mais interessantes atrações da cidade.

Interessante anotar que, em 1756, o Marquês de Pombal criou, no Douro, a primeira Região de Origem Controlada do mundo, estabelecendo as regras que, até hoje, fazem do vinho do Porto uma grande bebida.

* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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