Tribuna Ribeirão
Cultura

Municipal recebe
peça sobre Genet

O texto destaca o relacionamento de Jean Genet com quatro personagens, dentre todos citados na sua obra autobiográfica “Diário de um ladrão”

Diretor Francis Mayer prossegue com sua cartografia de “malditos”, levando à cena o texto “Marginal Genet” – sobre a vida do transgressor escritor francês Jean Genet (1910-1986)

Após o polêmico e devastador “Pasolini no deserto da alma”, o diretor Francis Mayer prossegue com sua cartografia de “malditos”, levando à cena o texto “Marginal Genet” – sobre a vida do transgressor escritor francês Jean Genet (1910-1986), livremente inspirado nas obras “Diário de um ladrão”, do próprio Genet, e “Saint Genet”, de Jean-Paul Sartre (1905-1980).

O autor Jean Genet esteve no Brasil, em 1970, a convite da atriz e produtora Ruth Escobar (1935-2017) para a temporada de “O balcão”, no Teatro Ruth Escobar, onde desembarcou em 26 de maio daquele ano. O espetáculo “Marginal Genet” estará em cartaz no Teatro Municipal de Ribeirão Preto em 24 de abril, última sexta-feira do mês, às 20 horas.

No elenco estão Thiago Brugger (Jean Genet), Fernando Braga (René), Vinícius Moizés (Bernardini), Yago Monteiro (Lucien) e Samuel Godois (Charlotte Renaux). O texto destaca o relacionamento de Jean Genet com quatro personagens, dentre todos citados na sua obra autobiográfica “Diário de um ladrão”, que continua a gerar polêmica até hoje.

São eles Renê (garoto de programa), Bernardini (comissário de polícia secreta), Lucien (morador de rua) e Charlotte Renaux (cantora). “Marginal Genet” é um convite ao submundo dos marginalizados. Ele sobreviveu pelas ruas de Paris, sendo preso diversas vezes na juventude por roubo, vivendo como mendigo, sustentando-se como ladrão.

No espetáculo, o espectador terá acesso a intimidade de um personagem transgressor com recorte focado nos seus momentos mais intensos

No espetáculo, o espectador terá acesso a intimidade de um personagem transgressor com recorte focado nos seus momentos mais intensos, regados a momentos de lirismo. Com linguagem poética e visceral, o texto propõe uma conversa com o seu público, a quem o protagonista autoriza uma imersão em seu universo particular abrindo o seu diário, compartilhando histórias de seus encontros e amores com seres que costumavam viver à margem da sociedade, elevando-os à categoria de heróis.

De Jean Genet, Francis Mayer já produziu “Querelle”, em 1989, no Teatro Dulcina, lançando Gerson Brenner como ator e tendo Rogéria (1943-2017) no elenco e música-tema (Quero ele) composta especialmente por Cazuza (1958-1990); e dirigiu “Alta Vigilância”, em 1997, no Teatro Candido Mendes, com Carlos Machado, Jonathan Nogueira e Luka Ribeiro.

Considerado dono de uma imaginação febril e alegórica, Jean Genet cultuava a valorização do prazer, da beleza e do humano. E recriou em peças e romances a mesma marginalidade radical que caracterizou a sua vida, como, “As criadas”, “Querelle”, “O balcão”, “Nossa Senhora das Flores”, “Alta Vigilância”, “Os negros”, entre outros.

Sendo um escritor de combate despertou admiração em um grupo de intelectuais como Jean-Paul Sartre, Albert Camus (193-1960) e Jean Cocteau (1889-1963), que com sua intervenção, salvou-o de uma prisão perpétua que o levaria à morte.

“Francis Mayer, tem em seu currículo de diretor, entre outros, os espetáculos “Pasolini no deserto da alma”, “Detentos”, “Querelle”, “Ângela Maria – Lady Crooner” (musical), “Alta Vigilância”, “Cazuza – jogado a teus pés” (musical), “Oe Meninos da Rua Paulo” ( com Bruno Gagliasso), “Se você me ama” (com Danielle Winits), “As meninas” (de Lygia Fagundes Telles,1918-2022), e “Namoro” (com Natália Lage).

A lista traz ainda “Betty Blue” (de Philippe Djian, “Teen-Lover4” (Mouhamed Harfouch), “Nó de Gravata” (com Luana Piovani), “Zero Conduta” (de Zeno Wilde, 1947-1998), “Os campeões” (com Rainer Cadete), “Herdeiros” (com Guilherme Leicam), “Folia Tropical” (com Rogéria), “A noite do meu bem” (de Paulo César Coutinho) e “O hóspede” (baseado no filme “Teorema”, de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), entre outros.

Os ingressos para o espetáculo custam R$ 80, R$ 40 (meia-entrada) e R$ 60 (antecipado). Tem direito a 50% de desconto estudantes e professores de escolas públicas e particulares (mediante apresentação de documento comprobatório como carteirinha da instituição, boleto de mensalidade ou holerite), aposentados (com documento específico) e idosos acima de 60 anos (com cédula de identidade, o RG).

Estão à venda no site do Mega Bilheteria (www.megabilheteria.com). O Teatro Municipal fica na praça Alto do São Bento s/nº, Jardim Mosteiro. Para compra online há taxa de serviço. O local tem capacidade para receber 515 pessoas – o estacionamento tem 40 vagas. Mais informações pelo telefone (16) 3625-6841. O espetáculo não é recomendado para menores de 18 anos. O uso de máscara é opcional.

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