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Projeto Portinari levará exposições à China e à Itália em 2026

Obras de Cândido Portinari na Igreja Matriz de Batatais, que conta com o maior acervo de obras sacras do pintor | Foto: Ken Chu - Expressão Studio

O Projeto Portinari inicia o ano de 2026 com duas grandes exposições internacionais da obra de Candido Portinari, que serão realizadas na China e na Itália. As mostras apresentam diferentes fases do artista e integram ações de difusão da arte brasileira no exterior.

A primeira exposição será realizada entre junho e outubro, no Museu Nacional da China, em Pequim, com a mostra “O Brasil de Portinari”. No local, serão exibidas cerca de 60 obras originais que retratam aspectos da cultura e da identidade brasileira.

Além das pinturas, o público terá acesso a uma experiência imersiva digital, com curadoria de Marcello Dantas. O museu é considerado o segundo mais visitado do mundo, atrás apenas do Museu do Louvre, e a expectativa é de que a exposição receba cerca de 4 milhões de visitantes.

Exposição na Itália – A segunda mostra está prevista para novembro de 2026, no Palazzo Pamphilj, sede da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé em Roma desde 1920. O edifício, do século XVII, está localizado na Piazza Navona.

A exposição reunirá ao menos 30 obras sacras originais de Portinari e deve permanecer em cartaz até dezembro. A iniciativa integra as comemorações do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A expectativa é de público de aproximadamente 30 mil pessoas, em uma área expositiva de 500 metros quadrados.

Além da mostra, estão previstas projeções de imagens da obra do artista na fachada do palácio, às sextas-feiras e aos sábados. Também será reeditado o livro “Portinari — Arte Sacra”, com 180 páginas de textos curatoriais, reproduções das obras e ensaios críticos em português e italiano.

O material incluirá trabalhos que, até hoje, permaneciam em espaços religiosos, como a Igreja de São Francisco de Assis da Pampulha, em Minas Gerais, e a Igreja do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, de Batatais, interior paulista, onde o artista foi batizado.

Organização e apoio – As exposições são organizadas pelo Projeto Portinari, com apoio institucional do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé. O patrocínio das empresas italianas ENEL e TIM ainda está em fase de confirmação.

Segundo o professor Israel Pedrosa, historiador de arte, pintor e escritor, as exposições representam um marco para a divulgação internacional da obra do artista, especialmente no caso da produção sacra, considerada uma das mais relevantes do século XX.

Além do aspecto cultural, o Projeto Portinari destaca que a mostra na China também possui dimensão estratégica, ao ampliar o intercâmbio cultural entre os dois países.

 

Cândido Portinari

Cândido Portinari foi um dos maiores artistas brasileiros do século XX e um dos nomes centrais do modernismo no país. Nascido em 1903, em Brodowski (SP), filho de imigrantes italianos, construiu uma obra marcada pela valorização do povo, das paisagens e das questões sociais do Brasil.

Desde jovem, demonstrou talento para o desenho e a pintura. Formou-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e, na década de 1930, passou a ganhar projeção nacional com trabalhos que retratavam trabalhadores rurais, retirantes, crianças, festas populares e cenas do cotidiano.

Portinari foi um dos maiores artistas brasileiros do século XX | Arquivo Nacional

Ao longo da carreira, Portinari produziu mais de cinco mil obras, entre pinturas, murais, desenhos e gravuras. Seu estilo combinou influências do modernismo europeu com temas brasileiros, criando uma linguagem própria, reconhecida internacionalmente.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os painéis “Guerra e Paz”, instalados na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, além de murais em prédios públicos, igrejas e instituições culturais no Brasil e no exterior.

Além da produção artística, Portinari teve atuação política e social. Defendeu causas ligadas à justiça social, à educação e à valorização da cultura nacional. Chegou a se candidatar a cargos públicos e manteve diálogo com intelectuais e lideranças de sua época.

O artista morreu em 1962, no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas causados pela exposição prolongada às tintas que utilizava em seu trabalho. Mesmo após sua morte, sua obra segue sendo estudada, preservada e difundida por meio do Projeto Portinari, responsável pelo mapeamento, restauração e divulgação de seu acervo.

Hoje, Cândido Portinari é considerado um dos principais responsáveis por levar a arte brasileira ao cenário internacional, deixando um legado que conecta estética, identidade nacional e compromisso social.

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