Mário Palumbo *
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“Os meus olhos se turvaram de tristeza,
o meu corpo e minha alma definharam!
Minha vida se consome em amargura,
e se escoam os meus anos em gemidos!”
Salmo 30(31)
Pés inchados, mão trêmula, joelho balançando, “la vecchia è brutta”. “Quotidie deterior posterior die”, traduzindo: cada dia é pior que o dia anterior. Que me espera o pátio dos Girassóis? Mas Cristo veio revolucionar a morte destruindo-a na ressurreição.
A cada dia segue uma missão: abraçar a cruz da velhice e fazer dela uma mensagem de vida. “Tanto è il bene che mi aspetta che ogni pena è dileto”, come diceva San Francesco di Assisi.
Ma che posso fare com os pés inchados e as mãos trêmulas?
Jesus na sua força juvenil andou pregando a Boa Nova para os oprimidos e a libertação do povo. Mas a sua obra redentora foi mais eficaz quando foi imobilizado na cruz por causa dos pregos, foi então que “atraiu tudo a si”. Foi em cima da cruz que a fraqueza venceu a violência, foi em cima da cruz que o amor venceu o ódio, que o perdão venceu a vingança. Nu na cruz, revestiu de luz a humanidade.
O nonagenário junto à cruz de Cristo continua a obra da salvação juntando seus joelhos bambos na caminhada para o Pai.
Apesar das agruras nonagenárias a alegria de saber-se amados enche-nos de gratidão e dá força para a caminhada arrastando outros coetâneos para a subida do “Monte Everest”. Alimentando-se com o Pão Eucarístico descido do céu.
E encerro a reflexão com estas sublimes palavras da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 2, 9: Mas, como está escrito, “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu”.
* Professor e padre casado

