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Guerra Rússia x Ucrânia completa quatro anos


Vitalii Hnidyi/Reuters
Segundo as Nações Unidas, ao menos 15.172 civis ucranianos morreram nos quatro anos de conflito, com um número total potencialmente maior


O presidente da Ucrânia, VolodImir Zelenski, declarou  que a Rússia não “quebrou os ucranianos” nem triunfou em sua guerra

O presidente da Ucrânia, VolodImir Zelenski, declarou nesta terça-feira, 24 de fevereiro, que a Rússia não “quebrou os ucranianos” nem triunfou em sua guerra, quatro anos após uma invasão que testou severamente a determinação de Kiev e de seus aliados e alimentou temores europeus sobre a escala das ambições de Moscou.

Em gesto de apoio, mais de uma dúzia de altos funcionários europeus seguiram para a capital ucraniana para marcar o sombrio aniversário do conflito, que matou dezenas de milhares de pessoas, desestabilizou a vida de milhões de ucranianos e criou instabilidade muito além de suas fronteiras.

Zelenski afirmou que seu país resistiu ao ataque do exército maior e melhor equipado da Rússia, que, no último ano de combates, capturou apenas 0,79% do território da Ucrânia, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank com sede em Washington. A Rússia hoje controla quase 20% da Ucrânia.

“Olhando para o início da invasão e refletindo sobre hoje, temos todo o direito de dizer: defendemos nossa independência, não perdemos nossa soberania”, disse Zelenski nas redes sociais, acrescentando que o presidente russo Vladimir Putin “não alcançou seus objetivos”.

“Ele não quebrou os ucranianos; ele não venceu esta guerra”, afirmou. Apesar da demonstração de desafio, a Ucrânia tem lutado para conter o ataque russo, e o conflito trouxe dificuldades generalizadas para a população civil: bombardeios aéreos devastaram famílias e deixaram moradores sem eletricidade e água encanada.

À medida que a guerra de atrito entra no quinto ano, uma iniciativa diplomática liderada pelos Estados Unidos para encerrar o maior confronto no continente desde a Segunda Guerra Mundial ainda está longe de alcançar compromissos que possibilitem um acordo de paz.

As negociações travaram em dois pontos: o futuro da região de Donbas – coração industrial do leste ucraniano, majoritariamente ocupado, mas não totalmente tomado pela Rússia – e os termos de um arranjo de segurança pós-guerra que Kiev exige para evitar novas invasões.

Trump erm Kiev –
Em memorial improvisado na praça central de Kiev, onde milhares de pequenas bandeiras e retratos lembram soldados mortos, Zelenski afirmou que gostaria que o presidente dos EUA, Donald Trump, visitasse o local e testemunhasse pessoalmente o sofrimento ucraniano. “Só então se pode realmente entender do que se trata essa guerra”, disse.

Trump, que já prometeu encerrar o conflito “em um dia”, alterou várias vezes o tom em relação a Putin e a Zelenski no último ano: ora criticou a postura de negociação do líder ucraniano enquanto se aproximava do presidente russo, ora condenou os bombardeios de Moscou e demonstrou mais simpatia pela situação em Kiev.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a ofensiva continuará até que Moscou atinja seus objetivos, que incluem exigir que a Ucrânia desista de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reduza drasticamente seu Exército e ceda extensas áreas de território.

Zelenski disse esperar uma nova rodada de negociações mediadas pelos EUA com a Rússia dentro dos próximos dez dias. O número de soldados mortos, feridos ou desaparecidos dos dois lados pode chegar a dois milhões até a primavera (do Hemisfério Norte), com a Rússia registrando a maior quantidade de baixas de qualquer grande potência desde a Segunda Guerra, estimou no mês passado o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Líderes europeus veem a própria segurança em jogo na Ucrânia, temendo que Putin possa mirá-los em seguida. O chanceler alemão Friedrich Merz escreveu no X: “Por quatro anos, todos os dias e todas as noites têm sido um pesadelo para os ucranianos – e não apenas para eles, mas para todos nós. Porque a guerra está de volta à Europa.”

O ano passado foi o mais letal para civis na Ucrânia desde 2022, devido à intensificação dos bombardeios aéreos russos atrás da linha de frente, segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas no país.

A guerra matou 2.514 civis e feriu 12.142 na Ucrânia em 2025 – um aumento de 31% em relação a 2024, segundo o relatório. Segundo a Organização das Nações Unidas, ao menos 15.172 civis ucranianos morreram nos quatro anos de conflito, com um número total potencialmente maior.

Volodymyr Zelensky disse em fevereiro de 2026 que 55 mil de seus soldados morreram, mas os cálculos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (ou CSIS, na sigla em inglês) estimam uma cifra muito maior, de até 140 mil baixas. Já do lado russo, Moscou tem sido reticente em fornecer números oficiais.

A BBC coloca o número de baixas militares russas em pelo menos 160 mil. Já o “think tank” americano calcula os mortos na casa de 325 mil de fevereiro de 2022 até dezembro de 2025. De acordo com o CSIS, a Rússia controla 120 mil km² do território ucraniano atualmente, ou cerca de 20% do país.

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