Por: Adalberto Luque –
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou formalmente denúncia contra a influenciadora digital e professora Aline Bardy Dutra, popularmente conhecida por “Esquerdogata”, para o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
O promotor Paulo César Souza Assef entendeu que ela cometeu os crimes de desacato, resistência e injúria racial contra dois policiais militares, em 25 de outubro do ano passado. Na ocasião, a mulher interviu na abordagem dos policiais militares, ofendendo-os.
Ela estaria alcoolizada e teria proferido diversas ofensas, parte delas gravada em vídeo pelos próprios PMs ofendidos. O MP optou pela denúncia, baseando-se no inquérito concluído pela Polícia Civil.
Se o TJSP acatar a denúncia, a influenciadora será submetida a julgamento. O advogado Douglas Marques, defensor de “Esquerdogata” espera pela absolvição de sua cliente. Ele acrescenta que o crime de injúria racial não teria sido cometido e espera que a Justiça não acate a denúncia do MP.
Entenda o caso
“Esquerdogata” foi presa ao intervir em uma abordagem policial. Ela teria ofendido os dois policiais, afirmando ter 1 milhão de seguidores nas redes sociais, dizendo que seria eleita deputada, ameaçando acabar com a carreira dos dois.
Disse que a sandália dela vaia mais do que o carro de um deles. Um dos policiais e o homem abordado eram negros e ela teria dito para o PM: “um preto fodendo outro preto”.
Tudo foi filmado e anexado ao inquérito. “Esquerdogata” chegou a perder quase 100 mil seguidores após a confusão. Ela chegou a ser presa, mas a defesa conseguiu que ela respondesse ao inquérito em liberdade. Se afastou das redes sociais e se internou para se tratar contra o vício de álcool.
Esta não seria a primeira vez que a influenciadora ofendeu policiais militares. Meses antes ela teria ofendido dois PMs em 2022, quando teve seu carro apreendido por licenciamento vencido há oito anos. Ela teria ofendido os PMs e colado um adesivo político na viatura. Chegou a ser presa e foi condenada a pagar uma indenização.
O prefeito Ricardo Silva anunciou que iria instaurar procedimento administrativo contra a influenciadora, para analisar a conduta da professora. Em uma de suas falas na abordagem também teria ofendido os moradores do Complexo de bairros do Quintino Facci, zona Norte da cidade, ao perguntar de forma considerada pejorativa ao PM: “você nasceu onde? No Quintino, né?”
Aline é professora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Paulo Henrique de Souza, no bairro Maria Casa Grande Lopes, localizado também na zona Norte da cidade, mas está afastada do cargo desde 22 de julho de 2024 quando pediu afastamento sem vencimentos pelo período de dois anos.
A reportagem pediu informações à Prefeitura sobre o procedimento administrativo anunciado pelo prefeito, mas ainda não obteve retorno. Assim que isso ocorrer, o texto será atualizado.

