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Jornada Artística e Literária: Um Convite à Transformação Social

Foto: Arquivo

André Luiz da Silva *
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Cotidianamente, repete-se que o Brasil é um país plural — marcado por vasta diversidade étnica, cultural, linguística e regional, onde convivem múltiplas identidades: indígenas, afrodescendentes, imigrantes, urbanas e rurais. Mas essa pluralidade é, de fato, respeitada? Ou, mais inquietante ainda: estamos sendo educados para reconhecê-la e valorizá-la?

Outras perguntas se impõem. Quando dedicaremos parte de nosso tempo a esse exercício essencial? Quando o poder público investirá, de modo consistente, em políticas públicas voltadas à formação de uma sociedade que identifique, conheça e respeite sua maior riqueza — a diversidade? Quando deixaremos de ser excludentes para nos tornarmos verdadeiramente inclusivos?

Algumas dessas respostas começam, enfim, a ganhar contornos concretos.

Especialistas afirmam que educação e cultura são pilares inegociáveis para o desenvolvimento de qualquer sociedade. E, pela primeira vez na história de Ribeirão Preto, teremos a oportunidade de uni-las de forma potente e efetiva. De 18 a 22 de março, nossa cidade sediará a primeira Jornada Artística e Literária por uma Educação Plural, com atividades em equipamentos públicos, nos estandes da esplanada do Theatro Pedro II e em escolas públicas.

Além de oficinas voltadas à cultura negra, o público em geral poderá participar gratuitamente de oficinas de turbantes, confecção de bonecas negras, samba de roda, capoeira, dança afro, tranças, arte naif, entre outras expressões culturais. O evento é realizado pelo Instituto Plural de Educação e Cidadania Vila Bela, em parceria com a Prefeitura de Ribeirão Preto e o Ministério da Cultura.

Será uma oportunidade ímpar para conhecer personalidades de projeção nacional, como a cubana Teresa Cárdenas; a escritora e organizadora dos Cadernos Negros, Esmeralda Ribeiro; o pesquisador e premiado cineasta Joel Zito Araújo; e Bárbara Carine, vencedora do Prêmio Jabuti 2024, na categoria Educação, com a obra Como ser um educador antirracista.

O talento local também marcará presença com o grupo Raiz Samba 6. Na literatura, todos os escritores da região metropolitana estão convidados para um riquíssimo encontro de gerações, com rodas de conversa e oficina literária conduzida por José Carlos Barbosa, Rita Cruz, Isa do Rosário, Fabrício Bispo, Odete Silva Dias, Léo Mineiro e Aylton Costa, entre outros.

Já na coletiva de imprensa, a diversidade se fez presente. A drag Nara Poison atuou como mestra de cerimônia, e houve homenagem a Maria Helena Ramos de Oliveira e ao mestre Nascimento, da Escola de Samba Embaixadores dos Campos Elíseos. O mestre Pim recordou a todos que música e dança são fundamentais na conexão do povo negro com sua ancestralidade.

Como destacou o presidente do Instituto Plural, Edson Arantes, serão cinco dias para celebrar, aprender e formar novos valores e visões — pois é preciso conhecer para respeitar. Combater o racismo passa, necessariamente, pela educação.

A parceria com o Ministério da Cultura e com a Prefeitura de Ribeirão Preto revela-se fundamental não apenas para a realização da Jornada, mas para a consolidação de um calendário permanente de ações antirracistas. Um exemplo concreto foi o recente lançamento da cartilha antirracista, já adotada nas escolas municipais, além da formação continuada dos professores. Soma-se a isso a necessidade de maior divulgação e ocupação do CRERER (Centro de Referência em Educação para as Relações Étnico-Raciais), espaço aberto a toda a população, ainda pouco conhecido. A presença do secretariado municipal, a mobilização para garantir o acesso dos alunos e o fornecimento da estrutura necessária serão marcas indeléveis de um compromisso real com a diversidade.

Além de toda a programação formativa, a Jornada apresentará sete grandes manifestações culturais afro-brasileiras — capoeira, congada, jongo, moçambique, roda de samba, maracatu e samba de coco — todas gratuitas e abertas ao público.

Por isso, querido leitor e querida leitora, convido-os a divulgar esta iniciativa e a participar ativamente da Jornada. Ao fazê-lo, não estarão apenas prestigiando um evento cultural, mas assumindo, com consciência e responsabilidade, o papel de agentes transformadores na construção de uma sociedade autenticamente plural.

* Servidor municipal, advogado, escritor e radialista

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