Equipamentos de monitoramento serão instalados em todas regiões e incluirão as avenidas Independência, Francisco Junqueira, Jerônimo Gonçalves, Dom Pedro I e ruas como Américo Brasiliense e São Sebastião
A licitação aberta pela prefeitura de Ribeirão Preto visando a contratação de empresa especializada em monitoramento de logradouros públicos, terá pelos menos 100 câmeras com tecnologia de reconhecimento facial – identifica pessoas a partir das características do rosto por meio de inteligência artificial (IA).
O sistema analisa elementos únicos do rosto, como distância entre olhos, formato do nariz, boca e contornos faciais e transforma as informações em dados digitais que podem ser comparados com registros previamente cadastrados para identificar ou autenticar um indivíduo, iguais a do Smart Sampa, de São Paulo.
Segundo o edital, além das câmeras com reconhecimento facial, outros 92 equipamentos de coleta de imagens serão instalados inicialmente, sendo 30 câmeras para monitoramento dinâmico, 30 fixas para controle viário geral, 15 do tipo LPR para fiscalização de até duas faixas e 17 unidades LPR para fiscalização de até quatro faixas.
Os locais onde os equipamentos serão instalados incluem ruas e avenidas em todas as regiões da cidade. Entre elas estão as avenidas Independência, Jerônimo Gonçalves, Maurílio Biagi, Caramuru, Dom Pedro I, Antônia Mugnato Marincek, Marechal Costa e Silva, Treze de Maio e Eduardo Andrea Matarazzo (Via Norte) e ruas como Tapajós, Américo Brasiliense, Saldanha Marinho e São Sebastião.
A definição dos locais foi planejada a partir do Balanço de Sinistros e Óbitos no Trânsito de 2025, elaborado pelo Departamento de Segurança Viária da RP Mobi – Empresa de Mobilidade Urbana de Ribeirão Preto S.A, a antiga Transerp, responsável pelo trânsito e transporte.
Segundo o levantamento, no ano passado, foram registrados 1.746 sinistros não fatais e 87 óbitos, com a concentração de ocorrências em corredores estruturais. O relatório destaca que as vias com maior concentração de acidentes são as avenidas Doutor Francisco Junqueira, no Centro, com 66; Independência, nas regiões Central e Sul, com 43; Presidente Vargas, na Zona Sul, com 42; e Treze de Maio e Presidente Kennedy, ambas na Zona Leste, com 23 cada.
Além dos dados estatísticos oficiais, o estudo ressalta que a decisão pela quantidade de pontos de vídeo monitoramento foi respaldada também por reportagens jornalísticas publicadas pela imprensa ao longo de 2025 e início de 2026, que refletem a realidade do trânsito de Ribeirão Preto.
A licitação está prevista para ter a fase de lances das empresas participantes realizada no dia 13 de março. O valor máximo estimado pela prefeitura para contratação é de R$ 180.800.349,80 e o prazo de vigência do contrato com a empresa vencedora será de 60 meses, contados a partir da assinatura da ordem de serviços (OS), podendo ser prorrogado por até dez anos.
Após a fase de lance, a empresa considerada vencedora provisoriamente realizará uma prova técnica do sistema oferecido. Somente após esta etapa a licitação deverá ser concluída. Os recursos para a contratação do novo serviço de monitoramento serão oriundos de parte dos valores da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) paga pela população para manutenção e modernização da iluminação pública da cidade.
O valor mensal da CIP é pago pelos usuários de energia elétrica na cidade. Seu valor é calculado conforme a classe de consumidor e o consumo de energia elétrica indicado na fatura emitida pela CPFL Paulista.
Até o ano passado, estes recursos só podiam ser utilizados pata esta finalidade. Entretanto, em agosto de 2025 os vereadores aprovaram projeto de lei do prefeito Ricardo Silva (PSD) que autorizou que parte deste dinheiro possa ser utilizado para implantação do sistema de monitoramento por câmeras inteligentes nas ruas da cidade.
Segundo dados da prefeitura referentes, no ano passado a CIP arrecadava cerca de R$ 7,5 milhões por mês. Deste total, cerca de R$ 3 milhões eram usados para o pagamento da CPFL Paulista pela iluminação pública na cidade.
Já cerca de R$ 1,5 milhão eram destinados à parceria público-privada (PPP) entre o município e o Consócio Conecta Ribeirão Preto para a ampliação e substituição dos pontos iluminação pública da cidade.
Após os pagamentos sobravam mensalmente da CIP, cerca de R$ 3 milhões que ficam depositados em uma conta específica e que só podem ser usados para os fins estabelecidos na lei municipal que regula a contribuição.
Em agosto do ano passado, a Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei que permite o uso de parte dos recursos da Contribuição de Iluminação Pública (para o monitoramento por câmeras na cidade.

