Tribuna Ribeirão
Saúde

Câncer de rim já soma
 240 vítimas em 10 anos

Câncer de rim causou 240 mortes em dez anos na cidade

Campanha reforça importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da atenção aos sintomas da doença, que muitas vezes evolui de forma silenciosa

O terceiro mês do ano marca a campanha Março Vermelho, dedicada à conscientização sobre o câncer de rim, doença que muitas vezes evolui de forma silenciosa e só é descoberta em exames de rotina. Em Ribeirão Preto, dados do Painel de Mortalidade da Secretaria Municipal da Saúde indicam que 240 mortes pela doença foram registradas nos últimos dez anos, número que reforça a importância de ampliar a informação e a prevenção.

O alerta ganha ainda mais relevância nesta quinta-feira, 12 de março, em que se celebra o Dia Mundial do Rim, data voltada à conscientização sobre a saúde renal e a prevenção de doenças que afetam esses órgãos. Segundo o uro-oncologista Luís César Zaccaro, a falta de sintomas nas fases iniciais faz com que muitos casos de câncer sejam identificados apenas por acaso, durante exames realizados por outros motivos.

Médicos Luís César Zaccaro e Filipe Miranda Bernardes alertam sobre diagnóstico precoce

“Os rins são órgãos muito silenciosos. Eles trabalham o tempo todo filtrando o sangue e regulando diversas funções do organismo, mas normalmente só lembramos deles quando surge algum problema. Por isso, exames de rotina são fundamentais para identificar alterações precocemente”, orienta.

Os rins são responsáveis por filtrar substâncias tóxicas do sangue, como ureia, creatinina e ácido úrico, eliminando-as pela urina. Também participam da regulação do equilíbrio de água e sais no corpo, ajudando a controlar a pressão arterial e prevenindo inchaços.

Além disso, desempenham papel importante na produção de hormônios essenciais para o organismo, como a eritropoetina, que estimula a produção de glóbulos vermelhos, a vitamina D ativa, fundamental para a saúde óssea, e a renina, relacionada ao controle da pressão arterial.

A doença renal crônica é considerada silenciosa e atinge milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, cerca de 10% da população tem o diagnóstico da doença, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com o nefrologista do Grupo São Lucas Ribeirão Preto, Filipe Miranda Bernardes, a maioria dos casos não apresenta sintomas iniciais, fazendo com que muitos pacientes descubram o problema apenas em estágios avançados, quando já há perda significativa da função dos rins.

“A doença renal crônica não costuma causar dor ou sinais específicos no começo. O rim vai perdendo função lentamente e o organismo compensa por muito tempo. Quando surgem sintomas como inchaço, anemia ou pressão descontrolada, muitas vezes a função já está bastante comprometida”, explica o especialista.

O diagnóstico tardio pode resultar em complicações cardiovasculares e, em muitos casos, na necessidade de diálise ou transplante renal. Por isso, exames simples e acessíveis fazem toda a diferença.

A dosagem de creatinina no sangue, acompanhada da estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG), além da pesquisa de albumina na urina, são ferramentas fundamentais para identificar precocemente alterações na função renal. Os exames estão disponíveis nas redes públicas e privadas.

“Quando identificamos a doença nas fases iniciais, conseguimos controlar melhor fatores como pressão alta e diabetes, ajustar medicações e introduzir tratamentos modernos que reduzem a progressão da doença. Diagnóstico precoce significa mais tempo com os rins funcionando e mais qualidade de vida”, destaca.

O câncer renal corresponde a cerca de 3% dos tumores malignos urológicos e atinge principalmente pessoas entre 50 e 70 anos, sendo duas vezes mais frequente em homens. Nas fases iniciais, porém, a doença costuma não apresentar sintomas. Quando surgem sinais, eles podem incluir presença de sangue na urina, dor na região lombar, massa palpável no abdômen, perda de peso, febre, anemia e cansaço.

“O sintoma mais clássico é o sangue na urina, muitas vezes visível, acompanhado de dor nas costas ou na região lombar. Em alguns casos, também pode surgir uma massa palpável. Mas o problema é que esses sinais geralmente aparecem quando a doença já está mais avançada”, explica Zaccaro.

Por esse motivo, segundo ele, muitos tumores são identificados incidentalmente. Embora não seja considerado um dos cânceres mais comuns, a tendência é de crescimento nos próximos anos. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que os diagnósticos de câncer renal no Brasil podem aumentar 79,5% entre 2022 e 2050.

Esse índice é superior à média mundial projetada para o mesmo período, de 63,1%. Atualmente, estima-se que cerca de onze mil novos casos sejam diagnosticados anualmente no país, com aproximadamente 4,5 mil mortes por ano.

Fatores de risco – Entre os principais fatores associados ao câncer de rim estão o tabagismo, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, histórico familiar da doença e exposição a substâncias tóxicas. O tratamento do câncer renal depende do estágio da doença. Nos casos iniciais, a abordagem costuma ser cirúrgica, com remoção apenas da área afetada do rim.

Em alguns casos, pode ser necessária a remoção completa do órgão (nefrectomia total). Já nos tumores mais avançados, o tratamento pode incluir terapias medicamentosas, como imunoterapia, além de outras abordagens complementares.

Sustentabilidade – Com a temática “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a campanha em 2026 chama atenção para a relação entre saúde renal e meio ambiente. Situações como calor extremo, desidratação frequente e poluição estão associadas ao aumento do risco de lesões renais.

“Além disso, o tratamento de hemodiálise demanda grande volume de água tratada, cerca de 120 a 200 litros por sessão. Considerando que muitos pacientes realizam três sessões por semana, o impacto ambiental é significativo”, enfatiza Filipe Miranda Bernardes.

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