Paulo Miranda, torcedor do Comercial Futebol Clube acusado de assédio sexual e misoginia, fechou acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele e Igor Nobre estão proibidos de freqüentar o Estádio Doutor Francisco de Palma Travassos e devem manter distância mínima de 500 metros da Joia Alvinegra em dias de jogo do Bafo.
No acordo fechado com o promotor Paulo Freire Teotônio, Miranda se compromete a pedir desculpas públicas, pagar multa de dez salários mínimos (R$ 16.210), fazer um curso sobre como tratar as mulheres e prestar serviços comunitários. A defesa de Nobre diz que ele também deve aderir ao acordo. Esse tipo de acordo vale para casos que não envolvem agressão física ou ofensa grave e serve para desafogar o Judiciário
Os dois são investigados por proferirem ofensas misóginas e de cunho sexual contra a médica do Nacional Atlético Clube, Bianca Francelino de Oliveira. A partida da Série A4 do Campeonato Paulista ocorreu em 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, no palma Travassos.
Na segunda-feira (23), a Justiça de Ribeirão Preto negou o pedido de prisão preventiva dos dois torcedores, mas proibiu os torcedores de frequentarem o Palma Travassos. A Federação Paulista de Futebol (FPF) acatou a determinação
Durante a partida, a médica Bianca Francelino de Oliveira, que mora já cidade, mas prestava serviço de freelancer para o NAC, alertou a árbitra Ana Caroline D’Eleutério de Sousa Carvalho sobre ter sido assediada sexualmente por dois homens que estariam no alambrado.
Foi acionado o protocolo previsto e a médica recebeu apoio da árbitra Ana Caroline D’Eleutério, que relatou tudo na súmula. O Comercial divulgou nota repudiando o assédio e conseguiu identificar dois torcedores. De acordo com o time, Igor Nobre e Paulo Miranda teriam feito os gestos e proferido as ofensas.
Após esse caso, várias mulheres denunciaram Igor Nobre por assédio. Ele nega todas as acusações. A defesa informa que atua somente na questão ocorrida na partida contra o Nacional. Qualquer outra denúncia, segundo a defesa, não pode ser comentada por não ter conhecimento. Também afirma que Nobre não tem conhecimento das novas denúncias.
Já a defesa de Paulo Miranda diz que, apesar do acordo, é inocente e não cometeu nenhum ato de assédio contra a médica do Nacional. Garante que ele estava trabalhando no bar do estádio. Sobre as novas denúncias contra Igor Nobre, o MP pretende pedir que novos inquéritos sejam instaurados para seguir com as investigações.

