Missão registrou o hemisfério lunar que nunca é visível da Terra; astronautas são os primeiros seres humanos a ver o lado oculto com os próprios olhos
A Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, divulgou novas fotos da Lua feitas pela tripulação da missão Artemis II a partir da cápsula Orion, incluindo imagens de parte do lado oculto do satélite – o hemisfério que nunca é visível da Terra.
A imagem mostra parte do lado oculto da Lua. O lado visível aparece à direita, identificado pelas manchas escuras formadas por antigos fluxos de lava. À esquerda, surge o lado oculto, com terreno mais claro e craterado.
Um dos destaques é a Bacia de Orientale, uma cratera de quase mil quilômetros de diâmetro que fica na divisa entre os dois hemisférios. Da Terra, só é possível enxergar as bordas da estrutura. Nas imagens da Artemis II, ela aparece inteira pela primeira vez aos olhos humanos.
“A Lua que estamos vendo não é a Lua que você vê da Terra de jeito nenhum”, disse a astronauta Christina Koch durante transmissão ao vivo da missão. Mais cedo, os quatro astronautas da missão Artemis II alcançaram a maior distância já registrada entre humanos e a Terra: 400.171 km, superando o recorde mantido pela tripulação da Apollo 13 desde 1970.
Tem mais: pouco depois das 20 horas a espaçonave atingiu o ponto de maior afastamento, estimado em cerca de 407.000 km (252.760 milhas). Às 20h25, a comunicação com a nave foi retomada após ela emergir do lado oculto. O marco foi alcançado enquanto a cápsula Orion completa o seu quinto dia de voo, já dentro da esfera de influência gravitacional da Lua.
A bordo estão os astronautas americanos Reid Wiseman (comandante), Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, a primeira missão tripulada a deixar a órbita terrestre desde o programa Apollo. É a primeira vez que uma mulher, um homem negro e um cidadão não americano participam de uma missão à Lua.
A Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa homônimo da Nasa, que tem como objetivo retornar astronautas à superfície lunar até 2028, antes que a China o faça, e estabelecer uma presença americana permanente na Lua ao longo da próxima década.
Essa base servirá de campo de testes para futuras missões a Marte. O voo atual, contudo, não prevê pouso: a Orion sobrevoa a Lua em trajetória em forma de oito, coleta dados científicos e retorna à Terra.
Nas próximas horas, os astronautas devem passar atrás da Lua (o famoso lado oculto) e ficar cerca de 40 minutos sem comunicação com a Terra, além de alcançar o ponto mais próximo do satélite e também a maior distância já registrada por humanos.
Nesta terça-feira (7) terá início a viagem de retorno à Terra. A reentrada e pouso no Oceano Pacífico estão previstos para sexta-feira (10). A missão Artemis II marca o retorno de viagens tripuladas ao entorno da Lua após 53 anos. No sábado (4), a Nasa divulgou imagens que mostram os astronautas Christina Koch e Reid Wiseman observando a Terra enquanto a missão segue em direção à Lua.

