Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Giovanni Quessep foi um poeta colombiano nascido em 1939 que, formando-se em Filosofia e Letras pela Universidade Javeriana de Bogotá, interessou-se pelos estudos em literatura italiana e latino-americana na Universidade de Florença. Na época de seu nascimento, a Colômbia viria a prenunciar uma década de grandes mudanças globais, e aqueles próximos ao artista dizem que a década de 1940 influenciou sua visão cosmopolita da literatura. Neste contexto, após a violência bipartidária que eclodiu nos distúrbios do Bogotazo em 1949, Quessep se mudou para Sincelejo, onde concluiu o ensino médio em 1955. Antes de se formar, foi influenciado pela “Divina Comédia”, de Dante, pelos contos de fadas clássicos (Irmãos Grimm, Charles Perrault, Hans Christian Andersen) e pela poesia de Rubén Darío, vindo a publicar alguns poemas no jornal estudantil.
Por ocasião de sua mudança para Bogotá para estudar Direito e Filosofia, logo abandonou o Direito para se dedicar integralmente à literatura, trabalhando como professor em sua universidade até se formar em Filosofia e Letras em 1962. Um ano depois, ingressando no Instituto Caro y Cuervo para cursar pós-graduação em Literatura Latino-Americana, passou a frequentar diversos cursos sobre o Século de Ouro Espanhol e a Geração de 27 na Biblioteca Nacional e na Universidade dos Andes, onde interagiu com o poeta Jorge Guillén.
Em 1961, enquanto os nadaístas demoliam os cânones dos preceitos poéticos tradicionais, Quessep publicou seu primeiro livro, “Después del paraíso” (Depois do Paraíso), uma obra convencional que aderiu à métrica e à rima do soneto, marcando seu distanciamento das rupturas de sua geração. Em 1966, após uma viagem marítima que o levou à Venezuela, Santa Cruz de Tenerife, Alicante, Cádiz e Barcelona, o poeta chegou à Itália para estudar Literatura Italiana e Latino-Americana na Universidade de Florença. Nesse período, publicou “El ser no es una fábula” (O Ser Não É uma Fábula) (1968), livro que solidificou seu lugar em seu próprio universo poético, que poderia ser definido como uma tentativa de recordar, através da poesia, de que palavra fomos inventados.
Retornando à Colômbia em 1969 para integrar o corpo docente da Pontifícia Universidade Javeriana, publicou numerosas obras e compilações, seguindo para Popayán para integrar o Departamento de Espanhol e Literatura da Universidade de Cauca, que lhe concedeu um doutorado honoris causa em Filosofia e Letras em 1992. Em 2003, o autor se aposentou dessa universidade, publicando, no ano seguinte, seu livro “Brasa Lunar”, que lhe valeu o Prémio de Poesia José Assunção Silva.
Um poema do autor? O CÉU DO ABETO
Gravo em ti minha palavra
que pode fazer descer a lua a esta terra.
Apenas uma canção é necessária
para revelar o destino? As constelações
voam por dentro de tuas flores
e o laurel que é negação da morte
abre uma câmara desconhecida.
Tua sombra desejada
me dá o caminho que me transfigura:
Gravo uma folha queimada pelo verão
e sigo transcorrendo por teu céu.
Professora Universitária





