Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Passei uma semana na praia, curtindo o mar, o sol, a brisa outonal, o barulho das ondas, as cores cambiantes da grande superfície marítima, o farfalhar das folhas dos coqueiros.
O mar tranquiliza, acalma. Passear pela areia molhada que bordeja o final das ondas, observar a sua brancura se quebrando em rendas delicadas, ver algumas gaivotas voando com sua envergadura única, tudo traz uma grande e gostosa paz.
Sentado na sombra, sentindo o suave movimento do ar, ponho-me a pensar: como surgiram as águas marítimas da Terra? Fotos da última viagem espacial mostram uma esfera azul pairando no espaço, toda composta de oceanos, mares que não acabam mais. Como toda esta água surgiu no nosso planeta?
Dizem os estudiosos, que há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a Terra era quente e praticamente sem água, mas com grande atividade vulcânica. Estes vulcões, junto com a liberação de gases internos, expeliam também vapor de água, que com o progressivo esfriamento da superfície, voltavam sob a forma de chuvas, que caíram durante milhões de anos.
Dizem também que houve contribuição externa, pelo bombardeio desenfreado de corpos celestes que colidiam com o planeta, formando crateras profundas. Como muitos deles continham gelo, este derretia nos grandes buracos, formando os primeiros mares.
Depois de muito tempo, a água criou um ciclo contínuo, que permanece até hoje: o calor faz com que água se transforme em vapor, este em contato com a atmosfera mais fria retorna em forma de chuva.
Durante os bilhões de anos da existência da Terra, outro fenômeno interessante ocorre: as chuvas constantes desgastam as rochas dos continentes e as águas que convergem pelos rios levam consigo minerais, entre eles o sal. Quando esta água fluvial chega aos oceanos, ela se evapora, mas os sais ficam, gerando assim a água salgada característica dos mares. Também atividades vulcânicas no fundo dos mares liberam o sal.
Voltando às fotos da Artemis II, é maravilhoso ver aquela esfera azul, pontilhada pelos continentes e coberta de nuvens, dançando no espaço, nascendo e se pondo contra a superfície da Lua.
E por que aquela água não “cai”, desaparece no espaço, mas é mantida aderida ao planeta?
Volto às minhas aulas de física ( confesso que nunca fui bom aluno de ciências exatas ), lembrando da Lei da Gravidade, que ensina que uma grande massa exerce uma atração por outra massa menor. Assim, o poderoso núcleo e a enorme massa da Terra “puxam” todas as coisas e pessoas do planeta, fazendo aderir os oceanos à superfície terrestre.
Nós humanos, que temos uma vida curta, custamos a entender esta longa existência da Terra, que passou e continua passando por grandes evoluções, gerando os fenômenos que nos trazem longas divagações.
Pensamentos de quem está de férias, gozando de um dolce farniente, recuperando as energias e com tempo para pensamentos filosóficos.
E curtindo o marulho gostoso das ondas…
* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

