Segundo apuração do Tribuna, a avaliação do CresciSP constatou que a área pública municipal vale R$ 29 milhões a mais do que o prédio do Colégio Marista
O Tribuna apurou que a avaliação de dois imóveis que a prefeitura de Ribeirão Preto e o Colégio Marista planejam permutar já foi entregue oficialmente ao governo municipal pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CreciSP). O relatório ficou pronto em dezembro do ano passado e até agora a conclusão não foi divulgada pela gestão Ricardo Silva (PSD).
De acordo com fontes ouvidas pelo Tribuna, a área pertencente à prefeitura – em área de aproximadamente 41 mil metros quadrados (40.928,38 m²) na confluência das ruas Palmyra Magnani Protti e Marcos Markarian, na região da avenida Braz Olaia Acosta, na Zona Sul – vale R$ 29 milhões a mais do que o prédio do Colégio Marista, localizado na rua Bernardino de Campos nº 550, no Centro.
O valor total de cada imóvel levantado pelo CreciSP não foi revelado. De acordo com o projeto de lei, a área pública institucional localizada na avenida Braz Olaia Acosta, com quase 41 mil m², foi avaliada pela Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis (Cati) em R$ 39.617.035. O setor é vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação.
Já o prédio do Colégio Marista foi avaliado em R$ 57.214.519,39. Segundo a prefeitura, a permuta “permitirá a instalação centralizada da sede administrativa do governo municipal sem qualquer custo para os cofres públicos, assegurando ainda um ganho patrimonial líquido superior a R$ 17,5 milhões (R$ 17.597.484,39)”, diz.
Porém, segundo fontes ouvidas pelo Tribuna, o terreno público vale bem mais do que o privado. No dia 1º de dezembro, a prefeitura de Ribeirão Preto retirou o projeto de lei complementar nº 47/2025, que trata da permuta, da pauta de votações da Câmara de Vereadores. A suspensão é temporária.
Diz que a decisão foi tomada em respeito à transparência do processo e à necessidade de assegurar que todas as informações técnicas estejam completas antes da apreciação legislativa.
“Assim que o CreciSP SP finalizar as avaliações pendentes, o projeto será reapresentado com total clareza, embasamento técnico e segurança jurídica, reforçando o compromisso da prefeitura com a responsabilidade administrativa, a transparência e o diálogo institucional”, disse à época.

A proposta tem recebido críticas de vereadores, entidades da sociedade civil organizada e moradores, que apontam possível subavaliação do terreno público envolvido na troca. Segundo as fontes ouvidas pelo Tribuna, devido ao resultado da avaliação, a prefeitura já teria elaborado ovo projeto de lei que estaria em fase de ajustes finais.
O Colégio Marista também teria aceitado pagar a diferença de R$ 29 milhões para o município, caso a proposta seja aprovada na Câmara. Se tudo der certo, a nova sede da prefeitura de Ribeirão Preto atenderá no prédio pertencente ao Colégio Marista a partir de julho de 2027. Já no terreno da prefeitura, a rede de educação pretende instalar sua nova unidade.
A avaliação destes dois imóveis é o primeiro passo de um acordo de cooperação técnica assinado pelo prefeito Ricardo Silva o CreciSP em novembro, na capital, com o presidente estadual do conselho. José Augusto Viana Neto. Outras áreas públicas também passarão por avaliação nos próximos cinco anos.

