Sérgio Roxo da Fonseca *
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Taís Roxo Fonseca *
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Nestes dias fomos procurados por alunos interessados na literatura jurídica tanto brasileira tanto no conhecimento atual como no mais antigo. Estivemos interessados tanto na esfera pública, como na privada.
Lembramos assim no trabalho já contextualizado por determinados autores do século XX, entre os quais visitamos o austríaco Wittgenstein , que nascendo na Áustria no final do século XIX, teve grande atuação durante o século XX na Inglaterra e no mundo. Até hoje!
Era ele filho de uma família judia já cristianizada. Sua família, vivendo em Viena, era composta por titulares de um patrimônio enorme, patrocinando o crescimento de seus filhos tanto na ciência quanto na arte. Wittgensstein era irmão de notáveis músicos.
Mas seu pai o encaminhou para o estudo técnico, tanto que na escola conviveu com Hitler, mas não por muito tempo, pois o seu pai o encaminhou para a Inglaterra com o objetivo de aperfeiçoar o seu conhecimento na construção de aviões.
Possivelmente o conhecimento teórico ali concebido o transportou para Londres onde acabou batendo nas portas dos principais mestres em filosofia, na extraordinária universidade inglesa.
Data daí a explosão da primeira grande guerra, que o levou a abandonar a Inglaterra, retornando para a Áustria, onde lutou por sua pátria até ser preso.
Seus professores ingleses bateram nas portas de sua prisão, em busca de sua libertação, mas também não foram atendidos até o momento em que formalmente foi libertado.
Retornando a Viena, tornou-se professor de alunos de cursos primários, transmitindo a ideia segundo a qual ali junto com as crianças, recebia um maior número de informações do que poderia fornecer.
Voltando para Viena, entrou em contato com o grupo de mestres que se reunia para debater o direito e a filosofia. O principal mestre, Moritz Schlick, de origem alemã, acabou sendo morto na porta da universidade, no momento em que o nazismo se expandia pela Europa. Quase todos grandes mestres deixaram a Áustria e partiram para os Estados Unidos.
Wittigenstein partiu par a Inglaterra quando então teve uma grande atuação na Universidade de Londres, convertendo-se no grande mestre em filosofia, concorrendo com os notáveis professores.
Na época de sua prisão já havia iniciado a produção de seu extraordinário livro “Tractatus Logico-Philosophicus” . Esta obra já foi traduzida no Brasil.
A sua convivência na Universidade de Londres, curiosamente, registra sua passagem como coordenador de um debate teórico ao lado de outro mestre de Viena. Não teriam concordado um com o outro, fez com o que suspendesse a reunião dos filósofos.
Algumas de suas palavras:
“O mundo é tudo o que é o caso. O mundo é a totalidade dos fatos não das coisas. Se o mundo é a totalidade dos fatos, a totalidade dos fatos determina, pois, o que é o caso e também tudo que não é o caso”. “Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo”.
* Advogado, professor livre docente aposentado da Unesp, doutor, procurador de Justiça aposentado, e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras
** Advogada

