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Psicologia & Neurociência (8): O quão inteligentes são os presidentes?

José Aparecido Da Silva*

 

A inteligência geral é uma das variáveis que mais impacto têm apresentado nas diferentes arenas da vida. Este impacto, entretanto, é corroborado em cinco diferentes níveis, a saber: (1°) inteligência está estritamente associada à complexidade cognitiva necessária para lidar com as demandas da vida moderna, (2°) a capacidade cognitiva é o mais simples e melhor preditor do desempenho no emprego em grande variedade de ocupações, (3°) as diferenças individuais em inteligência correlacionam-se positivamente com o desempenho do líder, (4°) esta correlação mantém-se para uma forma mais especializada de liderança, isto é, o desempenho dos líderes políticos e, mais especificamente, (5°) a inteligência estimada tem uma correlação positiva com o desempenho dos presidentes norte-americanos.

Em estudo recente, dados indicaram que os escores de QI estimados, na infância e na adolescência, para 42 presidentes norte-americanos, desde George Washington a G. W. Busch, foram correlacionados com o brilhantismo intelectual, a flexibilidade emocional e medidas de desempenho de liderança dos mesmos, coletados em 12 fontes que estimaram a grandeza presidencial. Como resultado, ficou demonstrado que os escores de QI são os maiores preditores do sucesso presidencial, assim como, que o impacto da inteligência sobre a grandeza presidencial não tem mudado ao longo da história americana. Escores do quilate de 138,5 (G.W. Busch), 140 (G. Washington), 150 (Lincoln), 159 (Clinton), 159,8 (Kennedy), 160 (Thomas Jeferson) e 175 (J. Q. Adams) excedem, em muito, a média 105 do cidadão americano comum, demonstrando que o exercício que lhes coube demanda uma alta capacidade para lidar com grandes quantidades de informação complexa e detalhada, incluindo fluência e eloquência verbal, bem como, alta capacidade e sofisticação no raciocínio lógico. Tal fato, em termos estatísticos, indica que, a inteligência no primeiro escalão localiza-se no cimo dos 5% da distribuição dos escores de inteligência, ou seja, no nível mais elevado de capacidade cognitiva da população norte-americana.

Outro dado relevante do mesmo estudo é que a liderança do presidente é refletida, e muito, no seu desempenho intelectual. Em parte, porque inteligência é associada a carisma e criatividade, em parte porque é associada à originalidade de ideias, profundidade de apreensão, atividade cognitiva dinâmica e versatilidade cultural. Logo, o progresso e alcance das ações de um presidente estão diretamente relacionados ao quão inteligente eles são. Dominar complexidades, desempenhar e liderar bem e ser hábil em negociações, as mais diversas, são alguns dos ingredientes ativos que a presidência de uma nação exige de seu líder maior.  E as inteligências dos nossos candidatos à presidência? Você com algum esforço, poderia estimá-las usando um procedimento desenvolvido, em 1926, por Catherine Morris Cox. O procedimento dá certo. Veja a literatura sobre estimativas da inteligência das grandes personalidades…você decide.

Ou, como dizia o poeta, para ser “grande”, um presidente precisa ser “inteiro”, ser “todo” em cada coisa, pois, é sendo inteira e toda que a lua, no alto céu, brilha mais.

 

Professor Titular Sênior – USP-RP*

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