José Eugenio Kaça *
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O otimismo é uma disposição mental, que se afirma em aspectos positivos esperando que as dificuldades sejam superadas pela ação. A chegada do século 21 despertou nos otimistas uma ilusão de que o século 21 seria o século da redenção da humanidade, pois o terceiro milênio iria trazer a paz mundial tão esperada, mas às energias cósmicas fluíram em outra direção, e a paz esperada não aconteceu, e sim um grande retrocesso, pois a Idade Média foi o exemplo escolhido pelos fundamentalistas como sendo à época de ouro da convivência humana na Terra. O otimismo foi atropelado pelo fundamentalismo religioso, que se apoderou da pauta política, e estão rapidamente levando o rebanho para o abismo.
A educação formal é considerada o alicerce de uma nação desenvolvida, entretanto, no Brasil este alicerce foi construído sem as normas técnicas exigidas, causando diversas fissuras, que se tornaram um problema de difícil solução, e com isso tem que ser remendado o tempo todo. A educação básica, que começou com os Jesuítas, num processo militarizado, até o advento da República quase não mudou, pois para a população em geral os ensinamentos eram parcos, e para os filhos dos senhores de engenho era ministrada uma educação de nível médio, para depois estes rebentos irem para a metrópole cursar direito na Universidade de Coimbra, e depois voltarem para o Brasil para exercer dar continuidade nas políticas coronelista, ou ser advogado numa terra que sem lei.E este atraso condicionado pelo coronelismo compromete a educação básica pública até os dias de hoje.
E como a educação libertadora, proposta por grandes educadores brasileiros como: Paulo Freire, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Carneiro Leão, Darcy Ribeiro e outros, nunca por conta do fundamentalismo religioso e de ideias retrógradas conseguiu a materialidade desejada. E os resultados positivos foram minimizados e ocultados. E com isso às políticas educacionais foram percorrendo o caminho da exclusão e da segregação, e a tão sonhada cidadania escoou pelo ralo.A Democracia é vendida como sendo o único regime que promove o bem estar social, pois reza a lenda, que a Democracia é o regime em que o povo exerce o poder por meio de representantes eleitos, que deveriam ser a voz do povo no poder defendendo seus direitos, mas alguma coisa deu errado.A base da pirâmide social brasileira é larga, tendo a grande massa da população de menor renda sustentando em seus ombros o peso das regalias da chamada “elite”que vive e desfruta dos privilégios de viver no topo. Vendem para o povo a ideia da meritocracia, com o argumento que todos têm as mesmas vinte quatro horas no dia – é só saber aproveitar.
A ideia da meritocracia não se sustenta, pois, a realidade não é igual para todos. A herança escravocrata vive no âmago da chamada “elite” até os dias de hoje, e o velho ódio e desprezo que tinham pelos escravizados, nutrem nos dias atuais pelo povo pobre, que por coincidência é de maioria preta e parda. O Brasil nunca teve um plano de desenvolvimento, com prazos definidos, e tendo as etapas concluídas dentro do prazo, de acordo com o planejado. Os projetos, com raras exceções, não são projetos de Estado, cada ocupante do poder da vez, promove seus projetos pessoais, sem ouvir quem paga a conta. O Plano Nacional de Educação é o único plano, com metas e prazos definidos para a educação, mas a velha política coronelesca boicota os Planos desde 1962, pois a primeira diretriz do Plano de 1962 era erradicar o analfabetismo no Brasil, e como essa diretriz não é cumprida, se repete em todos os Planos, inclusive no último Plano promulgado em 2014.
O povo ouve falar que o melhor regime é o democrático, pois é ele povo, que vai governar através de seus representantes, entretanto, a realidade desmente essa afirmação. Para Platão, a democracia é definida como um governo da maioria, onde reina a liberdade e a igualdade entre desiguais, porém, argumenta que a democracia tem falhas severas no sistema, pois permite que líderes demagogos manipulem as emoções e os desejos da população, e preparam o terreno para um regime de exceção. A ocupação do parlamento brasileiro por grandes demagogos, mostra que Platão tinha razão, estão preparando o caminho para um regime de exceção, e o povo iludido acha que estão falando em liberdade. SÓ SE FAZ DEMOCRACIA COM O POVO NAS RUAS!
* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

