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Um Programa de Desenvolvimento Profissional Docente em Neurociência aplicada à Educação

Rosemary Conceição dos Santos*

 

Estudo que avaliou a autoeficácia docente antes e após a participação dos mesmos em um programa de formação em neurociência aplicada à Educação revelou que os mestres sentiram modificação em suas experiências de domínio, bem como na capacidade de aprender, sentir ou adquirir comportamentos através da observação dos outros, sem precisar vivenciar a situação diretamente (experiências vicárias) e em sua persuasão verbal. O programa, intitulado “Ciências da Vida na Escola”, foi desenvolvido por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, tendo por objetivo propiciar conhecimentos específicos das neurociências que pudessem aprimorar as práticas educativas de professores da Educação Básica de ensino, bem como, impactar no desenvolvimento da autoeficácia docente. De acordo com seus autores, uma vez que a formação de professores, e as competências necessárias para sua atuação profissional, estão em debate no contexto das políticas públicas educacionais desde o final dos anos 90, a relevância de temas relacionados com a área das neurociências ganha destaque quando foca uma melhor compreensão do funcionamento cerebral e de suas especificidades, os quais em muito contribuem para o desenvolvimento profissional daqueles que ensinam.

Realizado em duas fases, na primeira, o programa ocorreu como um curso preparatório em neurociências, na modalidade de ensino à distância. Nele, 26 participantes iniciaram e finalizaram o módulo de forma voluntária, respondendo a todos os instrumentos propostos (Questionário sociodemográfico; Escala de autoeficácia docente; Questionário de Estratégias de Aprendizagem e Questionário de reação aos procedimentos instrucionais). De acordo com os pesquisadores, com base no delineamento quase-experimental, foram realizadas três etapas, com aplicação dos instrumentos na primeira etapa, realização da formação específica dos professores na segunda etapa e aplicação dos instrumentos na terceira etapa. Os dados quantitativos foram transpostos para o programa estatístico JASP, sendo utilizado o nível de significância alfa de 5% para todas as análises estatísticas. Por sua vez, na segunda fase, os pesquisadores intensificaram o teor de três temas das neurociências, propondo um ensino-aprendizagem mais interativo entre a equipe do programa e os participantes. As comparações em pares revelaram uma diferença significativa na escala de autoeficácia docente nas medidas de estratégias instrucionais (o que motiva e desperta o interesse dos alunos em seu processo de aprendizagem) e na gestão de sala de aula (o que se refere à forma como os professores percebem sua capacidade de supervisionar os comportamentos dos alunos). Entretanto, não encontraram diferença nas medidas de engajamento dos alunos, fato que sugere a possibilidade de o programa não ter afetado a capacidade dos professores perceberem suas estratégias de ensino e avaliação.

Por adição, em relação à avaliação dinâmica do programa, enquanto processo, houve maior concentração de respostas nos pontos mais altos da escala de estratégias de aprendizagem, com destaque para as estratégias de elaboração e aplicação prática e controle da motivação. Observou-se, também, que os professores julgaram a qualidade do curso de forma excelente, com uma correlação positiva entre os fatores da escala de autoeficácia docente e os fatores de estratégias de aprendizagem autorregulatórias. Desta forma, esta pesquisa é bastante relevante na área da educação, uma vez que seus resultados pontuam benefícios diretos aos professores da Educação Básica de Ensino por meio dos conhecimentos adquiridos, acenando para a relação de possíveis políticas públicas embasadas nos mesmos.

A dissertação de mestrado Avaliação de um programa de desenvolvimento profissional docente em neurociência aplicada à educação, realizada pela pesquisadora Raquel Messi Falcoski, sob a orientação do Prof. Dr. Fernando Eduardo Padovan-Neto, foi apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, como parte das exigências para o título de Mestre em Ciências, na Área de Psicobiologia.

 

USP / FAPESP*

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