Jornalista apresentou um dos eventos de premiação do Top of Mind, do Tribuna Ribeirão, em 2004
A morte do jornalista Renato Machado, um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, foi confirmada nesta quinta-feira, 16 de julho. Ele tinha 83 anos e estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.
Machado trabalhou por 40 anos na Globo e ficou conhecido como apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Na emissora, ele também passou pelo Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional e repórter especial. O contrato foi encerrado em 2021.
Ele também apresentou um dos eventos de premiação do Top of Mind, em 2004, na já extinta sede da Sociedade Recreativa e de Esportes de Ribeirão Preto (Recra Cidade), organizado pelo Tribuna para homenagear as marcas mais lembradas pela população local.
Após deixar a televisão, Renato Machado manteve contato com o público por meio das redes sociais. No Instagram, onde reunia 130 mil seguidores, compartilhava conteúdos sobre música, viagens e vinhos, temas que passaram a ocupar espaço em sua rotina.
Em março de 2024, o jornalista passou uma semana internado em um hospital no Rio de Janeiro, onde realizava exames. Na época, ele atualizou a alta pelas redes sociais com bom humor: “Olá, amigos É bom reencontrar vocês. Eu estive uma semana no estaleiro para ajeitar algumas partes mecânicas. Foi uma determinação dos médicos e a boa notícia é que está tudo bem.”
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) emitiu nota em que “lamenta, com profundo pesar, a morte do jornalista Renato Machado, um dos mais respeitados e admirados profissionais da imprensa brasileira, ocorrida nesta quinta-feira (16), no Rio de Janeiro.”
“Seu legado permanecerá como referência para gerações de jornalistas e comunicadores, inspirando a prática de um jornalismo ético, responsável e comprometido com o interesse público”, diz.
Colegas de trabalho e amigos de Renato Machado relembraram os momentos que viveram ao lado do jornalista e prestaram homenagens ao veterano Renata Vasconcellos, apresentadora do Jornal Nacional, recordou a longa parceria e amizade construída ao longo de quase uma década de convivência no Bom Dia Brasil, da TV Globo.
Em conversa ao vivo com Ana Maria Braga no Mais Você, Renata destacou a generosidade e a elegância que marcaram a trajetória de Renato Machado. “O Renato foi um farol na minha vida. Ele me ensinou muito. Uma pessoa extremamente generosa, de um senso de humor inteligente e peculiar, sarcástico e agradável. Encantava também pela capacidade de raciocínio”, disse. “Gostava da beleza das artes, de música, de comer e beber bem, da beleza do mundo e da vida”.
Para o apresentador e repórter do Globo Repórter, William Bonner, Renato era “um símbolo de serenidade e de elegância”, além de uma voz respeitada nas discussões editoriais graças à experiência, inteligência e discernimento. “Para todos nós do jornalismo da Globo, o Renato sempre foi um símbolo de serenidade e de elegância. Era uma voz a ser ouvida sempre, em relação a qualquer assunto de natureza editorial, porque era alguém com enorme experiência e com grande discernimento”, disse.
Também nas redes sociais, a jornalista Cecilia Malan, correspondente da TV Globo em Londres, agradeceu pelos ensinamentos que recebeu do veterano e destacou a influência dele em sua trajetória profissional. “Ainda digerindo essa perda dolorosa. Renato foi meu primeiro chefe. Um mentor há 21 anos. Jornalista exigente, tinha um texto conciso, preciso e delicioso”, disse.
A jornalista e apresentadora Leilane Neubarth relembrou a amizade construída ao longo de anos de convivência profissional. Ex-colegas no Bom Dia Brasil, eles trabalharam juntos por cerca de sete anos na bancada do telejornal.
“Eu adoraria falar do Renato de todas as maneiras, e não desse momento. Na semana passada, quando eu me despedia (do jornalismo diário), ele me mandou uma mensagem linda: ‘Parceira, estou muito emocionado com sua decisão’. E marcamos de nos encontrar assim que ele melhorasse. Ele estava internado”, contou Leilane ao Conexão GloboNews.
A jornalista destacou ainda a admiração que tinha pelo colega e lembrou seu perfil elegante e sua trajetória marcante. “Eu brincava que ele era um sangue azul e eu um polvo. Renato era um lorde, um príncipe. Aprendi muito com ele”, afirmou.

