Tribuna Ribeirão
DestaqueEconomia

Novas tarifas dos EUA atingem 23,1% das exportações brasileiras

Cerca de 1,9% das exportações brasileiras, incluindo o açúcar, estão sujeitas exclusivamente à tarifa adicional de 25% | Reprodução

Por Flávia Said

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta sexta-feira, 24, que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em julho atingem 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao país. Outros 52,7% dos embarques permanecem sem sobretaxas setoriais ou específicas contra o Brasil.

Segundo a pasta, 1,9% das exportações brasileiras, incluindo o açúcar, estão sujeitas exclusivamente à tarifa adicional de 25%, estabelecida após investigação dos Estados Unidos com base na Seção 301.

Outros 4,7% dos produtos enfrentam apenas uma sobretaxa de 12,5%, adotada pelos norte-americanos contra países que, segundo o governo dos EUA, não tomariam medidas suficientes para impedir o uso de trabalho forçado nas cadeias globais de produção. Entre os itens estão pescados, minérios, óleos essenciais e produtos de perfumaria.

Já 16,5% das exportações são afetadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, ficam sujeitas a uma tarifa acumulada de 37,5%. Nesse grupo estão máquinas e equipamentos, madeiras, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Além disso, 24,2% das vendas brasileiras estão submetidas a tarifas setoriais aplicadas, em regra, a todos os países, com base na Seção 232 da legislação norte-americana.

De acordo com o MDIC, 52,7% das exportações brasileiras permanecem sujeitas apenas às tarifas ordinárias dos Estados Unidos. Estão nessa categoria produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, produtos químicos, ferro fundido e grande parte das exportações de celulose.

A sobretaxa de 25% entrou em vigor na quarta-feira, 22, mas não será aplicada às mercadorias embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que cheguem aos Estados Unidos até 29 de julho.

A tarifa adicional de 12,5% integra uma medida aplicada a 41 economias. Outros 19 países foram submetidos a uma alíquota de 10%. Quando as duas tarifas da Seção 301 incidem sobre o mesmo produto, as porcentagens são acumuladas. As sobretaxas, porém, não se aplicam aos produtos já alcançados pelas medidas setoriais da Seção 232.

Comércio bilateral desacelera

O MDIC também apontou uma desaceleração das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos após os níveis historicamente elevados registrados nos últimos anos.

Segundo a pasta, o movimento ocorre em um ambiente de crescente incerteza sobre a política comercial norte-americana, marcado pela ampliação de tarifas, adoção de medidas restritivas e frequentes mudanças nas condições de acesso ao mercado.

Depois de atingirem o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026.

No primeiro semestre deste ano, os embarques brasileiros somaram US$ 17,4 bilhões, retração de 13% em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi influenciado principalmente pela queda de 30,4% nas vendas de petróleo bruto e de 21,7% nos embarques de produtos de ferro ou aço.

Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram, contribuindo para uma redução de 12,8% na corrente de comércio entre os dois países.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Tarcísio e Ramuth vem à região neste sábado e domingo

Redação

Hospitais comprometidos e plano emergencial mobilizado

Redação

‘Leão’ libera consulta 
a lote do IR

Redacao 5

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade