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Ribeirão registra 524 casos de HIV e aids em dois anos

I HIV é o vírus da imunodeficiência humana, enquanto a aids é a fase mais avançada da infecção. Com diagnóstico e tratamento adequados, uma pessoa que vive com HIV pode não desenvolver aids | Reprodução

Ribeirão Preto registrou 524 novos casos de HIV e aids entre 2023 e 2024, segundo levantamento da Secretaria Municipal da Saúde. Desse total, 178 foram casos de aids, sendo 86 em 2023 e 92 em 2024. Outros 346 foram diagnósticos de infecção pelo HIV sem evolução para aids, com 181 registros em 2023 e 165 em 2024.

A Secretaria informou ainda a ocorrência de 47 mortes no período, sendo 25 em 2023 e 22 em 2024.

Atualmente, 5.980 pessoas que vivem com HIV são acompanhadas e recebem tratamento na rede municipal. HIV é o vírus da imunodeficiência humana, enquanto a aids é a fase mais avançada da infecção. Com diagnóstico e tratamento adequados, uma pessoa que vive com HIV pode não desenvolver aids.

Segundo a Secretaria, os dados epidemiológicos passam por consolidação e revisão antes do fechamento anual, conforme normas e diretrizes do Ministério da Saúde. Por isso, os números referentes a 2025 deverão ser disponibilizados pela pasta em dezembro.

Atendimento

A rede municipal de saúde de Ribeirão Preto oferece gratuitamente medicamentos e acompanhamento às pessoas que vivem com HIV. A testagem pode ser realizada nas unidades de saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Os CTAs atuam principalmente na prevenção, orientação e diagnóstico. Após a confirmação, a pessoa é encaminhada ao Serviço de Assistência Especializada (SAE), responsável pelo acompanhamento e tratamento. Os medicamentos podem ser retirados na farmácia do próprio serviço.

A rede também oferece estratégias de prevenção, como a distribuição de preservativos e a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), disponível nos cinco ambulatórios especializados, mediante realização de exames e acompanhamento de profissionais de saúde.

A PrEP é destinada a pessoas que não vivem com HIV e utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao vírus. A versão oral é formada pela combinação de tenofovir e entricitabina. Quando utilizada corretamente, oferece proteção superior a 99% contra a infecção pelo HIV.

Ribeirão Preto possui cinco unidades que oferecem serviços de testagem, aconselhamento e atendimento especializado. São elas: CTA Central, na rua Prudente de Morais, 35, no Centro; CTA Norte, na rua Ribeirão Preto, 1.070, na Vila Mariana; CTA José Roberto Campi, na rua Abílio Sampaio, 637, na Vila Virgínia; CTA do Centro de Saúde Escola Cuiabá, na rua Terezina, 690, no Sumarezinho; e CTA da UBDS Castelo Branco, na rua Dom Luís do Amaral Mousinho, 3.300, no Castelo Branco.

Janela imunológica

A janela imunológica é o intervalo entre a infecção pelo HIV e o momento em que ela pode ser detectada pelos testes. Nesse período, o organismo ainda pode não ter produzido quantidade suficiente de anticorpos, o que pode resultar em um teste não reagente mesmo que a pessoa esteja infectada.

De acordo com o Ministério da Saúde, a janela imunológica é, em geral, de 30 dias. Caso permaneça a suspeita de infecção, a orientação é repetir o teste após esse período. Mesmo durante a janela imunológica, o HIV pode ser transmitido.

Se a possível exposição tiver ocorrido há menos de 72 horas, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde para avaliar a indicação da Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP).

Números no Brasil

Entre 1980 e setembro de 2025, o Brasil registrou 1.679.622 pessoas com HIV ou aids nos sistemas oficiais de informação, segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde. O número é acumulado e não corresponde necessariamente ao total de pessoas atualmente vivas ou em tratamento.

A distribuição regional permanece concentrada no Sudeste, com 47,3% dos registros, seguido pelas regiões Sul, com 19%; Nordeste, com 18,5%; Norte, com 8,3%; e Centro-Oeste, com 6,8%.

A rede municipal possui cinco Centros de Testagem e Aconselhamento; um deles funciona na rua Prudente de Morais, 35, no Centro de Ribeirão Preto | Créditos: Alfredo Risk

Entre as Unidades Federativas, São Paulo concentra o maior número absoluto de registros, com 433.347, o equivalente a 25,8% do total. Em seguida aparece o Rio de Janeiro, com 215.354 registros, ou 12,8%.

De acordo com o boletim, esse padrão reflete, em parte, o tamanho da população, a intensidade da epidemia e a capacidade de diagnóstico e acompanhamento em cada localidade.

A razão entre os sexos, que era de 13 homens com HIV ou aids para cada dez mulheres em 2003, apresentou crescimento contínuo a partir de 2004. Em 2024, chegou a 28 homens para cada dez mulheres, evidenciando maior concentração dos registros entre pessoas do sexo masculino.

PrEP injetável poderá ser oferecida pelo SUS ainda em 2026

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá começar a oferecer ainda em 2026 uma nova modalidade de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), aplicada por injeção. A possível incorporação do cabotegravir injetável, entretanto, ainda depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), da decisão final do Ministério da Saúde e das negociações para a compra do medicamento.

A proposta foi encaminhada à Conitec e deverá ser analisada em agosto. A comissão considera evidências científicas, segurança, eficácia e custo-benefício antes de recomendar ou não a oferta de uma nova tecnologia pelo sistema público.

O medicamento de ação prolongada é aplicado por via intramuscular a cada dois meses e atua impedindo a replicação do HIV. A possibilidade de oferta ainda neste ano dependerá da aprovação e da conclusão das negociações comerciais e operacionais.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a GSK, controladora da ViiV Healthcare, responsável pelo desenvolvimento do cabotegravir, o preço e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas.

“Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo aos sistemas nacionais de saúde, com os preços adequados, não preços estratosféricos”, declarou o ministro.

O custo deverá ser determinante para a escolha da modalidade de PrEP injetável. Outro medicamento, o lenacapavir, oferece proteção por seis meses, mas, segundo Padilha, foi apresentado ao governo por um valor considerado inviável.

A principal vantagem da PrEP injetável em relação à versão oral é a possibilidade de facilitar a adesão à profilaxia, uma vez que, no esquema diário, os comprimidos precisam ser tomados todos os dias para manter a proteção.

O estudo ImPrEP CAB Brasil acompanhou 1.447 participantes, com idades entre 18 e 30 anos, em seis cidades brasileiras. Entre eles, 83% escolheram a PrEP injetável de longa duração e 17% optaram pela versão oral.

Das 5.041 injeções de cabotegravir aplicadas durante o estudo, 94% foram administradas dentro do período estipulado. Entre os participantes que escolheram a modalidade injetável, não houve diagnóstico de HIV durante o período analisado.

Os resultados indicaram adesão de 96,2% à PrEP injetável, ante 64,1% à versão oral. Segundo os pesquisadores, a disponibilidade de diferentes modalidades de prevenção pode ampliar a cobertura da PrEP e atender pessoas que enfrentam dificuldades com o uso diário de comprimidos.

Outro estudo divulgado pela ViiV Healthcare e pela GSK demonstrou alta eficácia do cabotegravir injetável, com taxa anual de infecção pelo HIV de aproximadamente 0,1% entre os participantes que receberam o medicamento.

 

Novos casos de aids em Ribeirão Preto

2023 – 86
2024 – 92
Total – 178

Novos diagnósticos de HIV sem aids

2023 – 181
2024 – 165
Total – 346

Total de casos de HIV e aids

2023 – 267
2024 – 257
Total – 524

Mortes

2023 – 25
2024 – 22
Total – 47

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