Flores dessa espécie surgem geralmente com tempo seco e frio, que vai do final do inverno ao outono
Em maio ao temporal que derrubou mais de 1.400 árvores, a florada dos ipês começa a mudar a paisagem de Ribeirão Preto. Enquanto grande parte das árvores seca com pouca chuva e o período de estiagem prolongada, as flores dessa espécie surgem geralmente com tempo seco e frio, que vai do final do inverno ao outono – a primavera começa em 22 de setembro –, mas o período exato e a duração variam de acordo com a categoria e as condições climáticas.
O ipê-roxo floresce primeiro, seguido pelo rosa, amarelo e, por último, o branco. Essa beleza natural é um espetáculo da natureza brasileira, que se manifesta quando a umidade do ar diminui, fazendo com que as árvores direcionem sua energia para a produção de flores, que atraem polinizadores para a reprodução.
O repórter fotográfico Alfredo Risk captou imagens em quatro pontos das zonas Oeste e Sul de Ribeirão Preto antes e depois do temporal de 24 de julho, que chegou acompanhado de rajadas de vento de até 120 km/h. Em um dos endereços, na rua São José, na altura do número 2.590, no Jardim Sumaré, a foto do ipê-rosa com a inflorescência havia sido tirada dois dias antes do vendaval. 
O ipê-rosa perdeu todas as flores após o fenômeno climático. Risk retornou ao local depois do temporal: o ramalhete já não existia mais. Porém, o fotógrafo ainda captou imagens de ipês-brancos em outros três pontos da cidade depois do vendaval.
Um fica na avenida Monteiro Lobato, na Vila Virgínia, na região Oeste de Ribeirão Preto. As outras duas árvores estão na Zona Sul: na rua Adolfo Mantovani, no Jardim Califórnia, e na rua José Curvelo da Silveira Júnior, na Vila Ana Maria.
No ano passado, nesta época do ano, os ipês-rosas já estavam decorando o canteiro central da avenida Braz Olaia Acosta, no Jardim Califórnia. Já na Rodovia José Fregonezi (SP-328), que liga a cidade ao distrito de Bonfim Paulista, um solitário ipê-amarelo chamava a atenção devido à copa frondosa.
A falta de água no inverno é um fator crucial para a floração do ipê. A luz solar e a temperatura ambiente também são importantes para o desenvolvimento da planta. O florescimento geralmente ocorre em árvores com mais de cinco anos. Uma boa adubação é importante para a saúde da planta e para a formação das flores.
A típica árvore de ipê é a denominação de uma grande variedade de espécies do gênero Tabebuia e Handroanthus, sinônimos e ambos da família Bignoniaceae. É muito conhecido por sua beleza, exuberância das flores e ampla distribuição em todas as regiões do Brasil. Os ipês são caducifólias, ou seja, perdem todas as folhas que são substituídas por cachos de flores de cores intensas. São árvores de grande porte que gostam de calor e sol pleno.
Atualmente, o pau-brasil é a árvore nacional e o ipê é considerado a flor nacional. Suas flores possuem forma de funil, como se fossem uma cornetinha, podem ser elas amarelas, roxas, rosas, brancas e até verdes. Floresce entre junho e novembro, começando pela cor roxa e rosa, depois o amarelo e por último o branco. Elas caem no decorrer de uma semana, cobrindo o chão com a sua cor.
O nome ipê origina-se da língua indígena tupi e significa casca dura. O mesmo também é conhecido como pau d’arco, porque antigamente os índios utilizavam a madeira dessas árvores para fazerem os seus arcos de caça e defesa. Ou seja, há muito tempo o ipê é utilizado como matéria-prima em razão da boa qualidade da madeira.

Tem como características principais o fato de ser muito densa e forte, pesada e dura, difícil de serrar, tem grande durabilidade mesmo quando em condições favoráveis ao apodrecimento e alta resistência aos parasitas e à umidade.
Considerado uma madeira nobre, o Ipê possui um material excelente para estrutura de obras, em ambientes externos e até mesmo em detalhes decorativos. Pode ser usado também em construções de pontes, vigas, esquadrias, pisos, escadas, móveis, peças, na fabricação de instrumentos musicais, de portas e janelas, dentre muitas outras finalidades.
Ipê-amarelo – Handroanthus ochraceus ou Tabebuia ochracea: espécie comum nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, sua árvore pode alcançar de 6 até 14 metros de altura e tronco de 30 a 50 cm. Suas flores são amarelas e costumam florescer a partir do final de julho até setembro. Sua florada é exuberante e fantástica, muito utilizada no paisagismo, podendo ser considerada uma das mais belas dentre as espécies de ipês.
Ipê-branco – Handroanthus roseoalba ou Tabebuia roseoalba: esta árvore possui em média de 7 a 16 metros de altura e seu tronco de 40 a 50 cm de diâmetro, é raramente encontrada na caatinga do nordeste brasileiro, mas muito comum no sudeste e centro-oeste. Possui flores brancas, podendo ser encontradas até em tons rosados, floresce de agosto a outubro. Esta espécie se adapta bem a terrenos secos e pedregosos, também é excelente para o paisagismo em geral.
Ipê-rosa – Tabebuia avellanedae ou Handroanthus avellanedae: ocorre com mais frequência no Sul do país, desde o Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul. Pode alcançar de 20 até 35 metros de altura, com tronco ereto e cilíndrico de 60 a 80 cm de diâmetro. Suas flores possuem tons de rosa e roxo, floresce de junho a agosto. É a espécie de ipê mais comum no paisagismo do sul do Brasil, quando em flor é uma árvore muito bela, um grande espetáculo da natureza.

Ipê-roxo ou sete-folhas – Handroanthus heptaphyllus ou Tabebuia heptaphylla: possui altura média de 10 a 20 metros e corre principalmente no nordeste e sudeste do país, seu tronco tem de 40 a 80 cm de diâmetro e é revestido por casca áspera cinzenta. Suas flores são roxas e aparecem durante julho até setembro. É uma das espécies mais populares no paisagismo brasileiro, por sua beleza quando em floração, também muito utilizada na arborização de ruas e avenidas, além de reflorestamentos.

