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CPI do Palestra ouve três pessoas

Clube centenário foi vendido (Alfredo Risk)

Lucas Gabriel Pereira afirmou que o tombamento e o destombamento do Palestra Itália foram regulares e obedeceram à legislação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara de Ribeirão Preto para apurar os fatos, circunstâncias, procedimentos, legalidade, transparência e eventual responsabilidade relacionados à venda do Clube Palestra Itália ouviu três pessoas nesta segunda-feira, 10 de agosto.

O ex-presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac), o advogado Lucas Gabriel Pereira, afirmou que o tombamento e o destombamento do imóvel foram regulares e obedeceram à legislação, como a lei complementar nº 2.799 de 2016 que regula as normas de proteção do patrimônio histórico.

Alfredo Risk
Lucas Gabriel Pereira disse à CPI que processo de destombamento foi legal: Natália Barbosa Hetem e Maria Eugênia Biffi não estavam nos cargos


O tombamento provisório do clube como Patrimônio Histórico e Cultural ocorreu em 2024 e foi anulado em abril deste ano pelo próprio colegiado, que nas duas ocasiões era presidido por Lucas Gabriel Pereira. Na época, o presidente do Palestra Itália, Ruy Gianota, pediu, por meio de oficio, que a prefeitura e o conselho tombassem o imóvel.

O ex-presidente do conselho ainda afirmou que destombamento provisório ocorreu  porque, após análise, o Conppac teria concluído que não havia elementos históricos suficientes a serem preservados. Perguntado se o processo poderia ter beneficiado alguma pessoa financeiramente, ele afirmou que desconhecia essa possibilidade.

A atual presidente do Conppac, Natália Barbosa Hetem, e a secretária municipal de Cultura e Turismo, Maria Eugênia Biffi, também prestaram depoimento. Entretanto, como o tombamento provisório foi feito em 2024, na administração passada, Magê não era secretária e não poderia se manifestar sobre o assunto.

Destacou ainda que o Conppac tem poder deliberativo e cabe ao órgão a decisão final, restando ao Executivo acatar as decisões do colegiado. Já a atual presidente do conselho foi eleita este ano e assumiu o cargo após o destombamento.

A comissão foi criada a pedido de Rangel Scandiuzzi (PSD), presidente da CPI, que conta também com o vice Franco Ferro (PP) e o relator Sargento Lopes (PL). O trio terá prazo inicial de 120 dias para apresentar relatório, com possibilidade de prorrogação.

O clube foi vendido, recentemente, por R$ 6,75 milhões para as construtoras DZ Empreendimentos Imobiliários, de São Paulo, e Golden Business, de Ribeirão Preto. A compra foi anunciada no dia 30 de junho e prevê o pagamento a vista de R$ 2 milhões e o restante em 30 parcelas mensais no valor de R$ 157,5 mil cada, com correção inflacionária.

Ao anunciar a compra, os empreendedores disseram que o clube deverá ser revitalizado. Localizado na rua Padre Euclides, nos Campos Elíseos, Zona Norte, o clube tem um quarteirão de extensão, o equivalente a 19 mil metros quadrados de área. Abrange ainda as ruas Capitão Salomão e Sergipe. Conta com sala para hidromassagem, piscinas, campos de futebol, bar, área externa infantil e salão de festas.

Em seu auge, nas décadas de 1970 e 1980, chegou a ter oito mil sócios, mas em 2024 tinha apenas 500, somando contribuintes e aqueles com títulos remidos. A agremiação marcou a história do município por ter sido o principal ponto de encontro e lazer para as famílias de operários que atuavam nas indústrias locais ao longo do século passado.

O Palestra Itália enfrentava graves problemas financeiros. Entre eles, débitos com funcionários que foram dispensados durante o período de decadência do clube entre 2007 e 2009. Em 2021, quando teve seu patrimônio avaliado em R$ 17 milhões, foi colocado a leilão por duas vezes pela Justiça de Ribeirão Preto para quitação das dívidas fiscais e trabalhistas. Entretanto, na época, não houve interessados. 

O clube, fundado em 1917 por imigrantes italianos, tem valor histórico para a cidade e para os descendentes de trabalhadores que vieram da Itália para fugir da guerra e da fome. Em 23 de novembro de 1964, o então prefeito Welson Gasparini (Arena, na época) deu ao Palestra o título de utilidade pública municipal.

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