| Por: Adalberto Luque |
Os médicos que participaram da cirurgia de separação das gêmeas siamesas Heloísa e Helena explicaram, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (18), que as meninas chegaram a ser completamente separadas, mas apresentaram instabilidade hemodinâmica logo após a conclusão do procedimento. Segundo a equipe, uma delas apresentou pressão arterial elevada e a outra, pressão baixa.
A entrevista coletiva ocorreu no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A quinta e última cirurgia começou no sábado (15) e durou cerca de 15 horas. A separação completa ocorreu por volta das 23h, quando foram desligadas as últimas estruturas que ainda uniam as meninas.
Segundo o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior, Helena permaneceu viva por cerca de dois minutos após a separação. Em seguida, sofreu uma parada cardiorrespiratória. Heloísa permaneceu viva por aproximadamente 12 minutos antes de também apresentar uma parada.

Farina afirmou que a equipe utilizou todos os recursos e medicamentos disponíveis na tentativa de reverter as paradas, mas não conseguiu restabelecer as condições das crianças. O médico explicou ainda que várias instabilidades apresentadas durante as 15 horas de cirurgia foram revertidas ao longo do procedimento.
Até a última etapa, aproximadamente 75% das estruturas compartilhadas pelas meninas, entre cérebro e vasos sanguíneos, já haviam sido separadas. Na quinta cirurgia, os médicos trabalharam sobre os 25% restantes.

O neurologista Hélio Rubens Machado, também integrante da equipe, explicou que a separação era necessária e que as meninas estavam na idade considerada adequada para o procedimento. Segundo ele, não realizar a cirurgia poderia provocar consequências graves para a sobrevida e a qualidade de vida das duas.
A estratégia adotada pela equipe foi realizar a separação em etapas. As meninas passaram por quatro cirurgias anteriores desde agosto de 2025, com o objetivo de preparar as estruturas compartilhadas e reduzir os riscos da etapa definitiva.
A primeira cirurgia ocorreu em 23 de agosto de 2025 e correspondeu a cerca de 25% da separação. A segunda, realizada em novembro, durou cerca de dez horas. Na terceira, realizada em 28 de fevereiro deste ano, os médicos chegaram a aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos.

A quarta etapa, em 21 de março, foi destinada à preparação da pele que seria utilizada no fechamento dos crânios após a separação, com a instalação de bolsas expansoras.
Heloísa e Helena foram o terceiro caso de gêmeas craniópagas, unidas pela cabeça, submetido a acompanhamento e cirurgia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Os dois casos anteriores tiveram a separação concluída, em 2018 e 2023.
Os corpos das meninas seguiram ainda no domingo (16) para São José dos Campos, onde a família mora. O traslado foi custeado pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, que também cedeu um carro para o transporte do pai, dos dois irmãos e de uma acompanhante. O sepultamento ocorreu no mesmo dia, com os custos do jazigo e da urna pagos pela Prefeitura de São José dos Campos.

