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Escola exclui adolescente que deu facada

Vítima permanece internada em UTI; defesa contesta versão da escola sobre a origem da faca e afirma que garoto sofria bullying

Escola retomou aulas na segunda-feira (24) e acompanha recuperação de aluno que segue internado na UTI de hospital (Foto: Alfredo Risk)

| Por: Adalberto Luque |

O adolescente de 13 anos que foi esfaqueado dentro do Colégio Itamarati, na manhã de sexta-feira (21), apresenta melhora no estado de saúde, mas permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular. Segundo assessoria da família, ele está se recuperando e toda a atenção está concentrada no tratamento.

A família afirma que não houve qualquer enfrentamento ou briga entre os dois adolescentes antes da agressão. O garoto está na instituição há mais de dez anos e, segundo os familiares, nunca se envolveu em brigas ou ocorrências disciplinares.

O Colégio Itamarati informou que as aulas foram retomadas normalmente nesta segunda-feira (24). A escola diz ter realizado uma reunião com toda a equipe para preparar o retorno dos alunos e afirma que serão oferecidos suporte emocional e pedagógico aos estudantes e às famílias.

Em nota, a instituição também informou que o aluno responsável pela agressão foi desligado definitivamente, em cumprimento ao Regimento Interno. A escola afirma ainda que o objeto utilizado no ataque não é compatível com os materiais que fazem parte de seu acervo.

A afirmação é contestada pela defesa do adolescente. O advogado Daniel Rondi sustenta que a faca estava dentro da escola e questiona como o garoto teve acesso ao objeto. Ele também afirma que o adolescente vinha sendo vítima de bullying e que os episódios não ficaram restritos ao ambiente virtual.

Segundo Rondi, os pais procuraram a coordenação da escola na terça-feira (18) para relatar os nomes de alunos que estariam praticando bullying contra o filho. O advogado afirma ter recebido outros relatos de situações envolvendo o adolescente e diz que houve omissões por parte da instituição.

Rondi também contesta a forma como ocorreu o desligamento do aluno. Segundo ele, o adolescente foi retirado da escola de forma unilateral, sem procedimento disciplinar prévio, oportunidade de defesa ou análise do contexto relatado pela família.

A defesa afirma ainda que o garoto, diagnosticado com autismo, passou por atendimento psiquiátrico após o episódio, em razão de um quadro de intensa sobrecarga sensorial e emocional, e iniciou tratamento emergencial.

Entre os episódios relatados pelo advogado está uma situação ocorrida na quarta-feira (19), durante o horário de aula. Segundo ele, um colega teria tomado o celular do adolescente e enviado uma mensagem se passando por ele, com a frase “Eu sou gay”, o que teria provocado novas humilhações.

Rondi afirma que o adolescente que sofreu a facada seria o mesmo que criou um grupo de mensagens no qual era administrador. A defesa sustenta que as agressões verbais e psicológicas teriam escalado para situações ocorridas também dentro da escola.

Advogado Daniel Rondi questiona versão da escola sobre a faca e critica postura unilateral que definiu a exclusão do aluno que, segundo a defesa, sofria bullyng virtual e presencial (Foto: Alfredo Risk)

Na sexta-feira, após prestar depoimento na Delegacia da Infância e Juventude (Diju), o adolescente foi liberado. O delegado havia determinado inicialmente sua apreensão por ato infracional análogo à tentativa de homicídio, mas a medida não foi mantida.

A defesa já havia se manifestado naquele dia, quando Rondi afirmou que o garoto vinha sofrendo bullying e apresentou à Polícia Civil documentos médicos relacionados ao diagnóstico de autismo. O caso segue sob investigação e será encaminhado ao Ministério Público e, posteriormente, à Justiça da Infância e Juventude.

Entenda o caso

O ataque ocorreu na manhã de sexta-feira (21), no Colégio Itamarati, na Zona Sul de Ribeirão Preto. Segundo a Polícia Militar, o adolescente de 14 anos disse que pegou a faca na cozinha da escola. O objeto tinha lâmina de 11 centímetros e ficou cravado nas costas da vítima.

O golpe atingiu parcialmente o pulmão do adolescente de 13 anos, que foi socorrido inicialmente no local e depois encaminhado ao Hospital São Lucas. Na ocasião, ele estava consciente e estável, segundo as informações divulgadas pela PM e pela Polícia Civil.

O delegado Haroldo Chaud, da Diju, esteve na escola, ouviu testemunhas e acompanhou a perícia realizada pela Polícia Técnico-Científica. Segundo a investigação inicial, a discussão teria começado em um grupo de estudos mantido por alunos em aplicativo de mensagens.

O adolescente que desferiu a facada prestou depoimento na sexta-feira e foi liberado da Diju no fim da tarde. O advogado Daniel Rondi, que o representa, afirmou naquele momento que o garoto havia sido hostilizado em mensagens e que a família já havia procurado a escola para relatar situações de bullying.

A versão sobre o que ocorreu antes da agressão é, entretanto, divergente. A família do adolescente ferido afirma que não houve briga ou enfrentamento antes da facada, enquanto a defesa do outro garoto sustenta que havia um histórico de agressões e humilhações cometidas por alunos. As circunstâncias do episódio continuam sendo apuradas pela Polícia Civil.

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