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Fratura da face: RP registra quarto caso de agressão em escolas

Aluno que usou soco inglês e causou fratura no rosto de colega foi encaminhado para a Fundação Casa (Foto: Alfredo Risk)

| Por: Adalberto Luque |

Um adolescente de 15 anos foi apreendido pela Polícia Civil após agredir um colega dentro da Escola Estadual Cônego Barros, na avenida Doutor Francisco Junqueira, na região central de Ribeirão Preto. O caso ocorreu na noite de segunda-feira (24).

Segundo o boletim de ocorrência, o adolescente teria usado um soco inglês para atingir o colega no rosto. Após o primeiro golpe, ele teria continuado as agressões com diversos socos.

A vítima foi socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi constatada uma possível fratura na face. Posteriormente, o estudante foi encaminhado para atendimento hospitalar especializado.

A diretora da escola relatou à polícia que tentou separar os envolvidos. Segundo o registro, os dois permaneceram na unidade até a chegada do socorro e dos responsáveis.

O adolescente confirmou aos policiais que havia agredido o colega. Ele não sofreu ferimentos.

A ocorrência foi registrada como ato infracional análogo ao crime de lesão corporal de natureza grave. De acordo com o registro policial, o adolescente possui histórico de agressões.

Diante da gravidade do caso, o delegado determinou a apreensão e representou pela internação provisória do adolescente. Ele foi encaminhado à Fundação Casa.

A Unidade Regional de Ensino (URE) de Ribeirão Preto informou, por meio de nota, que lamenta o ocorrido e repudia qualquer tipo de violência. Segundo a Secretaria da Educação (Seduc), o desentendimento ocorreu fora da unidade de ensino e, assim que tomou conhecimento, os servidores intervieram para cessar a agressão e prestar atendimento aos envolvidos.

Ainda conforme a Seduc, a equipe gestora acionou os responsáveis pelos estudantes e a Polícia Militar para o registro da ocorrência. O aluno agredido está recebendo atendimento médico.

A URE informou também que a equipe regional do programa Conviva-SP acompanha o caso e que um profissional do programa Psicólogos nas Escolas está à disposição para atender os estudantes. A direção permanece à disposição das famílias para prestar esclarecimentos.

O caso foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público.

Quatro registros em agosto

Com a agressão de segunda-feira, Ribeirão Preto registrou quatro casos de violência envolvendo estudantes em escolas neste mês. Três ocorreram em unidades estaduais e um em colégio particular.

5 de agosto – Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves

Aluna teria sido ferida por arma branca na porta de escola ao tentar evitar que colega fosse agredida por mãe de outra alula (Fotos: Google Street View e Redes Sociais)

Uma adolescente de 14 anos ficou ferida após uma briga na saída da Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, nos Campos Elíseos. Segundo o relato da vítima, ela tentou defender uma amiga que estaria prestes a ser agredida pela mãe de outra aluna e acabou atingida por vários golpes de uma arma branca no braço. A jovem foi socorrida pelo SAMU, chegou a ser internada em uma UPA e recebeu alta. A Polícia Civil investiga o caso.

11 de agosto – Escola Estadual Alcides Corrêa

Três adolescentes de 15 anos ficaram feridos após a explosão de um artefato durante o intervalo na Escola Estadual Alcides Corrêa, no Alto da Boa Vista. Segundo a Polícia Militar, dois jovens de 18 anos e dois adolescentes de 16 teriam colocado o artefato dentro de uma lata de refrigerante, acendido o objeto e o arremessado no pátio, que estava cheio de alunos.

Três adolescentes sofreram ferimentos com estilhaços da explosão ocorrida no pátio de escola pública (Foto: Reprodução)

Os três estudantes foram atingidos por estilhaços e receberam atendimento médico. Os envolvidos foram identificados, prestaram depoimento e foram liberados. O caso é investigado pela Polícia Civil. Os maiores de idade podem responder criminalmente e os adolescentes estão sujeitos às medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, incluindo internação na Fundação Casa, conforme as circunstâncias do caso.

21 de agosto – Colégio Itamarati

Um adolescente de 13 anos foi esfaqueado dentro do Colégio Itamarati, no Jardim Irajá, zona Sul. Segundo a Polícia Militar, um aluno de 14 anos teria dito que pegou a faca na cozinha da escola e atingido o colega nas costas.

A lâmina ficou cravada e o golpe atingiu parcialmente o pulmão da vítima, que precisou passar por cirurgia e permanece internada em recuperação. O adolescente que desferiu a facada foi desligado definitivamente pela escola e responde por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

A defesa do adolescente afirma que ele seria autista e que, atualmente, está passando por tratamento psiquiátrico. O advogado também questiona a forma unilateral como ele foi desligado da instituição de ensino.

Aluno teria apanhado faca na cozinha da escola e atacado colega; direção nega que faca fosse do estabelecimento de ensino (Foto: Alfredo Risk)

A família do menor ferido divulgou nota informando que ele está na escola há 10 anos e que não participa de ações de bullying contra colegas.

MP apura conduta do colégio

A reportagem do Tribuna apurou que o Ministério Público instaurou investigação para apurar uma possível omissão ou negligência do Colégio Itamarati. A família do adolescente de 14 anos afirma que ele sofria bullying de outros alunos e que os pais procuraram a direção para relatar a situação antes da agressão.

O MP também deverá apurar como o adolescente teve acesso à faca. Segundo a versão apresentada à Polícia Militar, o objeto teria sido retirado da cozinha da escola, mas a instituição nega essa informação.

O caso será encaminhado à Justiça da Infância e Juventude.

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