Ribeirão Preto lança projeto de saúde mental nas escolas municipais com o objetivo de reduzir práticas de violência, segregação e bullying
A partir de segunda-feira, 31 de agosto, alunos do 6º ao 9º ano de escolas públicas municipais de Ribeirão Preto passarão a ter sessões quinzenais de saúde mental dentro da própria sala de aula, com o objetivo de reduzir práticas de violência, segregação e bullying.
A iniciativa é das secretarias municipais da Saúde e Educação, em parceria com a Associação Assistencial Dona Nair Manoelina de Oliveira, e integra o projeto Promoção de Saúde Mental e Desenvolvimento Socioemocional nas Escolas. Ribeirão Preto conta com 33 Escolas Municipais de Ensino Fundamental, com 23.374 alunos
Neste mês, Ribeirão Preto já registrou quatro casos de violência dentro de escolas, nenhuma da rede municipal – são três estaduais e uma particular. No dia 5 de agosto, na Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, nos Campos Elíseos, na Zona Norte, uma estudante ficou ferida após uma briga ocorrida em frente à unidade de ensino. A aluna teria sido agredida ao tentar apartar uma briga entre a mãe de outra estudante e uma colega.
A segunda ocorrência envolve um artefato explosivo que teria causado ferimentos em adolescentes. O caso foi registrado no dia 11, na Escola Estadual Alcides Corrêa, no bairro Alto da Boa Vista, Zona Sul. O caso poderá ser desmembrado porque os acusados são dois jovens de 18 anos e dois adolescentes de 16 anos, que teriam causado ferimentos em três jovens de 15 anos.
Em outro caso, ocorrido no dia 21, no Colégio Itaramati, no Jardim Irajá, Zona Sul da cidade, um adolescente foi ferido com uma facada nas costas. O agressor é autista. Uma das questões investigadas é a origem da faca utilizada no ataque.
O adolescente afirma que pegou o objeto na cozinha da escola, enquanto a instituição diz que não possui em seu acervo uma faca daquele tipo. A agressão teria sido motivada por bullyng nas redes sociais contra o agressor, diaanosticado com grau máximo de autismo. responde por ato infracional análogo à tentativa de homicpídio. Foi expulso do colégio.
O caso mais recente citado ocorreu na Escola Estadual Cônego Barros, na região Central da cidade, na noite de 24 de agosto. Na sexta-feira anterior (21), a vítima teria acertado involuntariamente uma bolada em uma garota durante um chute. Ela teria pedido desculpas, mas o episódio teria desencadeado o desentendimento ocorrido posteriormente.
O adolescente estava com um soco inglês e utilizou o objeto para realizar as agressões. Ele chegou a ser detido, mas foi solto por decisão da Justiça, segundo o delegado. A princípio, responde por ato infracional análogo à lesão corporal. Já há ordem judicial para requisitar o exame de corpo de delito da vítima.
“Criamos o primeiro pronto-atendimento de saúde mental 24 horas do país, e agora precisamos ir um passo além e entrar nas escolas, antes que a crise chegue. É isso que este projeto representa”, afirma o secretário municipal de Saúde, Mauricio Godinho.
O projeto terá minício na Emef Domingos Adilson Canesin, no bairro Santa Cruz do José jacques, e na Emef Professor Paulo Freire, no Jardim Heitor Rigon. De acordo com o psicólogo Marcus Vinícius Santos, chefe dos Serviços de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, desde a pandemia observa-se um aumento significativo de casos de transtornos mentais.
Metodologia – A metodologia adotada é o Grupo Comunitário de Saúde Mental, desenvolvido junto à Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto desde 1997 e aplicado hoje em diversas cidades do Brasil e do exterior.
Dentro das escolas, a atividade central é o Sarau Comunitário, com grupos quinzenais de 50 minutos, realizados nas próprias salas de aula, nos quais alunos são convidados a compartilhar experiências com música, filmes, livros e outras expressões culturais.
A dinâmica estimula o diálogo, desenvolvendo competências como autoconhecimento, empatia, cooperação e cidadania. O projeto também mira diretamente o ambiente escolar: ao fomentar o senso de comunidade e o respeito à diferença, a metodologia busca reduzir práticas de violência, segregação e bullying.
Além das turmas, haverá grupos periódicos com pais, professores e outros adultos da comunidade escolar. A expectativa é de que 300 a 350 grupos sejam realizados ao longo de dez meses de execução, com melhora de ao menos 20% nos sintomas de ansiedade e depressão dos participantes, aferida por escalas aplicadas no início e no encerramento da intervenção.
Está previsto também um evento de encerramento para apresentação coletiva dos resultados. A iniciativa é intersetorial e alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que, desde 2020, prevê o desenvolvimento socioemocional como parte do currículo regular. As escolas participantes serão indicadas pela Secretaria Municipal da Educação.

