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Para especialistas mudanças climáticas ampliam alerta para eventos extremos

Após tempestades severas, especialistas reforçam a necessidade de prevenção, preservação ambiental e preparação da Defesa Civil diante dos impactos do aquecimento global

A tempestade que tivemos em Ribeirão Preto não tinha relação direta com o El Niño. Países da Ásia estão sofrendo com eventos climáticos extremos, e existe a preocupação de que condições semelhantes possam atingir outras regiões do planeta. Por isso, os departamentos de crise e os órgãos de Defesa Civil de todo o país devem se preparar de antemão para possíveis novos eventos, que podem ser ainda mais severos. O tema foi debatido recentemente em um programa de TV por dois especialistas no assunto de Ribeirão Preto, o professor e engenheiro José Roberto Romero e o capitão PM, Gustavo Henrique Rissato, do 9º Agrupamento de Bombeiros.

A conclusão da dupla foi de que a forte intensidade da última tempestade e de outros incidentes climáticos também deve ser analisada dentro de um cenário maior: o aquecimento global e as mudanças climáticas provocadas principalmente pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. O aquecimento do planeta pode alterar os padrões de chuva e temperatura e favorecer a ocorrência de eventos extremos, como tempestades severas, enchentes, vendavais, ondas de calor e períodos prolongados de seca. “O INPE destaca que o El Niño pode potencializar esses extremos, mas a mudança do clima e o aquecimento global são fatores fundamentais nesse processo”, frisou Rissato.

“As ações humanas que degradam o meio ambiente, como o desmatamento, as queimadas e a destruição da vegetação nativa, agravam esse cenário. As florestas são importantes para o armazenamento de carbono, para a conservação do solo, para a biodiversidade e também para a regulação dos recursos hídricos. O desmatamento e os incêndios, além de liberarem gases de efeito estufa, podem contribuir para a erosão, a perda da fertilidade do solo e o agravamento da escassez de água”, ponderou Romero.

Outro ponto de grande preocupação para ambos foi a preservação das matas ciliares. A vegetação às margens dos rios ajuda a proteger o solo contra a erosão, reduzir o assoreamento dos cursos d’água e preservar a qualidade e a disponibilidade dos recursos hídricos. Em períodos de seca, a redução da água disponível nos rios e reservatórios pode afetar o abastecimento, a produção de energia e principalmente a agricultura, com possíveis consequências para a produção e o preço dos alimentos.

O aquecimento global também exige mudanças na forma como planejamos nossas cidades e atividades econômicas. Para o capitão Rissato, “não basta apenas agir depois que uma tempestade, enchente ou seca acontece. É necessário investir em prevenção, sistemas de alerta, planejamento urbano, preservação ambiental, recuperação de áreas degradadas e preparação dos serviços públicos para situações de emergência. O próprio Plano Clima do Governo Federal considera a adaptação aos impactos das mudanças climáticas uma necessidade para o Brasil”.

Nesse contexto, cada cidadão também pode contribuir para a prevenção de problemas ambientais. Nesta época de seca, deve-se evitar ao máximo o uso do fogo para limpeza de terrenos, pastagens ou áreas agrícolas. Também é fundamental ter muito cuidado com bitucas de cigarro, fósforos e outros materiais que possam iniciar incêndios.

Para José Roberto Romero, outro cuidado essencial é o descarte consciente do lixo. “Resíduos jogados nas ruas, terrenos, córregos e rios podem ser carregados pela chuva e obstruir bueiros, galerias e sistemas de drenagem, aumentando o risco de alagamentos e enchentes. Além disso, o lixo lançado de forma inadequada contamina o solo e a água, prejudica animais e contribui para a proliferação de doenças”, lembrou.

“Por isso, é importante reduzir a geração de resíduos, reutilizar materiais sempre que possível, separar corretamente os recicláveis e destiná-los à coleta seletiva ou a pontos de recebimento adequados. Pilhas, baterias, eletrônicos, medicamentos e outros resíduos que exigem tratamento específico também devem ser encaminhados aos locais apropriados, e nunca descartados junto ao lixo comum”, destacou Romero.

A conclusão final de ambos é a de que a preservação do meio ambiente não é responsabilidade apenas dos governos. Empresas, produtores rurais e toda a população têm um papel importante. Pequenas atitudes, quando realizadas por milhões de pessoas, ajudam a reduzir os impactos ambientais. Ao mesmo tempo, é fundamental que o poder público fiscalize o desmatamento e as queimadas ilegais, preserve as áreas de proteção ambiental e prepare as cidades para enfrentar um clima cada vez mais desafiador.

Prevenir hoje é fundamental para reduzir os prejuízos de amanhã. A proteção das florestas, dos rios, do solo e das áreas urbanas, aliada ao descarte correto dos resíduos e à redução das emissões de gases de efeito estufa, é essencial para proteger a população, a agricultura, os recursos hídricos e a qualidade de vida das próximas gerações.

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