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Corpo de ribeirão-pretana é encontrado na Itália

Gabriela estava desaparecida desde acidente entre duas embarcações na madrugada de sábado (12); polícia procura turistas americanos que estavam no táxi aquático

Gabriela será sepultada hoje, exatamente um mês após seu corpo ser encontrado próximo a Veneza, na Itália (Fotos: Redes Sociais e Reprodução)

| Por: Adalberto Luque |

O corpo da brasileira Gabriela Querino Elorriaga, de 26 anos, foi encontrado na manhã desta terça-feira (15), quatro dias após o acidente entre duas embarcações no canal de Tessera, em Veneza, na Itália. Segundo o portal italiano Il Gazzettino, o cadáver foi localizado por volta das 9h na área da ilha de Campalto. Um barco que passava pelo local percebeu o corpo e acionou as autoridades.

Logo que o corpo foi encontrado, havia a hipótese de que o cadáver fosse de Gabriela, que estava desaparecida desde a colisão ocorrida ao amanhecer de sábado (12). A confirmação foi divulgada pelo vice-prefeito de Veneza, Simone Venturini.

“Termina da maneira mais dolorosa uma história trágica que nestes dias manteve toda a nossa cidade em suspenso”, escreveu Venturini nas redes sociais, segundo o Il Gazzettino.

Gabriela estava em uma pequena embarcação com o marido, Sean Michieli, de 25 anos, quando ocorreu a colisão com um táxi aquático. Sean morreu após ser resgatado com ferimentos graves. Gabriela permanecia desaparecida desde o acidente.

Gabriela e o marido estariam pescando quando ocorreu colisão com táxi aquático; Sean teve morte cerebral confirmada logo que chegou ao hospital (Foto: Redes Sociais)

Com o fim das buscas pela brasileira, a investigação agora concentra esforços na reconstrução da colisão. De acordo com o Il Gazzettino, a polícia italiana procura dois turistas americanos que estavam entre os passageiros do táxi aquático no momento do impacto.

Os dois poderiam ter presenciado os segundos anteriores à colisão e fornecer informações sobre a rota das embarcações, as condições de visibilidade e a dinâmica do acidente. Segundo o portal, eles estavam a caminho do aeroporto para retornar aos Estados Unidos e, após a colisão, embarcaram em outro táxi aquático para continuar a viagem.

O italiano divulgou em suas redes sociais a gravidez de Gabriela, mas eles perderam o bebê semanas depois (Foto: Redes Sociais)

Os investigadores tentam localizá-los para colher seus depoimentos. As informações poderão ser confrontadas com os elementos técnicos reunidos durante a investigação e com a versão apresentada pelo condutor do táxi aquático.

O navegador, um veneziano de 38 anos, é investigado pela Promotoria em um inquérito por homicídio náutico. Conforme o relato apresentado pelo próprio condutor, o pequeno barco em que estavam Gabriela e Sean teria surgido repentinamente à frente do táxi, sem que houvesse tempo para evitar a colisão.

Ainda segundo a versão apresentada pelo motorista ao Il Gazzettino, ele não teria visto a outra embarcação até o último momento. O depoimento dos dois turistas americanos poderá contribuir para esclarecer justamente o que era possível observar a partir do táxi aquático antes do impacto.

A versão apresentada pelo condutor será confrontada com os depoimentos que forem obtidos e com os demais elementos reunidos no inquérito. Uma das suspeitas é que o táxi aquático pudesse estar em velocidade acima do permitido naquela área.

Quem era Gabriela

Gabriela era natural de Ribeirão Preto e morava na Itália. Ela e Sean haviam se casado em junho deste ano e viviam na ilha de Burano, próxima ao local onde aconteceu o acidente. Sean vivia da pesca, e Gabriela estava tirando licença para também atuar, mas ela sempre o acompanhava nas pescarias.

A ribeirão-pretana morava na Itália há dois anos. Em outubro, ela chegou a engravidar, e os dois festejaram pelas redes sociais, mas a jovem perdeu o bebê semanas depois.

A mãe de Gabriela está a caminho da Itália. Ela iria acompanhar as buscas, mas, com o encontro do corpo, deverá tratar das questões legais, como o sepultamento. Não há informações se a jovem será sepultada com o marido ou se o corpo será trazido para o Brasil.

Depois da localização, o corpo da brasileira seguiu para exame necroscópico. As autoridades italianas querem definir se ela morreu em consequência do trauma do choque ou por afogamento.

Itamaraty acompanha

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por intermédio do Consulado-Geral do Brasil em Milão, tem conhecimento do caso e está em contato com as autoridades locais e com a família, a quem tem sido prestada a assistência consular devida.

“A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros.”

Na nota, o Ministério das RelaçõesExterioresacrescenta que não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros, em observância à Lei de Acesso à Informação.

“Em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as Embaixadas e Consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais”, conclui a nota.
(Matéria atualizada às 16h21)

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