Valdir Avelino *
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Tem coisa que o mundo inteiro já entendeu. Uma delas é que a água virou uma das grandes preocupações do nosso tempo. Mudança climática, secas mais longas, calor extremo e pressão sobre os recursos naturais deixaram claro que não dá mais para tratar a água como se fosse um bem infinito.
Quando falta água ou um manancial perde capacidade, não adianta procurar solução de última hora. Água exige planejamento, cuidado permanente, estrutura e gente preparada. É um serviço que precisa funcionar hoje, amanhã e sempre. Afinal, ninguém pode imaginar uma vida sem água.
Em Ribeirão Preto, por trás de cada copo de água que chega na casa da nossa população, existe o trabalho dos nossos servidores públicos municipais da Saerp, Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto, responsável pela captação e distribuição da água.E aqui existe uma particularidade que torna o assunto ainda mais sério: nosso abastecimento depende integralmente do Aquífero Guarani.
A Saerp carrega uma história construída durante décadas. O antigo Daerp, por mais de meio século, formou equipes, acumulou experiência e estruturou o serviço municipal de água e esgoto. Em 2021, as atribuições do Daerp passaram para a administração direta, na atual Saerp. Mudou a forma administrativa, mas continuaram o serviço, os servidores e o conhecimento construído por eles.
Isso não é apenas história. É quase meio século acompanhando o sistema e as transformações da cidade. Isso mostra o que significa memória técnica.
Por isso, a direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis olha com preocupação para qualquer processo que enfraqueça o quadro permanente da Saerp ou transforme atividades contínuas em trabalho precário. Se a água é um bem indispensável para todos nós e se o Aquífero Guarani é estratégico, estratégica e permanente também precisa ser a equipe encarregada de cuidar da água do nosso Município.
Não faz sentido falar em preservação do aquífero e abrir mão de trabalhadores que conhecem o sistema. Nem falar em segurança hídrica enquanto a Saerp perde serviços permanentes e passa a ficar dependente de trabalhadores com vínculos provisórios ou de equipes que mudam a cada contrato.
Quem trabalha há anos na Saerp aprende coisas que não cabem num relatório. Conhece poços, redes, reservatórios, pontos de vazamento e equipamentos que exigem mais atenção. Sabe como o sistema se comporta numa estiagem ou diante de uma emergência. Quando um trabalhador experiente vai embora, parte desse conhecimento não pode ir junto.
É aqui que o servidor efetivo faz diferença. Governo muda. Secretário muda. Diretor muda. Empresas contratadas podem mudar. O servidor de carreira permanece. Ele guarda a memória da Saerp, transmite conhecimento a quem chega e ajuda a manter a continuidade de um serviço que não pode parar.
A mudança climática torna essa discussão ainda mais urgente. Se as secas ficarem mais severas e a pressão sobre as reservas subterrâneas aumentar, Ribeirão Preto vai precisar de mais conhecimento técnico, planejamento e capacidade pública. Não de menos. Afinal, uma crise hídrica não manda aviso. Uma seca pode se prolongar, um poço pode apresentar problema, uma rede pode romper. Nessas horas, equipamento sozinho não resolve. É preciso gente preparada, concursada, gente que conhece o sistema e consegue decidir e agir com base na experiência acumulada.
É por isso que a luta da direção do Sindicato por concurso público, reposição do quadro, formação profissional e valorização dos servidores da Saerp vai além de uma reivindicação trabalhista. Estamos falando da capacidade de Ribeirão Preto cuidar da própria água.
A Saerp não pode ser enxergada apenas pelo governo do momento. Ela representa décadas de trabalho público construído por servidores que fizeram o saneamento acompanhar o crescimento da cidade. Preservar a água também é preservar a capacidade pública de cuidar dela.
Se queremos que Ribeirão Preto continue tendo água de qualidade no presente e no futuro, precisamos proteger o Aquífero Guarani, fortalecer a Saerp e valorizar os nossos servidores. Defender quem cuida da água também é defender a própria água. Concurso público, carreira, formação, valorização profissional e equipe permanente fazem parte de uma política de segurança hídrica. Não existe proteção permanente da água com uma estrutura provisória e precária.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

