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Navi Pillay leva o Nobel da Paz

Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, hoje juíza da Corte Internacional de Justiça, venceu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira | Comitê Nobel da Paz0 /Divulgação

A ex-alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para direitos humanos Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, hoje juíza da Corte Internacional de Justiça, venceu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira, 9 de outubro, em Oslo, na Noruega. O Nobel da Paz é frequentemente apontado como a honraria mais prestigiosa do planeta. A edição deste ano marca o 125º aniversário do prêmio, criado em 1901.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu nesta sexta-feira à concessão do Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navi Pillay e acusou a premiada de promover uma campanha politicamente motivada contra o país. Ela presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU  sobre os territórios palestinos ocupados.

Concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza e atribuiu a autoridades israelenses incitação ao crime. O governo de Benjamin Netanyahu rejeita as conclusões e acusa o órgão de parcialidade. A comissão também responsabilizou o Hamas por crimes de guerra e violações do direito humanitário internacional no ataque de 7 de outubro de 2023.

O Comitê Nobel Norueguês recebeu indicações de 287 candidatos ao Nobel da Paz de 2026, sendo pouco mais de um quarto organizações Especialistas afirmam que o comitê costuma considerar, entre outros fatores, a durabilidade de iniciativas de pacificação, a promoção da fraternidade internacional e o trabalho discreto de instituições que reforçam esses objetivos.

Antes do anúncio, analistas e mercados de previsões citavam como possíveis candidatos a Estação Espacial Internacional, equipes de emergência no Sudão, defensores das crianças na Ucrânia e duas das principais cortes internacionais. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também aparecia com destaque em algumas apostas.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – que trava uma guerra contra o Irã – há tempos manifesta publicamente o desejo de receber o prêmio e afirma reiteradas vezes que o merece. No ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado venceu o Nobel da Paz por sua luta em prol de uma transição democrática no país sul-americano.

Foi descrita pelo Comitê Nobel como uma mulher “que mantém acesa a chama da democracia em meio a uma escuridão crescente”. Pouco depois de os EUA derrubarem o então presidente Nicolás Maduro, Machado entregou a Trump sua medalha do Nobel. O gesto, porém, teve caráter sobretudo simbólico: o Comitê Nobel já afirmou que a honraria não pode ser transferida.

As indicações ao Nobel podem ser feitas por um grupo restrito de pessoas e instituições, como chefes de Estado e políticos em nível nacional, professores universitários, diretores de institutos de política externa, vencedores anteriores do prêmio e integrantes do Comitê Nobel Norueguês.

O Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel será anunciado na segunda-feira (12). O valor pago neste ano é de 12 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,2 milhão), para um indivíduo, um pequeno grupo de laureados ou uma organização.

Em 125 anos, o Nobel da Paz foi concedido a 112 pessoas e 28 instituições. A Cruz Vermelha venceu três vezes, e a agência de refugiados da ONU recebeu o prêmio duas vezes. Apenas 20 dos 112 laureados individuais foram mulheres, embora oito dessas premiações tenham ocorrido nos últimos 15 anos.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai é a laureada mais jovem: venceu aos 17 anos, em 2014. Os EUA lideram o número de distinções, com 24 prêmios atribuídos a instituições ou cidadãos americanos, à frente do Reino Unido (13) e da Suíça (11). Ainda assim, nenhum laureado listado como americano venceu desde 2009, quando o então presidente Barack Obama foi premiado.

O Nobel da Paz deixou de ser concedido 19 vezes, principalmente durante as guerras mundiais. Em 1948, ano do assassinato de Mahatma Gandhi, não houve premiação; ele havia sido indicado doze vezes e nunca venceu. Em 1939, um parlamentar sueco chegou a indicar Adolf Hitler (1889-1945), mas retirou a indicação em seguida, dizendo que nunca pretendeu levá-la a sério.

Ao longo da semana, foram anunciados outros prêmios Nobel. Na segunda-feira (5), o de Medicina foi para Karl Deisseroth, de 54 anos, Peter Hegemann, de 71, e Georg Nagel, de 73, premiados por trabalhos sobre canais iônicos acionados por luz e sobre optogenética.

Na terça-feira (6), o belga radicado nos Estados Unidos Francis Halzen, de 82 anos, venceu o Nobel de Física por contribuições que ajudaram a esclarecer a natureza de um grupo raro de neutrinos, partículas cósmicas minúsculas que, segundo cientistas, podem trazer pistas sobre a evolução do universo.

O francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai ganharam o Nobel de Química na quarta-feira (7) por seus esforços para solucionar o mistério das imagens especulares em moléculas químicas – uma descoberta que transformou a medicina moderna, usada no desenvolvimento de inúmeros medicamentos.

Na quinta-feira (8), a poeta e ensaísta canadense Anne Carson venceu o Nobel de Literatura “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, anunciou a Academia Sueca.

Os laureados receberão suas medalhas das mãos do rei da Suécia Carlos XVI Gustavo, em cerimônia em Estocolmo marcada para 10 de dezembro, data do aniversário  da morte de Alfred Nobel (1833-1896).

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