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Turismo

Cruzeiros de expedição crescem e ampliam rotas pelo mundo

Scenic Eclipse navega em região polar enquanto passageiros participam de uma atividade em embarcação inflável | Crédito: Grupo Scenic/Divulgação

O mercado mundial de cruzeiros marítimos encerrou 2025 com 37,2 milhões de passageiros, o maior número da série histórica divulgada pela Cruise Lines International Association (Clia). O total abrange todo o setor, mas os cruzeiros de expedição estão entre os segmentos em expansão.

Entre 2023 e 2024, o número de passageiros em viagens de expedição e exploração cresceu 22%. A Clia estima que a capacidade mundial desses navios aumentará 150% entre 2019 e 2029, considerando também as embarcações já encomendadas.

Os cruzeiros de expedição são realizados, em geral, por navios menores e destinados a regiões remotas ou de acesso limitado, como Antártica, Ártico, ilhas oceânicas e áreas de natureza preservada. As viagens costumam reunir desembarques em pequenos grupos, passeios em barcos infláveis e atividades acompanhadas por especialistas em áreas como biologia, geologia, história e conservação ambiental.

O formato combina exploração e estrutura de alto padrão. Em uma mesma viagem, o passageiro pode observar geleiras e animais silvestres durante o dia e encontrar restaurantes, suítes com varanda, spas e serviços personalizados a bordo. O modelo procura atender viajantes interessados em experiências em áreas remotas sem abandonar o conforto oferecido pelos cruzeiros de luxo.

No Brasil, a Velle comercializa viagens das marcas Scenic, Swan Hellenic e Atlas Ocean Voyages. “O mercado de cruzeiros vive um momento de expansão, e o interesse do viajante brasileiro pela expedição acompanha esse movimento”, afirma Ricardo Alves, CEO da empresa.

Como funcionam as expedições

O Scenic Eclipse, um dos navios comercializados no país, transporta até 228 passageiros em viagens regulares e limita sua capacidade a 200 pessoas nas operações na Antártica. A embarcação possui dois helicópteros e um submarino, além de barcos menores utilizados nos deslocamentos entre o navio e os locais visitados.

Um dos helicópteros do Scenic Eclipse sobrevoa o heliponto da embarcação durante viagem em região polar | Crédito: Grupo Scenic/Divulgação

Os passeios de helicóptero e submarino são cobrados separadamente e dependem de autorização, disponibilidade e condições meteorológicas, marítimas e de gelo. Segundo a Scenic, nenhum dos dois equipamentos é utilizado durante os roteiros em águas brasileiras. O submarino também não opera no Uruguai.

A companhia prevê lançar, em abril de 2028, o Scenic Ikon, com capacidade para 270 passageiros distribuídos em 135 suítes. De acordo com o projeto divulgado pela empresa, o navio deverá contar com dois helicópteros, submarino e áreas destinadas a gastronomia e bem-estar. A temporada inaugural deverá incluir Mediterrâneo, Antártica, Ilhas Malvinas e fiordes chilenos.

Outras companhias adotam propostas diferentes. A Swan Hellenic concentra sua programação em expedições culturais, com palestras e atividades conduzidas por especialistas em história, cultura, fauna e geologia. A Atlas Ocean Voyages opera embarcações de classe polar e inclui nas equipes profissionais como geólogos, zoólogos, naturalistas e pesquisadores.

Regras para visitas à Antártica

O crescimento das viagens para regiões ambientalmente sensíveis também exige limites operacionais. Nas visitas à Antártica, navios com mais de 500 passageiros não podem realizar desembarques. Somente uma embarcação pode visitar cada local por vez e, salvo regras mais restritivas, no máximo 100 passageiros podem permanecer em terra simultaneamente.

As normas estabelecem ainda a presença mínima de um guia para cada 20 visitantes durante os desembarques. Equipamentos, roupas e calçados devem passar por procedimentos de limpeza para reduzir o risco de introdução de organismos em diferentes áreas.

Embarcação da Swan Hellenic navega entre montanhas e formações de gelo durante cruzeiro de expedição | Crédito: Swan Hellenic/Divulgação

As condições climáticas também interferem na programação. Desembarques, passeios de barcos, voos e mergulhos podem ser alterados ou cancelados por causa do vento, da visibilidade, das marés, da presença de gelo ou de restrições ambientais.

Roteiro passará pelo Brasil em 2027

Em 2027, o Scenic Eclipse fará um roteiro de 12 dias, ou 11 noites, entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro. A saída da capital argentina está prevista para 17 de março, com escalas em Montevidéu, Punta del Este, São Francisco do Sul, Ilhabela, Paraty, Ilha Grande e Búzios. A chegada ao Rio está programada para 28 de março.

World Navigator, da Atlas Ocean Voyages, aparece cercado pelo gelo enquanto passageiros exploram a região em caiaques | Crédito: Atlas Ocean Voyages/Divulgação

O percurso inverso está previsto entre 3 e 14 de novembro, com partida do Rio de Janeiro e chegada a Buenos Aires. Embora seja realizado por uma embarcação preparada para viagens de expedição, o itinerário pela costa brasileira é classificado pela própria Scenic como um cruzeiro em formato de iate, sem operação de helicóptero ou submarino no Brasil.

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