| Por: Adalberto Luque |
Perícias realizadas pelo Instituto de Criminalística (IC), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, confirmaram a falsificação de agrotóxicos apreendidos durante a Operação Pesticida, deflagrada na região de Franca, em dezembro de 2025. Das cinco amostras analisadas, quatro não continham o princípio ativo indicado nas embalagens, enquanto a quinta apresentava substâncias diferentes das declaradas nos rótulos.
Os laudos foram requisitados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e integram as provas técnicas dos processos relacionados ao caso.
Para auxiliar as análises, a CropLife Brasil forneceu amostras autênticas de defensivos agrícolas e rótulos originais, utilizados como referência para a comparação com os produtos apreendidos.
O promotor de Justiça Adriano Melega, do GAECO de Franca e responsável pela operação, explicou que a entidade faz a intermediação entre as indústrias e os órgãos periciais para fornecer amostras autênticas que permitam comparar os produtos apreendidos e verificar possíveis falsificações.
O gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil, Nilto Mendes, destacou a participação das empresas do setor no fornecimento de materiais utilizados nas análises oficiais. Segundo ele, a entidade reúne amostras de princípios ativos, rótulos e outros materiais de referência para auxiliar as perícias e apoiar o trabalho dos órgãos públicos.

Processos em andamento
Os dois processos judiciais relacionados à investigação continuam em andamento. Cinco acusados que estavam presos foram colocados em liberdade pela Justiça de Franca, em junho de 2026, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Os demais réus permanecem presos preventivamente desde a operação.
Segundo a denúncia, os investigados são acusados de integrar uma organização criminosa com atuação regional e ramificações interestaduais entre São Paulo e Minas Gerais, voltada à falsificação, adulteração e comercialização de agrotóxicos.
Entenda o caso
A Operação Pesticida foi deflagrada na região de Franca em dezembro de 2025 pelo GAECO do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Militar, para combater uma organização criminosa suspeita de falsificar, adulterar e comercializar agrotóxicos.
A ação mobilizou cerca de 250 policiais militares, promotores de Justiça e servidores do Ministério Público, com apoio de 65 viaturas. Foram cumpridos 25 mandados de prisão temporária e 90 de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Ao todo, 23 suspeitos foram presos e cinco laboratórios clandestinos foram desmantelados. Entre os locais identificados, havia uma gráfica utilizada na produção de materiais empregados na falsificação das embalagens. Também foram apreendidos galões, rótulos e utensílios relacionados à fabricação dos produtos ilegais.
A investigação apura crimes de organização criminosa, falsidade ideológica em documento público, lavagem e ocultação de bens e valores, além de falsificação, adulteração e comercialização de agrotóxicos. As apurações identificaram uma estrutura dividida em núcleos especializados, com atuação em diferentes estados.

