Tribuna Ribeirão
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À espera de Penélope

Taís Roxo Fonseca *
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Quando dizem que o Brasil canta maravilhosamente, é verdade. Cantamosa finados. “A Banda” do Chico Buarque faz 60 anos esse ano e já estão dizendo por aí que A Banda está na menopausa. Se for isso mesmo e A Banda estiver na menopausa, será sorte dela, não há melhor hora para nós mulheres do que a hora da menopausa.

E quem acostumou a falar mal da menopausa é porque só repete o senso comum, de que a menopausa é a hora da mulher envelhecer. Durante muito tempo foi assim mesmo, passava de geração para geração que a mulher de 60 estava velha e todas acreditavam nisso, ao ponto de se redimirem ao etarismo. Hoje em dia,as sexagenárias estão dando um show de beleza, maturidade, profissionalismo e um enorme poder de se reinventar.

Todos os sonhos e desejos de uma vida plena continuam presentes na mulher madura. A proximidade das eleições, sempre nos deixou mais reflexivos e dessa vez não há de ser diferente, assim sendo, porque não pensamos em apoiar as mulheres candidatas nessa eleição,afinal, nós somos a maioria da população brasileira (52%) e já passamos muitos anos votando nos homens. Primeiro, conquistamos o direito de votar em 1932, agora, finalmente, conquistamos o direito de nos eleger.

Estamos a cada momento ocupando mais e mais o cenário político, mas o percentual de mulheres eleitas ainda é muito baixo.  Mais ainda que os votos das mulheres, precisamos também contar com os votos dos homens, nesse momento tão importante ao aperfeiçoamento democrático do País, até mesmo por significar uma forma de reparar a exclusão histórica do gênero feminino do processo eleitoral nacional.

Pouco tempo atrás, relendo a Mitologia Grega, deixei me levar mais especialmente pelo Mito de Penélope, uma das mais claras imagens de feminilidade, da pessoa que espera pelo amor e enquanto espera pacientemente, borda, tece, junta os fios e as cores.

A referência a difícil trama dos tapetes, do desencontro dos fios e a combinação das cores, tanto nos reporta a história do nosso país, que tem em sua pauta períodos de grande instabilidade como a ditadura militar que durou 21 anos, nos deixando sequelas sentidas até hoje.

Mas Penélope ainda continua a tecer seus retalhos pacientemente e aguardar o seu Odisseu, que partiu para a Guerra de Troia e não voltou. Penélope sendo uma mulher bonita, astuta e leal, criou um plano para ganhar tempo e resguardar seu reino, cozinhando em banho maria os seus inúmeros pretendentes que apareciam vez por outra.

Então Penélope dizia que precisava terminar de tecer seu trabalho. E assim também é com a nossa história por aqui e acolá, não terminamos o nosso bordado porque ainda temos muita linha.  Não passou a banda porque ainda não é a hora dela. Estava à toa na vida o meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor a minha gente sofrida despediu- se da dor pra ver a banda passar cantando coisas de amor.

* Advogada

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