Mário Palumbo *
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“vultum tuum, Domine, requiram”
“a tua face, Senhor, eu buscarei”
Como a corsa anseia pelas águas
Eu anseio por Deus
Há várias cidades que tem bairros chamados “Paraíso”. Isso esconde um desejo inconsciente de beleza, paz e felicidade, um sonho humanitário de vida sem dor e sem problemas.
Povos antigos acreditavam na vida além da morte, veja as pirâmides do Egito com suas múmias. Gregos e romanos criaram a fantasia do Olimpo, habitado por Júpiter e sua corte, com todas as paixões e vícios humanos.
Os cristãos acreditam no Reino do Céu que começa nesta vida e se perpetua por toda a eternidade. Jesus o compara à uma perola preciosa pela qual merece gastar tudo para adquiri-la, também compara o Reino do Céu a banquetes e casamento.
Em sua andança pela Palestina Jesus pregou o Reino dos Céus, aliviando as dores do povo, alimentando-o com suas promessas e pão descido do céu, deu a certeza de uma vida plena a começar de agora e que se perpetua por toda a eternidade, vida em terras novas e novos céus, sem dores nem lágrimas e numa felicidade de realização plena de todos os desejos humanos nos braços do amor, pois todo o desejo humano se realiza em Deus.
Como reza Giovanni Papini: “Aqueles que buscam a beleza no mundo buscam, sem perceber, a Ti, que és a própria beleza, plena e perfeita; aqueles que perseguem a verdade em seus pensamentos desejam, sem perceber, a Ti, que és a única verdade digna de ser conhecida; e aqueles que lutam pela paz buscam a Ti, a única paz onde os corações mais inquietos podem repousar. Eles te chamam sem perceber que estão chamando, e seu clamor é indizivelmente mais doloroso que o nosso”.
A Bíblia descreve o Paraíso como a cidade de Deus, como esposa adornada pelo seu esposo. Nesta cidade, nova Jerusalém, não precisa do sol, pois Cristo é a própria luz que ilumina e preenche todos os desejos humanos.
Para Santa Faustina, o Paraíso é fonte de felicidade. Ela diz: “Regozijo-me imensamente em Sua grandeza e me alegro de que sou tão pequena. Ele me carrega em Seus braços e me aperta a Seu coração”.
Todas as forças humanas tendem para a felicidade, como disse Santo Agostinho, “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não descansar em Ti”; aqui está o núcleo do anseio profundo da alma humana por Deus.
Mas como será o Paraíso? Deus em todos e todos entre si e com Deus numa saciedade infinita de comunhão. Seremos todos transformados em amor. A felicidade de cada qual é arrebatada em cada pessoa que habita o céu e todos recebemos a felicidade do outro. O que o Pai nos reserva? “Nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, e coração nenhum concebeu o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor2:9).
Nas palavras de John Main, o Paraíso é mais que um lugar, é o estado onde abrimos nossa consciência para a consciência de Jesus: “entrar na vida eterna é entrar agora nessa vida ilimitada, em uma paz ilimitada, em uma alegria ilimitada: uma paz que é o caminho além de todo entendimento”.
Jesus nos promete maravilhosa morada no Paraíso: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar”. (João 14:2)
Muitos de nós trabalhamos a vida inteira para ter casa própria neste mundo, e esquecemos que o Pai prepara uma mansão maravilhosa para cada um de nós. Por isso, caminhemos para alcançar o Paraíso, que Cristo mereceu para nós e que supera qualquer expectativa humana.
O Paraíso é a plena realização de todos os nossos anseios, é o encontro do ser efêmero, finito, com o Ser infinito e absoluto, melhor, é o abraço do Pai com o filho, e num amplexo de felicidade eterna.
Paraíso! Nascemos de Deus e a Ele voltamos como peixes da piracema a desafiar correntezas e cachoeiras da vida.
* Professor e padre casado

