Tribuna Ribeirão
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O centenário de Paulo Bomfim

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Ontem, comemorou-se o centenário de nascimento de Paulo Bomfim, o grande poeta paulista e dos paulistas.

Bomfim nasceu em São Paulo, no dia 30 de setembro de 1926,num lar privilegiado, que recebia com frequência  saraus literários com a fina flor da intelectualidade paulista: Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Guiomar Novaes, Magdalena Tagliaferro, entre outros.

Orgulhava-se de ser descendentes dos bandeirantes que alargaram as fronteiras do então pequeno Brasil.

Seu avô paterno, Francisco dos Santos Bomfim foi grande fazendeiro de café na nossa região,  fundador da Villa Bomfim, hoje Bonfim Paulista e de Cravinhos.

Fez seus estudos nos melhores colégios da capital e ingressou na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas abandonou o curso para se dedicar ao jornalismo, no Correio Paulistano. A convite de Assis Chateaubriand passou para o Diário de São Paulo, onde manteve, por dez anos, a coluna Luz e Sombra.

Com o pintor Clóvis Graciano, fundou a vanguardista Galeria Atrium em 1962 e teve atuação em programas de TV, como o Mappin Movietone (rival do Repórter Esso) e Crônica da cidade.

Sua estreia como poeta deu-se em 1947, quando lançou o livro Antônio Triste, prefaciado por Guilherme de Almeida e ilustrado por Tarsila do Amaral, ganhador do Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras.

Sua bibliografia compreende 31 livros de poesia e 6 de prosa.

São Paulo, suas origens, seus heróis, seus amigos são o tema favorito do autor. A metrópole o encanta por suas velhas ruas e pelos seus modernos arranha-céus:

Eu te amo São Paulo, em teu mistério de chão antigo, em teu delírio de cidades novas: e porque teus cafezais correm por meu sangue, e tuas indústrias aquecem o ritmo de meus músculos; pela saga dos meus mortos que vêm voltando lá do sertão, pela presença dos que partiram, pela esperança dos que vêm vindo – eu te amo São Paulo !

Pela rosa dos ventos do sertão, pelas fazendas avoengas, pelas cidades ancestrais, pelas ruas da infância, pelos caminhos do amor – eu te amo, São Paulo!

Por isso, enquanto viver, por onde falar, levarei teu nome pulsando forte no coração, e quando esse coração parar bruscamente de bater, que eu retorne à terra donde vim, a terra que me formou, a terra onde meus mortos me esperam há séculos: por epitáfio escrevo apenas sobre meu silencio minha primeira e eterna confissão – EU TE AMO SÃO PAULO.

Em 1963, foi escolhido para integrar a Academia Paulista de Letras, na cadeira 35, cujo patrono é Antônio de Godoy Moreira da Costa. Foi presidente do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito.

Em 1981, recebeu o título de Intelectual do Ano, da União Brasileira de Escritores  eo troféu Juca Pato e em 2008 o Prêmio Fundação Bunge, pelo conjunto de suas obra.

Seu livro de poesia mais famoso é Armorial ( 1953 ), de memórias históricas, familiares e paulistas, combinadas com uma visão aristocrática e tradicional da cultura:

Ó pousos, ó cansaços, ó jornadas,
Parnaíbas de amor que não regressam;
Candeias inflamando o breu da noite,
Cerrações, retentivas de partidas.

Tietês correndo fundo na saudade,
Rostos submersos, águas sertanistas,
Canção de remos no arraial de espumas,
Proas alimentadas de paisagem.

Ó pousos não pousados duas vezes,
Ó serras, ó martírios não falados,
Ó melros decepados em vitórias..

Longo é o sono da terra adormecida:
Imersos em nós mesmos contemplemos,
Leões brasonados perseguindo espanhas.

Comemorando a data, a Academia Ribeirãopretana de Letras realizou dia 29, sessão online, com palestras dos acadêmicos Sidnei Beneti, Lauro Moreira e o autor desta crônica.

* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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